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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Comandante da Brigada ameaça movimentos sociais na véspera da Marcha dos Sem

Kayser

O comandante da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, divulgou nota oficial nesta quinta-feira (4), advertindo os movimentos sociais que organizam o 14° Grito dos Excluídos e a 13ª Marcha dos Sem, que os “efetivos do policiamento ostensivo estão devidamente instruídos e dotados dos recursos necessários para atuarem como força mediadora, capaz de harmonizar, no limite da lei, os interesses porventura conflitantes, não permitindo que direitos e garantias de uns se sobreponham aos de outros”. Traduzindo: a Brigada Militar reprimirá os manifestantes caso o coronel Mendes julgue que “direitos e garantias de uns estão se sobrepondo aos de outros”.

Expressando uma “inquebrantável tradição de respeito ao Estado Democrático de Direito”, o comandante da Brigada afirma seu “compromisso de garantir a lei e a ordem no Rio Grande do Sul, desejando que todos os eventos previstos transcorram dentro da normalidade”. O compromisso do coronel Mendes com o Estado Democrático de Direito parece ser seletivo, considerando suas recentes manifestações em defesa da execução de criminosos ao arrepio da lei.

Os organizadores do Grito dos Excluídos e da Marcha dos Sem, programada para esta sexta-feira, criticaram a nota, classificando-a como uma tentativa de intimidação. Para o presidente da CUT/RS, Celso Woyciechowski, a nota “é muito ruim para o processo democrático porque vem em um tom ameaçador”. “Primeiro vem a ameaça e depois a proposta de diálogo”, criticou.

A concentração para a manifestação começa às 13h desta sexta, na praça Pinheiro Machado, esquina com a avenida Farrapos. Os manifestantes seguirão até a Secretaria de Segurança Pública, onde será realizado um ato de protesto contra a criminalização dos movimentos sociais. Depois a marcha passará pela prefeitura da capital, Palácio da Justiça, Ministério Público Estadual e terminará com um ato em frente ao Palácio Piratini. Na agenda da Marcha dos Sem deste ano, destacam-se, entre outros pontos, a corrupção no Estado do Rio Grande do Sul, a violação de direitos e a criminalização dos movimentos sociais

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

Fascismo gaudério


O comandante da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, coronel Paulo Mendes, já defendeu mais de uma vez, publicamente, a pena de morte “para a bandidagem”. Conforme a expressão que ele mesmo empregou, “bandido tem é que ir pro paredão”. A Constituição e as leis, para o coronel, são entraves para a “segurança dos homens de bem”. Na manhã desta quarta-feira, o coronel Mendes mostrou mais uma vez seu desprezo pela ordem legal, durante o programa Polêmica, na rádio Gaúcha. Uma ouvinte do programa relata:

"Absolutamente estarrecedora a observação feita pelo Coronel Mendes no programa Polêmica de hoje. Creio que será objeto inclusive de manifestação do CREMERS (C0nselho Regional de Medicina). Lá pelas tantas, o Lauro Quadros (apresentador do programa) repetiu uma frase que teria sido dita por um médico (ou amigo...não tenho certeza):

"Quando um bandido chega no pronto socorro, tem que ser atendido devagar....sem pressa..."

O próprio apresentador, refletindo sobre a frase, comentou: "Isto é uma desumanidade".

Diante dessa afirmação, o coronel dirigiu-se ao apresentador e questionou: "Tu achas?".

Depois seguiu divagando sobre pena de morte e sobre "cortar as mãos" de criminosos.

Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Gordinhos e despreparados


As medidas que o governo Yeda anunciou para aumentar o sempre deficiente efetivo da Brigada Militar não passam pela chamada de homens e mulheres concursados e treinados para o policiamento ostensivo. Ao contrário, como bem aponta o experiente jornalista da área policial, Wanderley Soares em sua coluna no jornal O Sul, Yeda optou por gordinhos e despreparados, ou seja, vai chamar 700 PMs aposentados e abrir a possibilidade de contratação de até 1.500 jovens que recém cumpriram o serviço militar. Os aposentados que quiserem voltar à ativa, terão o acréscimo de um salário mínimo regional aos seus proventos e os miliquinhos, por serem temporários, não terão vínculos permanente com a corporação. Os primeiros, por estarem em sua maioria fora de forma, não poderão atuar sozinhos. Os outros, por não terem passado por treinamento específico completo, também não. Por estas razões, convém não formar duplas com um aposentado e um temporário já que o serviço efetivo, a priori, será precário.

