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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Ilegal, imoral ou engorda


No relatório que apresentou à CPI do Detran, o deputado Adilson Troca (PSDB) incluiu documentos que não foram formalmente protocolados na comissão. Na manhã desta sexta-feira, quando a sessão final da CPI iniciou, a oposição denunciou a manobra. "O senhor está submetendo esta CPI e a o Poder Legislativo a um vexame. Tentar esquentar documentos de forma contrabandeada é inaceitável. Seu relatório é uma fraude", manifestou o deputado Elvino Bohn Gass (PT). "Não podemos aprovar uma ilegalidade", reforçou a deputada Stela Farias (PT). "O relatório não oferece a resposta exigida pela sociedade porque o relator preferiu um ajeitamento político", afirmou o presidente da comissão, deputado Fabiano Pereira (PT).

Depois de duas horas e meia de discussão, o relator foi forçado a retirar de sua proposta original, três páginas, a 112, a 123 e a 187. Nelas, constavam referências à sindicância realizada pela Procuradoria Geral do Estado sobre os desvios na autarquia, documentos oriundos da Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados (Fenaseg) e da Fundação Carlos Chagas. Só depois que Troca topou retirar as páginas que tornavam o documento francamente ilegal, houve acordo para que se começasse a leitura do relatório, o que ocorreu por volta do meio-dia.

A divergência entre Troca e a oposição, contudo, não acaba na ilegalidade. O fato de o relator só ter indicado o indiciamento de uma pessoa –Ronaldo Morales, ex-presidente da Fatec – além das 40 já denunciadas pela Justiça Federal, é outro ponto de discordância que pode levar ao voto separado da oposição. Troca não indicia Yeda nem qualquer um dos seus quatros secretários que foram demitidos do governo por envolvimento com a fraude. E seu relatório praticamente defende João Luiz Vargas, presidente do TCE que foi dono de uma sistemista do Detran e José Otávio Germano, deputado federal do PP que foi secretário de Segurança no período em que a fraude começou e que manteve conversas pra lá de suspeitas com alguns dos principais acusados da maracutaia.

Este relatório é tudo o que o povo gaúcho não quer, ou seja, que a CPI acabe em pizza. Desse jeito, fica parecendo música do Roberto Carlos: é ilegal, é imoral ou engorda. (Maneco)

A culpa é de Olívio Dutra


O deputado tucano Adilson Troca, relator da CPI do Detran, alega ter feito um relatório eminentemente técnico sobre os trabalhos de investigação da comissão e acusa a oposição de querer “fazer política” contra a governadora Yeda Crusius (PSDB). No entanto, o seu próprio relatório encarrega-se de desmontar essa tese. Troca alega que os problemas no Detran começaram em 1997 e repete a tese do “bebê japonês” que teria “caído no colo” de Yeda. Ao aumentar a escala de tempo procura jogar uma cortina de fumaça sobre os graves acontecimentos revelados pela Operação Rodin. E passa a “fazer política”, expressão que usa com visíveis dificuldades de entendimento, para criticar o comportamento da oposição. Na página 123 de seu relatório “eminentemente técnico”, Troca afirma:

“As causas que levaram a instalação da presente CPI remanesceram, em estado embrionário, ao tempo em que governava o Estado o Sr. Olívio Dutra. Ao que tudo indica o nascedouro do hoje denominado “esquema” tem raízes sólidas e personagens que hoje estão denunciadas no processo que tramita perante a Terceira Vara Federal de Santa Maria”.

Essa é a conclusão "técnica" do deputado Adilson Troca. A culpa pelo roubo de R$ 44 milhões no Detran é de Olívio Dutra. É o único nome de governador que aparece no documento costurado e editado pelo Palácio Piratini. Essa é a conclusão “técnica” que o governo Yeda Crusius pretende imprimir à CPI que investiga o maior roubo de dinheiro público da história do Rio Grande do Sul. O relator não demonstrou o menor interesse em apontar as possíveis destinações do dinheiro roubado. Para ele, o responsável pelo lodaçal que se viu nos últimos meses é o sr. Olívio Dutra.

Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Missão cumprida


No início da CPI do Detran, o relator Adilson Troca (PSDB) notabilizou-se por um episódio fantástico. No dia 10 de março, Troca surpreendeu seus colegas ao distribuir uma nota à imprensa antecipando sua avaliação sobre o depoimento de dois ex-presidentes do Detran, Mauri Cruz e Carlos Bertotto, antes que os mesmos acontecessem. O título da nota afirmava: “Escândalos e denúncias escancaram fraudes no Detran da gestão do PT”. Virou piada na Assembléia e o assessor de imprensa, Rodrigo Wenzel (filho do ex-prefeito de Santa Cruz e atual chefe da Casa Civil do governo Yeda, José Alberto Wenzel) acabou sendo demitido para aliviar a barra de Troca. Na época, os dotes mediúnicos do deputado tucano chamaram a atenção de seus colegas na Assembléia. Mas não se tratou de um fenômeno isolado. A mediunidade de Troca seguiu se manifestando.

Durante toda a CPI do Detran, o relator já sabia qual seria o texto final de seu relatório. Ainda novato na arte da futurologia, Troca havia antecipado corretamente os escândalos e denúncias que se seguiriam. Errou só de partido. Ninguém é perfeito. Como já havia antecipado ao longo da CPI, Troca anunciou hoje o teor de seu relatório: vai sugerir o indiciamento dos 40 já indiciados na Operação Rodin e mais um, Ronaldo Morales (ex-presidente da Fatec), para ninguém dizer que se trata de um relatório chapa branca.

Nada que possa atingir a governadora Yeda Crusius, afinal de contas, argumenta Troca, não houve nenhum indício de envolvimento do governo na fraude, com exceção da queda de três secretários do núcleo do governo – Ariosto Culau, Delson Martini e Cézar Busatto – e da confissão do uso de recursos públicos para financiar campanhas. Um detalhe menor, na avaliação de Troca. O relator poderá beber tranqüilamente uma taça de champanhe hoje e brindar com a governadora Yeda Crusius. Missão cumprida.

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Adilson Troca, previsivelmente óbvio

Eugênio Neves

A sociedade gaúcha está prestes a conhecer o relatório final da CPI do Detran que deve ser votado na próxima sexta-feira (dia 4), sessão final da comissão. O relator, deputado Adilson Troca (PSDB), antecipou que vai indiciar os mesmos 40 já denunciados pela Justiça Federal, mas pode incluir outros dois nomes. Ele não disse quem são. Afirmou apenas que suas "novidades" estão entre os quatro que haviam sido indiciados pela Polícia Federal, mas que ficaram de fora da denúncia do Ministério Público Federal. Assim, Ronaldo Etchechury Morales (ex-presidente da Fatec), Luis Felipe Tonelli de Oliveira, Sérgio de Moraes Trindade e Jorge Alberto Viana Hossler devem estar com as barbas de molho. Troca também já tranqüilizou os ex-secretários Cézar Busatto, Ariosto Culau, Delson Martini e o "embaixador" Marcelo Cavalcante.

Não vai indiciá-los porque não vê nada que possa ligá-los à maracutaia que desfalcou os cofres públicos em R$ 50 milhões. Desconsidera, portanto, todas as escutas telefônicas que evidenciam a interlocução que Martini fazia pelo centro de governo com os envolvidos na fraude, a confissão de que organismos estatais (Detran, DAER, CEEE, Corsan) sustentavam campanhas eleitorais feita por Busatto na conversa com o vice-governador Paulo Feijó, a satisfação (regada à chopinho) que Culau foi dar a Lair Ferst depois de romper com Fundae e o governo contratar a MD Segurança, e o fato de que Marcelo Cavalcante foi portador de uma carta à governadora onde o "ex-miss" (termo usado por Maciel quando se referia à Lair) conta quase tudo sobre a máfia que estava instalada no Estado.

