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Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Novo jeito de aplainar


Uma conversa gravada pela Polícia Federal, durante a investigação da fraude no Detran, mostra o ex-presidente do órgão, Flávio Vaz Netto, e o ex-diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Antônio Dorneu Maciel, fazendo referência a contatos com a governadora Yeda Crusius (PSDB) e com o marido dela, Carlos Crusius, para marcar uma conversa com o objetivo de “aplainar as coisas”. Os dois falam ainda do resultado de uma reunião no Palácio Piratini, da qual Vaz Netto participou, para discutir a realização da Copa do Mundo de 2014 (que terá uma sub-sede em Porto Alegre). “Um esquemão qualificado”, segundo Vaz Netto. No telefonem, o ex-presidente do Detran relata que conversou com Yeda e Carlos Crusius no Palácio sobre a necessidade de uma conversa “para aplainar algumas coisas”. Alguns dos principais trechos da conversa:

MACIEL: Oi, já saiu?
VAZ NETTO: Tô saindo. To dentro do palácio ainda.
MACIEL: E foi bom?
VAZ NETTO: Muito bom.
MACIEL: Bah, o Odone me deu uma mijada porque eu deixei só ele e tu ir....
VAZ NETTO: Devia ter vindo...
MACIEL: Pois é, mas eu não podia...eu tava no médico....minha pressão subiu na hora.
VAZ NETTO: É um esquemão qualificado, viu?
MACIEL: É?
VAZ NETTO: É. Qualificado.
MACIEL: Muita tendência vermelha?
VAZ NETTO: Não, dos vermelho tava o Perondi, pela CBF, o Pífero, o resto tava misturado...
(...)
VAZ NETTO: Eu tive um gesto interessante da governadora. Ela me enxergou de longe, me abanou, deu três ou quatro passos em minha direção, me cumprimentou. Perguntou se eu estava bem. Eu disse: precisamos de um espaço. Quando quiser, não tem problema (ela respondeu). Aí não sei se ela mandou o Crusius falar comigo. Eu disse: olha, eu preciso conversar depois para aplainar algumas coisas. Me telefona, me avisa que a gente marca (respondeu Crusius). Ela foi muito carinhosa comigo.
MACIEL: Que bom. Me deve essa...
VAZ NETTO: Te devo essa. Bota na conta...

Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

"Quem vai definir é ela"

Kayser

As conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal durante a Operação Rodin, que implodiu um esquema de fraude no Detran gaúcho, revelam com riqueza de detalhes as negociações entre diversos acusados de integrar a quadrilha que, segundo a PF, o Ministério Público e a Justiça Federal, desviaram mais de R$ 40 milhões dos cofres públicos do RS.

Uma das conversas mais impactantes divulgadas quarta-feira é aquela onde o ex-diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) sugere ao ex-presidente do Detran, Flávio Vaz Netto, que ele converse com a governadora Yeda Crusius para saber qual a orientação que deveria ser seguida para resolver um problema relacionado aos contratos do Detran com fundações universitárias ligadas à Universidade Federal de Santa Maria. O problema em questão era a pressão que vinha sendo exercida pelo lobista tucano Lair Ferst, cujas empresas tinham sido excluídas do sistema. Nesta conversa, Dorneu Maciel diz a Vaz Netto: “Quem vai definir é ela” (a governadora Yeda Crusius). Clique AQUI para ouvir.

Outra conversa que causou grande impacto na CPI do Detran é a que traz o diálogo entre Flávio Vaz Neto e o auditor do Tribunal de Contas do Estado, Cézar Santolin. Nesta conversa, o servidor de carreira do TCE avisa o ex-presidente da autarquia da realização de uma inspeção extraordinária no departamento de trânsito para apurar irregularidades em contratos com fundações. Clique AQUI para ouvir.