Para compensar a debilidade das medidas, Yeda cedeu o Palácio Piratini para que o new-secretário de Segurança Edson Goularte fizesse o anúncio. O evento foi montado com pompa sobre o tema "apresentação de projetos destinados a ampliar o efetivo da Brigada Militar" mas o que se viu foi uma tentativa de transformar em solução o que não passa de um remendo.

Detalhe: coube ao secretário Goularte iniciar a exposição mas logo teve a cena roubada pelo comandante-geral da Brigada, coronel Paulo Roberto Mendes. Certo é que não havia muito para dizer".

Wanderley, que qualificou Mendes como "onipresente", sentenciou: "O clamor da sociedade é por um salto qualificado em toda a estrutura da segurança pública. Digamos que isso não seja possível. Há décadas que esse discurso vem sendo repetido, não obstante seja bem diferente em período eleitoral. Não sendo possível o novo, que seria o salto qualificado, apela-se para os remendos, para as improvisações. Também é possível entender. Só não é possível entender que os remendos, as improvisações, recebam duas ou mais demãos para parecerem coisa nova". Enquanto isso no Presídio Central, no Instituto Psiquiátrico Forense... (Maneco)

Ilustração: Hupper

Domingo, 10 de Agosto de 2008

A realidade diária da Brigada Militar


Enquanto o coronel Paulo Mendes segue investindo na pirotecnia e em uma disputa ideológica com os movimentos sociais que beira ao fascismo, a Brigada Militar segue enfrentando sérias dificuldades em seu trabalho. Segundo informa Wanderley Soares, em sua coluna no jornal O Sul, “para tapar os furos resultantes da falta de efetivo, a Brigada está colocando nas ruas, com arma na cintura, 522 PMs alunos que recém completaram três semanas de aulas, com soldos atrasados e sem coletes balísticos”. “Esses rapazes estão atuando na área do 9° BPM, que é uma das unidades que enfrenta maiores riscos na capital.

O jornal Minuano, de Bagé, flagrou (foto) outro problema que afeta o trabalho diário dos brigadianos no Estado. Dois PMs do Policiamento Comunitário usando uma mesma motocicleta para realizar seu trabalho. Segundo o jornal, o comando da Brigada Militar na região admitiu as dificuldades com as viaturas. Há algumas semanas, apenas uma viatura estava em condições de uso.

Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

E os outros monumentos?


O líder da bancada do PT na Assembléia Legislativa gaúcha, deputado Raul Pont, classificou a colocação da placa na Esquina Democrática em homenagem ao cabo Valdeci de Abreu Lopes, morto em um conflito entre a Brigada Militar e o MST, há 18 anos, como uma provocação do coronel Mendes. Para Pont, o comandante da Brigada constrangeu o Conselho Municipal do Patrimônio a aprovar a medida, levando 100 brigadianos para uma reunião do órgão. Além disso, acrescentou, a medida autoriza os movimentos sociais e os familiares das pessoas que morreram vitimadas por ações da Brigada Militar a exigirem monumentos nas avenidas em honra de seus mortos. O líder petista lembrou os casos do promotor público de Santa Rosa, do tenista em São Leopoldo e do líder sindical Jair Antonio da Costa como exemplos recentes de vítimas da violência policial. “A placa é injusta inclusive com outros brigadianos, que morreram em serviço no combate ao tráfico e ao crime e que não são lembrados pelo comando da corporação”, criticou.

Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Brigada Militar pressiona prefeitura por monumento para soldado morto por sem-terra

O Conselho do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Porto Alegre fez um acordo nesta quinta-feira com o estado-maior da Brigada Militar, liderado pelo coronel Paulo Mendes, para a instalação de um monumento em homenagem ao soldado Valdeci, degolado por agricultores sem-terra há 18 anos, no centro da capital. A Brigada queria que o monumento fosse instalado na Esquina Democrática (Borges de Medeiros com Andradas). O secretário municipal de Cultura, Sergius Gonzaga, e a presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural, Rita Chang, propuseram uma solução intermediária: a instalação do monumento a 30 metros da Esquina Democrática, na avenida Borges de Medeiros. A pressão capitaneada pelo coronel Mendes foi muito forte. Nesta sexta-feira, a Brigada pretende fazer uma homenagem ao soldado morto.