Por enquanto, nenhuma fala do relator sobre aqueles que têm foro privilegiado como João Luiz Vargas, presidente do TCE e José Otávio Germano (PP). Na semana passada, Zero Hora disse que é intensa a pressão sobre o relator para que não os inclua no relatório. A julgar pelo comportamento do relator durante toda a CPI quando não demonstrou qualquer vontade de apurar um milímetro além do que já estava demonstrado pela Polícia Federal e o MP, a chance de Troca incluí-los no relatório é próxima de zero. Assim, o relatório, que deve ser aprovado pela maioria (da base do governo), será daqueles que justificam o descrédito nas CPI’s. Já a oposição prepara um voto em separado e promete apontar as provas, contradições e evidências de que o maior escândalo de corrupção da história do RS só foi possível porque teve uma poderosa sustentação política. (Maneco)

Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Vistas grossas

Kayser

Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Deputado pede saída de assessora de Troca


O vice-presidente da CPI do Detran, Paulo Azeredo (PDT), pediu hoje formalmente o afastamento da procuradora Andrea Flores Vieira dos trabalhos da comissão. Ela foi cedida pela Procuradoria Geral do Estado para assessorar o relator da CPI, deputado Adilson Troca, do PSDB (foto). Detalhe: a procuradora é amiga de um dos investigados (e indiciados), o também procurador e ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Flavio Vaz Netto, conforme mostrou reportagem do jornal Zero Hora nesta terça-feira.

Andréa Vieira admitiu que é amiga, há mais de 10 anos, de Flavio Vaz Netto e que participou da elaboração das perguntas feitas a ele no depoimento que prestou à CPI do Detran. Azeredo ficou indignado com as declarações da procuradora, questionou o comportamento ético da servidora pública que foi cedida à CPI a pedido do relator, além de colocar em dúvida a eficiência do relatório que será apresentado. “Ela está sob suspeição e deveria se dar por impedida de acessar aos documentos sigilosos e de participar da elaboração da relatoria”, disse o deputado do PDT.

Segundo ele, além de possuir relações estreitas com o denunciado pelo MPF, prestando serviços profissionais ao denunciado Flávio Vaz Netto ao ser preso, a procuradora troca informações por telefone, durante as oitivas, com envolvidos e citados na fraude do Detran. “Ela não tem a imparcialidade nem o recato recomendáveis a quem exerce assessoria ao relator”, criticou. Para o relator da CPI, Adilson Troca, não há nenhum problema no fato de sua assessora ser amiga de um dos principais acusados de integrar a quadrilha que roubou o Detran.

P.S. A Procuradora Andréa Vieira rebateu as suspeitas levantadas sobre seu trabalho, garantiu que sua função era eminentemente técnica e pediu afastamento da CPI do Detran no início da sessão de hoje.

Domingo, 11 de Maio de 2008

Coveiro tucano

Eugênio Neves

Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

Adilson Troca recebe ordens para enterrar a CPI do Detran o mais rápido possível


O relator da CPI do Detran, deputado Adilson Troca (PSDB), recebeu ordens da governadora Yeda Crusius (PSDB) para enterrar as investigações da comissão o mais rápido possível. A determinação, extensiva a toda base de apoio do governo na Assembléia, está fazendo com que os tucanos e seus aliados deixem as sutilezas de lado. E a prudência também. Os últimos movimentos e declarações de Troca colocam sob suspeita o relatório que ele produzirá sobre os trabalhos da CPI.

O deputado tucano deixou a entender que manteve contato com um dos principais acusados de envolvimento na fraude do Detran, o empresário-lobista Lair Ferst. Foi o próprio Troca que revelou a vontade de Lair: “Ele não vai ficar de cabeça baixa e vai falar mesmo”, disse o deputado tucano ao defender a convocação imediata do empresário para depor. A idéia é acelerar o máximo os depoimentos, não prorrogar os trabalhos da CPI e produzir um relatório morno, sem maiores problemas para o governo.

Para tanto, Troca apresentou uma proposta para acelerar as sessões da CPI. Essa proposta prevê a realização de até cinco oitivas num só dia. A deputada Stela Farias (PT) fez as contas: com um tempo médio de três horas por depoimento, a sessão, que inicia às 18 horas, só terminaria às 8 horas da manhã seguinte. “Esse plano de trabalho é uma receita de pizza”, acusou Stela.

Técnico contábil de formação, Adilson Troca faz as contas para enterrar a CPI nas próximas semanas. Já diz que trabalhará “de manhã, de tarde e de noite” para terminar logo o relatório. Quer se livrar logo da missão recebida da governadora Yeda Crusius.

A imagem do deputado pizzaiolo é do site PTSul.