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Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Aracruz usou nomes de empregados para adquirir terras do governo no Espírito Santo


O Correio Braziliense publica nesta terça-feira uma nova reportagem do jornalista Lúcio Vaz, na série que investiga o impacto ambiental das monoculturas de eucalipto no Brasil. Na matéria de hoje, Lúcio Vaz conta como a Aracruz Celulose usou seus empregados para adquirir terras no Espírito Santo:

" Aracruz Celulose utilizou funcionários para legitimar a aquisição de terras em Conceição da Barra e São Mateus, no interior do Espírito Santo, para plantar milhares de hectares de eucaliptos no início dos anos 70. Eles receberam terras devolutas do governo do estado e as repassaram para a empresa, como mostram registros em cartórios. Cerca de 24 mil hectares de terras nesses municípios são reivindicados hoje por quatro comunidades quilombolas. “As comunidades foram expulsas ou pressionadas a vender as suas terras a preços baixos”, afirma o líder quilombola Domingo Firmiano dos Santos, o Chapoca".

"Com base em depoimentos prestados à CPI da Assembléia Legislativa que investigou em 2001 supostas irregularidades em licenças ambientais concedidas à Aracruz, 13 entidades entraram com representação no Ministério Público Estadual em 2004. Pedem a investigação da legalidade das aquisições de terras feitas pela Aracruz por meio de funcionários. A representação cita 65 áreas. “Após ‘legitimarem’ as terras em seus nomes, repassavam essas terras para a Aracruz Celulose. Foram mais de 13 mil hectares de ‘legitimação’ de terras ‘transferidas’ por esses empregados e ex-empregados à empresa”, diz a representação".

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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Aracruz destrói natureza para plantar eucalipto, denuncia reportagem


Nova reportagem de Lúcio Vaz, no Correio Brasiliense (01/06/2008), fala sobre o impacto ambiental causado pelas atividades da Aracruz, no Espírito Santo:

“Em operação no Espírito Santo há cerca de 40 anos, a Aracruz Celulose construiu um império empresarial que a colocou como a maior produtora mundial de celulose de eucalipto. A empresa tem ligação estreita com o mundo político. Nas três últimas eleições, investiu R$ 6,5 milhões em candidatos do estado. Com receita líquida anual de R$ 2,8 bilhões, a Aracruz mantém 12 mil empregos diretos e indiretos e paga cerca de R$ 200 milhões em impostos. Mas a atividade também gera forte impacto ambiental. Parte de suas florestas foi implantada em Mata Atlântica ou em terras de índios e quilombolas. A empresa represou seis rios e inverteu o curso de outro para abastecer a sua fábrica. Em várias localidades, há lagoas, rios e riachos secos entre as florestas.

O Correio registrou esse impacto percorrendo cerca de dois mil quilômetros no Espírito Santo e no Sul da Bahia, onde a Aracruz instalou uma segunda fábrica, no município de Eunápolis, em sociedade com a finlandesa Stora Enso. O trabalho complementa uma série de reportagens feitas no Rio Grande do Sul, onde a Aracruz, a Stora Enso e a Votorantim (sócia da Aracruz) estão expandindo plantações de eucaliptos e implantando novas fábricas de celulose. Os erros e acertos vividos no Espírito Santo podem servir como ensinamento para a atividade em outros estados.

As conseqüências danosas da operação da fábrica de Barra do Riacho nos recursos hídricos do município de Aracruz (ES) são apontadas em estudo feito pela Associação de Geógrafos Brasileiros, seção Espírito Santo. Para a construção das duas primeiras unidades da fábrica, foi criado um sistema integrado de represas no Rio Santa Joana e nos córregos Santa Joana, Águas Claras, Arroz, Alvorada, Piabas e Constantino. “As nascentes e grande parte do curso desses rios passaram a ser de uso exclusivo da Aracruz Celulose”, diz o estudo. Clique AQUI para ler mais.

Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Sindicato questiona licença ambiental concedida pela Fepam à Aracruz


Há dois meses, servidores esperam por uma resposta do Ministério Público Estadual sobre as denúncias relacionadas à expansão da fábrica da Aracruz, em Guaíba, informa reportagem de Paula Cassandra, na Agência Chasque. O sindicato da categoria (Semapi) questiona a licença prévia emitida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) à empresa.

Segundo o diretor do sindicato, Antenor Pacheco, a Fepam concedeu licença prévia para a ampliação da Aracruz sem a aprovação dos seus técnicos. Em represália aos funcionários que não aprovaram a quadruplicação da fábrica, denuncia o sindicalista, a direção da Fepam transferiu três deles para outros setores. A denúncia ao MP Estadual ocorreu no final de março, poucos dias depois de a Fepam conceder a licença prévia à empresa.

Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

MST e MPA ocupam área da Aracruz


Cerca de 300 agricultores, assentados e sem terra ocuparam, na manhã desta quarta-feira (21), uma área da empresa Aracruz, localizada no 5º distrito de Canguçu (região Sul do Estado), informa a assessoria de imprensa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O objetivo da ação é denunciar o modelo do agronegócio na região baseado na monocultura de eucalipto, pinus e acácia, que estaria dissolvendo as comunidades, levando os pequenos agricultores para a cidade e prejudicando o meio ambiente. Participam do protesto, integrantes do MST e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Parte das famílias que ocuparam a área da Aracruz deve permanecer acampada em uma área de assentamento, na localidade de Armada. As empresas de celulose estão adquirindo grande quantidade de terras na região.

Segundo os coordenadores dos movimentos, um acampamento nesta área é de extrema importância por se localizar em um município onde há um grande número de pequenas propriedades, que vêm sendo objeto da cobiça das grandes empresas de celulose. As atividades devem culminar em um encontro na quinta-feira (22), onde cerca de 800 agricultores devem debater temas referentes ao modelo do agronegócio e ao modelo de agricultura camponesa, proposto e defendido pelos dois movimentos. O evento, chamado de Concentração da Reforma Agrária, ocorrerá no local do novo acampamento, com início previsto para às 9h30min, com a presença de assentados, sem-terra, pequenos agricultores, entidades apoiadoras, representante do Instituto Nacional de Reforma Agrária (INCRA) e da comunidade da região.

Terça-feira, 15 de Abril de 2008

A "conquista" das licenças ambientais

A governadora Yeda Crusius estava em estado de graça na manhã desta terça-feira ao receber a direção da Aracruz no Palácio Piratini para anunciar a ampliação da fábrica da empresa em Guaíba. “É o maior investimento da história do Rio Grande”, exultou a governadora. O investimento é de R$ 4,9 bilhões para a ampliação da Unidade Guaíba. Yeda e o diretor de Operações da Aracruz, Walter Lídio Nunes, destacaram a “superação” de um dos maiores “obstáculos” para o empreendimento: as licenças ambientais!

Yeda colocou a “conquista” das licenças ambientais no mesmo patamar da construção do Pólo Naval de Rio Grande. "É a hora do Rio Grande, hora do Brasil mudar seu padrão de desenvolvimento, começando pela cidade de Rio Grande, com o Pólo Naval, com as licenças ambientais e aqui com a Aracruz, Stora Enso e Votorantim". Além da licença ambiental, precisávamos da licença social, que pedimos a sociedade gaúcha, para trazer esse investimento que é uma e meia GM".

O diretor da Aracruz, por sua vez, elogiou "a coragem da governadora Yeda e de seus colaboradores em enfrentar as dificuldades naturais em investimentos deste porte”. Leia-se, coragem para flexibilizar a legislação ambiental e atropelar as organizações ambientalistas que lutam contra a transformação da política ambiental gaúcha em um balcão de negócios.

O governo federal tem uma participação importante no negócio. O BNDES financiará 60% do valor total do investimento e 40% virão da empresa. Não há qualquer contrapartida do Estado no empreendimento. (Foto: Jefferson Bernardes/Palácio Piratini)