Terça-feira, 29 de Julho de 2008

Brigada despeja outro acampamento do MST

Cerca de 150 policiais da Brigada Militar executam na manhã desta terça-feira (29) o despejo de 70 famílias de sem-terra na cidade de Gramado dos Loureiros, região Noroeste do RS. Parte das famílias está acampada na faixa de domínio da RS-324 e outra parte em um assentamento do Movimento Sem Terra (MST) no local. A reintegração de posse da faixa de domínio da rodovia foi pedida pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER). No entanto, informa o MST, a Brigada Militar afirma que despejará todo o acampamento, independentemente de parte dele estar em uma área particular, no caso o assentamento. Os sem-terra denunciam a nova ação da Brigada e do governo Yeda Crusius (PSDB) para desmobilizar e criminalizar o MST, processo que vem se intensificando desde o início do atual governo.

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Brigada Militar ainda não explicou morte de segurança da Assembléia Legislativa


A morte do inspetor de segurança da Assembléia Legislativa gaúcha, Silvio Antônio Pereira Gonçalves, na madrugada de terça-feira, está muito mal explicada. O deputado Raul Pont (PT) pediu hoje que a direção da Assembléia e o Ministério Público Estadual investiguem o caso com rigor, diante das tentativas de encobrir os motivos da morte. Segundo relato de testemunhas, Gonçalves levou 45 minutos para ser transportado por policiais militares do posto de gasolina situado na confluência da Avenida João Pessoa com a Rua Venâncio Aires, no bairro Cidade Baixa, onde teria chegado durante a madrugada, até o Hospital de Pronto Socorro, na esquina da Rua Venâncio Aires com a Avenida Osvaldo Aranha. Ele deixou o posto às 4h45 e deu entrada no hospital às 5h25. No HPS, foi atendido no setor de politraumatismo e morreu às 18h10 de terça com evidências de brutal espancamento.

“As informações são imprecisas e misteriosas. Não podemos aceitar a versão de que este cidadão que foi servidor concursado da Casa tenha quebrado a loja de conveniência, como diz um jornal da capital. Como explicar o fato dele não ter a mínima condição de sequer dizer o seu próprio nome?”, indagou Raul Pont. Uma enfermeira relatou que uma viatura da Brigada Militar atirou o rapaz no chão do pátio interno do HPS sem nenhuma responsabilidade. Até a tarde desta quarta, a polícia ainda não havia identificado quem estava na viatura. Para Pont, tudo leva a crer que está havendo uma blindagem para esconder os fatos com o propósito de prejudicar os esclarecimentos deste crime hediondo. “Ninguém nega que ele tenha saído com vida do posto e que foi entregue em estado de coma no HPS. Mas que segurança este cidadão teve da polícia militar que tinha a obrigação de resguardar a sua integridade física?”, questionou.

Com a palavra o coronel Mendes, comandante da Brigada Militar.

Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

PT condena ação da BM em vila de Porto Alegre


A bancada de vereadores do PT em Porto Alegre e a direção municipal do partido divulgaram nota oficial criticando a conduta da Brigada Militar em episódio ocorrido no dia 29 de junho, na Feira da Vila Santa Rosa, na capital gaúcha. A ação da BM na praça Vilmar Berteli, Vila Santa Rosa, teve como objetivo a apreensão de produtos falsificados e foi solicitada pela Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (SMIC). “No entanto”, protesta a nota, “a atuação dos policiais excedeu a mera apreensão e usou de desproporcional violência para intimidação da comunidade”. “O fato não tomou maiores proporções”, acrescenta, “pela intervenção dos moradores presentes no local, que protestaram contra os excessos da operação”.

Ainda segundo a nota do PT, os agentes da BM chegaram ao local portando armas pesadas e cacetetes. “A referida ação foi orquestrada pelo comandante do 9º Batalhão com a anuência do Comando Geral da Brigada Militar e sem a presença de um fiscal da SMIC responsável pela apreensão. A Brigada, que tem como função primordial zelar pela segurança pública, realizar o policiamento ostensivo e dar suporte às ações do poder público, neste caso, empreendeu uma ação de guerra contra os ambulantes na praça central da Vila Santa Rosa. O fato causou pavor e medo nas pessoas que ali faziam suas compras e nas crianças e adolescentes que brincavam no parquinho e na cancha de esportes”, denuncia o texto.