Terça-feira, 3 de Junho de 2008

A ousadia descarada de Dorneu Maciel


Jéferson Miola comenta, no Biruta do Sul, o depoimento de Antonio Dorneu Maciel, ontem, na CPI do Detran:

“O depoimento de Antonio Dorneu Maciel ontem na CPI do Detran foi uma enciclopédia simbólica. O depoente não economizou nos símbolos que poderiam confundi-lo como uma das Suas Excelências, os Nobres Deputados. O cume da síndrome dual do depoente foi quando alertou o Presidente da CPI de que o “diálogo” deveria se dar exclusivamente entre “Ele e os senhores deputados” [sic].

“Como em outra aparição pública [numa entrevista à Zero Hora de 16/11/2007], ontem na CPI Antônio Dorneu Maciel abusou calculadamente de duas personalidades: a da autoridade equiparável às Suas Excelências, um gigante partidário do PP [que porém desconhece a tramóia do Detran]; e a do humano clemente, que pedia aos deputados que olhassem no fundo de seus olhos para verem a pureza de sua vida”. Clique AQUI para ler mais.

Foto: Guerreiro/Agência Assembléia

Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Contradições & Contradições


Algumas contradições expostas na sessão de hoje da CPI do Detran:

Dorneu Maciel nega ter recebido de Rubem Höher (professor da UFSM, responsável pela gestão do contrato do Detran na Fundae) propina de R$ 175 mil em seu flat, em Porto Alegre, dinheiro desviado do esquema no Detran.

Em depoimento à Polícia Federal, Rubem Höher afirmou que fez tal entrega a Dorneu Maciel. Mais do que isso: Höher afirmou que o flat de Maciel era usado para distribuição da propina e que ele mesmo chegou a levar o dinheiro no local.

Dorneu Maciel nega ter tido qualquer conversa com o ex-presidente do Detran, Flávio Vaz Netto, sobre os contratos da autarquia com as fundações universitárias.

O depoimento de Flávio Vaz Netto na Polícia Federal afirma que os dois conversaram sobre esse tema. Interceptações telefônicas idem.

Dorneu Maciel: auto-elogios e intimidações


Antônio Dorneu Cardoso Maciel se tem em alta conta. Em sua fala inicial na CPI do Detran, apresentou com orgulho sua trajetória política, iniciada durante a Ditadura Militar, como partidário da Arena. E definiu a si próprio da seguinte maneira: “Sou uma pessoa de bem e não o vilão que as circunstâncias atuais querem demonstrar”. O ex-diretor da Assembléia e da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) negou todas as acusações e garantiu não ter nada a ver com a fraude no Detran. “Em política quase não erro. Sou muito atento”, disse, anunciando – em tom intimidatório - que gravou todas as sessões da CPI. Por mais de uma vez, Dorneu Maciel dirigiu-se ao deputado Elvino Bohn Gass (PT), advertindo que tinha gravado todas as suas declarações, assim como as dos demais deputados.

Diante da leitura do teor de depoimentos e de interceptações telefônicas feitas durante a Operação Rodin, onde ele aparece como protagonista, o depoente disse desconhecer aquelas conversas. Jurou inocência, garantiu que vai prová-la na Justiça e negou qualquer tipo de envolvimento com a quadrilha acusada de roubar mais de R$ 40 milhões do Detran. Algumas de suas negativas: “Não participei disso. Nunca falei com Chico Fraga sobre Lair Ferst. Não tenho relação com Chico Fraga. Não tive relação com Delson Martini (secretário de Comunicação do governo Yeda e ex-presidente da CEEE) sobre o assunto Detran. Nunca ouvi falar em Fenaseg. Não sabia das sistemistas. Nunca houve entrega de dinheiro no meu flat”.

A Justiça Federal denunciou Dorneu Maciel pelos crimes de formação de quadrilha, locupletamento por dispensa de licitação, corrupção passiva e peculato-desvio.

Foto: Guerreiro/Agência Assembléia