Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Rumo a uma política asséptica e invisível

Uma das facetas do fenômeno do recuo da política, apontado por Luiz Werneck Vianna (ver entrevista abaixo), pode ser visto nas campanhas eleitorais dos últimos anos. A cada campanha, surge alguma nova restrição, sempre orientada com o mesmo objetivo: diminuir a visibilidade dos processos eleitorais. Primeiro, foi a campanha contra a “sujeira” nas ruas das cidades. E a propaganda eleitoral foi sendo sistematicamente reduzida. Inicialmente, a idéia era coibir excessos causadores de poluição visual. Mas, ano após ano, essa idéia evoluiu para reduzir ao máximo a visibilidade pública das campanhas. Agora, as restrições chegam à internet, seguindo a mesma lógica de redução da visibilidade. Essa lógica não disfarça sua simpatia pela transformação do debate político em um produto pasteurizado e controlado pelos grandes veículos de comunicação.

Estes veículos têm a pretensão de servir como “o” palanque eleitoral por excelência. O caso da RBS é exemplar. Sempre move mundos para produzir o primeiro e o último debates eleitorais televisivos entre os candidatos. Quer dar a primeira e a última palavra no processo e apresentar-se como porta-voz dos interesses da coletividade. Submete a imensa maioria dos partidos e suas candidaturas a uma gaiola de ouro. Enquanto isso, durante a campanha, como já ocorreu em eleições anteriores, denunciará as propagandas e manifestações que “sujam” a cidade. O ideal dessa lógica asséptica é uma cidade onde ninguém perceba que está sendo realizada uma eleição. Afinal de contas, repete-se durante o ano inteiro, a política é uma coisa “suja”. Assim, ela não deve ter cor, som, forma ou cheiro. A mídia se encarregará de contar “a sua vida na TV”. Estamos chegando lá.

3 comentários:

Marcelo disse...

Marco Aurélio, trocaste o nome! Deve ter misturado com o Nelson Werneck Sodré.

Marco Aurélio Weissheimer disse...

Obrigado, Marcelo. Já corrigi.

Anônimo disse...

Marco

Realmente esse "fenômeno" já é perceptível a algum tempo, ou seja, o da redução do espaço para o debate político, o q só interessa ao campo da direita, por q simplismente ele é o dono da mídia. Quanto mais esse "debate" estiver restrito a esse espaço midiático, mais passível d controle ele se torna.
A mídia eleje os piores políticos e ao mesmo tempo desqualifica a política como uma atividade suja.
Aí entra em cena como a depositária da ética, fazendo um denuncismo de encomenda.
A mídia tem um projeto sinistro, cada vez mais perceptível, q é o de substituir a política como mediadora das relações sociais. E está tendo pleno sucesso nessa empreitada. Não há a mínima reação, pois quem poderia reagir, q seria a esquerda, é completamente incompetente para perceber a gravidade desse fenômeno. Isso para ñ falar nas relações promíscua q essa mesma esquerda mantém com a mídia.

Eugênio