O partido afirma sua posição contra a pirataria, mas considera que a abordagem realizada pela BM foi totalmente equivocada, com abuso de poder e violação dos direitos humanos. “Os ambulantes não ofereceram qualquer tipo de resistência à ação apesar de terem sido algemados, colocados ao chão e presos pelos brigadianos. Esta prática de tratar os cidadãos como bandidos, adotada pelo atual Comando da BM, com a anuência da Governadora do Estado, representa um retrocesso do estado de direito e da democracia, que remonta à época lamentável da ditadura, que não queremos mais vivenciar. Esta postura autoritária precisa urgentemente ser revista e combatida por todos nós”, conclui.

Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Marcon denuncia violência da Brigada contra índios e trabalhadores da Frangosul


O deputado Dionilso Marcon (PT) denunciou hoje mais uma ação violenta da Brigada Militar, desta vez contra os índios guaranis que estavam acampados na BR 116, próximo a Barra do Ribeiro. Uma ordem judicial determinou a retirada dos índios da área, na terça-feira. Segundo Marcon, os índios foram algemados e humilhados pelos brigadianos. O deputado também denunciou a repressão aos trabalhadores da Frangosul, em Passo Fundo, que foram agredidos pela Brigada Militar nesta quarta-feira. “A governadora Yeda Crusius não está vendo que o coronel Paulo Mendes está descumprindo a lei. O direito à manifestação está garantido na Constituição Federal”, protestou. Marcon criticou, por fim, a decisão da base governista na Assembléia que rejeitou o requerimento propondo a criação de uma Comissão de Representação Externa para acompanhar os efeitos da plantação de pinus e eucalipto sobre a economia gaúcha.

Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

As origens alemãs do serviço de inteligência da Brigada Militar contra o MST


Da Agência Subverta:

"O que vem ocorrendo nos últimos dois anos no Rio Grande do Sul, aconteceu na Alemanha (ocidental) nos anos 80 e (unificada) nos anos 90, quando a polícia alemã adotou a chamada “Estratégia preventiva da polícia” em relação aos movimentos sociais, executada por uma unidade especial ou uma espécie de autoridade especial, chamada KAVALA, que fecha em tudo com o BOE gaúcho".

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Passo Fundo, Leandro Scalabrin, durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado, em 24 de junho, na Assembléia Legislativa.

Clique AQUI para ler mais.

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Documento revela que Conselho Superior do Ministério Público quer dissolução do MST


A violência do Estado, por meio das ações da Brigada Militar, contra os movimentos sociais foi tema da audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, realizada nesta terça-feira, na Assembléia Legislativa gaúcha. No encontro, foi exibido um vídeo com treze atos de violência contra os movimentos sociais. O deputado Dionilso Marcon (PT) denunciou a violência utilizada pelo comando da BM no dia 11 de junho, no Parque da Harmonia e em mais 12 eventos recentes. Naquela ocasião, o comandante da BM declarou publicamente que os manifestantes eram baderneiros e impediu que prosseguissem até o Palácio Piratini, onde estava programada uma grande manifestação contra a corrupção no governo Yeda Crusius.

Na audiência, também foi divulgada a ata do Conselho Superior do Ministério Público que deliberou a formulação de uma política de intervenção do MP pelo fim do MST, de suas escolas, pela investigação do Incra, da Conab e da Via Campesina. O documento de três páginas sugere o impedimento de marchas, de deslocamentos dos agricultores, assim como a desativação de acampamentos. Também sugere o cancelamento do alistamento eleitoral dos agricultores sem terra nas regiões em conflito e a formulação de uma política oficial do MP com a finalidade de “proteção da legalidade no campo”.

Na avaliação dos movimentos sociais, o documento do MP e as ações da BM comprovam que a Constituição Federal está sendo violada. O documento aponta vários níveis gradativos de repressão: O primeiro, segundo a denúncia dos movimentos, seria a identificação, grampeamento telefônico e de mails de manifestantes, lideranças e de parlamentares; o segundo, com a prática de violência com o uso de gás e balas de borracha, tropas de choque, prisão de manifestantes; num terceiro e último estágio seria a proibição de existência legal de associações e a mudança na legislação penal. Clique AQUI para ler a íntegra do documento do MP.

Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Audiência pública debaterá violência da Brigada contra movimentos sociais


A violência de Estado contra os movimentos sociais será tema de uma audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, na próxima terça-feira (dia 24), a partir das 9 horas, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul (3° andar). Senadores e deputados debaterão com representantes dos movimentos sociais e do Estado as recentes ações repressivas da Brigada Militar contra os movimentos sociais. A coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Rio Grande do Sul divulgou nota oficial, esta semana, denunciando as recentes ações da Brigada Militar e os argumentos utilizados pelo Ministério Público gaúcho para a execução do despejo de dois acampamentos no interior do Estado. Segundo a nota, “os métodos e argumentos do Ministério Público e da Brigada Militar ressuscitaram a ditadura militar no RS”.

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Deputados criticam atitudes da Brigada Militar e do Ministério Público estadual


Na Assembléia Legislativa, o líder da bancada do PT, Raul Pont, condenou a operação da Brigada Militar em dois acampamentos do MST e expressou preocupação com as sucessivas investidas da BM e do Ministério Público Estadual contra os movimentos sociais. “Este procedimento objetiva criminalizar os movimentos sociais”, denunciou. Pont também chamou a atenção para a manchete do jornal Zero Hora nesta quarta-feira, “MST sofre contra-ataque ao amanhecer”. “Qual foi o ataque? Qual foi a invasão feita ontem?” – questionou. A Brigada, acrescentou o deputado, não combate a violência nas cidades e tampouco faz policiamento preventivo, mas com a maior facilidade reúne 500 policiais para um contra-ataque a um ataque que não aconteceu num acampamento majoritariamente composto por crianças e mulheres. “Essa é a atual política do Estado”, resumiu Pont.

Na mesma linha, o deputado Dionilso Marcon disse que o governo do Estado e o Ministério Público têm raiva de pobre. “Vou pedir à Comissão de Direitos Humanos do Senado para interferir junto ao MP a fim de que este órgão deixe de perseguir os pobres”, anunciou o deputado que criticou ainda o MP por ter pouca disposição para apurar denúncias de corrupção no Detran e em outros órgãos públicos.

Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

O modus vivendi da tropa do coronel Mendes


Um dia depois da pancadaria protagonizada pela Brigada Militar para reprimir uma manifestação contra a corrupção no governo Yeda Crusius (PSDB), seguem os relatos de arbitrariedades e infrações a lei cometidos pela tropa do coronel Paulo Mendes, novo comandante da corporação. O fotógrafo Ronaldo Franco de Oliveira flagrou o momento onde um homem da Brigada Militar esvazia os pneus do carro do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), minutos antes de o coronel Mendes ordenar que os cacetetes, bombas de gás e balas de borracha entrassem em ação. Após o confronto, o carro foi destruído a bala e chutes pelos policiais, segundo relato de integrantes do sindicato. No programa Conversas Cruzadas (TVCOM), ontem à noite, o coronel Mendes negou que seus homens tivessem cometido qualquer tipo de irregularidade.

A foto mostra o contrário. Agachado, o PM esvazia tranqüilamente o pneu do carro do sindicato. Ao seu lado, acompanhando e protegendo o brigadiano estão outros brigadianos a paisana, provavelmente homens da famosa PM2, a “polícia secreta” da Brigada Militar. O coronel Mendes vem usando os homens da PM2 para acompanhar os movimentos sociais e até mesmo fazer investigações ilegais. Cabe lembrar que o trabalho de investigação é de atribuição da Polícia Civil. Há policiais civis insatisfeitos com o procedimento da “polícia secreta” da Brigada que está realizando investigações à revelia da lei e às vezes até mesmo atrapalhando investigações da Polícia Civil, resultando, inclusive, em prisões ilegais. Os homens da PM2 estão acompanhando as manifestações e outras atividades dos movimentos sociais. O coronel Mendes conta com esse serviço de inteligência para antecipar movimentos e facilitar a repressão.

Senadores virão a Porto Alegre para investigar violência da Brigada Militar



Senadores da Comissão de Direitos Humanos virão a Porto Alegre para investigar as denúncias de maus-tratos cometidos pela Brigada Militar contra os movimentos sociais. A decisão foi tomada nesta quinta, com a aprovação de requerimento do presidente da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS). Ele convidará um senador de cada partido para participar da missão.

Paim lembrou que os conflitos foram causados devido à mobilização dos movimentos sociais com o objetivo de que sejam apuradas denúncias de corrupção no governo Yeda. O senador José Nery (PSOL-PA) disse que as imagens mostram atrocidades cometidas pela Brigada Militar contra os movimentos sociais e lembram "tristes episódios da ditadura militar". O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) também virá a Porto Alegre e sugeriu que a governadora Yeda Crusius seja informada a respeito da decisão do Senado.

Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

A polícia como um caso de polícia

Bier
Ayrton Centeno

Benvindos de volta ao mundo das cavernas. A não ser durante a ditadura militar, eu nunca havia visto a Brigada Militar, sem qualquer provocação, atacar pessoas que estavam reunidas em assembléia, discutindo o que fazer diante da proibição – injusta, ilegal e inconstitucional - de exercerem o seu direito inquestionável de irem até às portas do Palácio Piratini e dizerem que não gostam da sua atual inquilina, nem das suas políticas, nem do modo que, segundo seu ex-chefe da Casa Civil, seu governo trata o dinheiro público. Simples, legal e legítimo.

Meninos eu vi! Posso dizer, à la Joel Silveira, porque ainda tenho a memória da obstrução da garganta e da cegueira momentânea que o gás provoca. Apoiada por helicópteros, viaturas e camburões, a tropa de choque do valente coronel Mendes marchou, ombro a ombro, de dois lados, para cima dos manifestantes na frente do parque da Harmonia. Nem as mãos estendidas e os pedidos de calma das lideranças e dos deputados Dionilso Marcon e Raul Carrion contiveram a arremetida. A decisão já fôra tomada. Minutos antes, Mendes, o Bravo, dera uma entrevista no palco dos acontecimentos ao Polícia em Ação, onde descrevera ao repórter Paulão sua visão dos movimentos sociais como “formação de quadrilha” e “baderna”. Terminou a fala anunciando que iria liberar a área imediatamente.

E assim foi feito. À força de cassetetes, bombas de gás e disparos de balas de borracha, os manifestantes recuaram aos trambolhões, enquanto muitas mães arrastavam suas crianças pequenas pelos braços correndo em desespero em busca de abrigo pelo mesmo parque que a cidade – desrespeitando a denominação oficial e postiça que louva o chefe do clã do monopólio da comunicação – chama afetivamente de Harmonia, uma designação sarcástica neste 11 de junho. No céu, dois helicópteros moviam-se em círculos sobre as árvores, compondo a produção modesta porém esforçada desse Apocalipse Now guasca.

Leonildo Zang, 54 anos, 25 de militância, uma placa de sangue coagulado na testa, foi um dos que correu. “Não entendo isso. A gente estava tranqüilo, não fizemos nada, não ocupamos nada e a polícia veio reprimir. Nunca vi nada dessa natureza. Parece coisa de Hitler!”, pasmou-se.

Zang falava no ambiente ainda empestado pela fumaça e o gás. Cheiro que ele e os demais não apreciaram nem um pouco. Aliás, por falar em cheiro e em Apocalipse Now, no filme de Francis Ford Coppola, uma figura impactante, o tenente-coronel da aeronáutica, Bill Kilgore, joga seus helicópteros num ráide sobre uma vila miserável de pescadores vietnamitas. È uma cena esplêndida que todo mundo lembra: ao som da Cavalgada das Valquírias, esmigalha até o ultimo resquício de resistência e arremata a obra com um bombardeio de napalm na selva contígua. E explica: “Eu adoro o cheiro de napalm pela manhã”. Cheiros são assim, escolhas de intensa subjetividade. Não se sabe qual o cheiro que o coronel Mendes prefere mas, depois de hoje, pode-se presumir que talvez seja o forte odor que emana do governo a que serve.

Como se fabrica a (des) informação


Como definir a linha editorial do jornal televisivo de maior audiência no país, o Jornal Nacional, da Rede Globo, que simplesmente sonega e deforma informações quase todos os dias? Na noite de 11 de junho, essa prática foi utilizada mais uma vez. Ao “noticiar” os conflitos de rua ocorridos em Porto Alegre, o JN “informou” que se tratou de uma invasão da Via Campesina a um supermercado para protestar contra a alta do preço dos alimentos. Isso e nada mais. Omitiu-se, entre outros, o pequeno detalhe de que se tratava de um protesto contra a corrupção no governo Yeda Crusius e que os policiais agiram para evitar que os manifestantes chegassem perto do Palácio Piratini.

Enquanto isso, ao cair da noite, no Palácio Piratini, uma imagem e uma frase ilustraram também qual é solo no qual trafega a “informação”. Soldados a cavalo da Brigada Militar vigiavam a entrada da sede do Executivo. Ao ver uma equipe de TV gravando um boletim ao vivo, um dos soldados aproximou-se e disse: “aproveitem, que a partir de amanhã não tem mais gravação ao vivo na frente do palácio”.

A foto nebulosa tirada de um celular no início da noite desta quarta, em frente ao Palácio Piratini reflete bem o clima político vivido hoje no Rio Grande do Sul. As fotos em frente ao palácio também estarão proibidas a partir de amanhã???

RS vive estado de sítio, denuncia CUT


A direção estadual da Central Única dos Trabalhadores divulgou nota condenando a atitude do governo Yeda Crusius, sob o comando do coronel Paulo Mendes, de repressão violenta à manifestação dos movimentos sociais.

A entidade protesta contra o Estado anti-democrático que se instalou no Palácio Piratini, afirma que o coronel Mandes exibe os 17 feridos na operação como troféus e adverte que a mobilização em defesa da liberdade e a luta contra a corrupção será ampliada. A nota denuncia que o Rio Grande do Sul está vivendo um estado de sítio:

"Em mais uma atitude repressiva do governo do Estado, os movimentos sociais são impedidos de manifestar a sua opinião. Em uma caminhada pacífica dos trabalhadores e trabalhadoras, a Brigada Militar, sob comando do Cel. Mendes, agiu de forma truculenta, autoritária e arbitrária.

Para o Cel. Mendes, as 17 pessoas feridas - algumas com graves ferimentos -, e presas são um troféu. A CUT e os movimentos sociais expressam uma profunda indignação com este Estado de repressão e anti-democrático que se instalou no Palácio Piratini. Talvez não tenhamos visto cenas como as promovidas hoje pelo Cel. Mendes nem na ditadura, que todos nós tanto lutamos para derrubar.

Nós, da Central Única dos Trabalhadores e dos movimentos sociais deste Estado, defensores que somos de um Estado democrático e da liberdade dos cidadãos, não ficaremos somente na denúncia pública, mas ampliaremos a mobilização na defesa da democracia e da liberdade e, mais do que isso, lutaremos contra este governo corrupto que se instalou no RS”.

Foto: Kiko Machado

"Baderna provocada por gente desocupada"


A ação violenta da Brigada Militar começou pela manhã quando integrantes de movimentos sociais, estudantes e sindicalistas iniciaram uma caminhada em direção ao Palácio Piratini. No trajeto, os manifestantes pretendiam fazer um protesto pacífico contra a alta dos alimentos no supermercado Nacional, do grupo Wal-Mart. A manifestação foi duramente reprimida com balas de borracha, bombas, gas lacrimogêneo e spray pimenta. Mais tarde, quando tentaram reiniciar a marcha, os manifestantes foram novamente impedidos de caminhar, empurrados para o Parque Harmonia e agredidos pela Brigada Militar. Um oficial da BM disse aos manifestantes que eles não iriam para a frente do Palácio Piratini de jeito nenhum. Os principais ferimentos foram provocados por balas de borracha. Um agricultor teve o braço quebrado por um brigadiano.

O comandante-geral da Brigada Militar, coronel Paulo Mendes, classificou o incidente como uma "baderna provocada por gente desocupada". “A BM vai tomar uma atitude muito firme”, anunciou. Ligado ao PSDB, especialmente ao prefeito de Canoas, Marcos Ronchetti (PSDB), faz parte da “linha-dura” da Brigada. Sua nomeação para o comando da institutição foi uma declaração de guerra da governadora Yeda Crusius contra os movimentos sociais e o movimento sindical gaúcho.

A nomeação de Mendes para o comando da Brigada e o apoio irrestrito que a governadora dá às suas ações aprofunda o clima de tensão política no Estado. O secretário estadual de Segurança, José Francisco Malmann, teria recomendado a Yeda Crusius que não nomeasse o coronel Mendes. Se recomendou, não foi ouvido. O coronel comandou pessoalmente a repressão aos manifestantes.

Várias manifestações de protesto contra a corrupção no governo Yeda Crusius estão marcadas para os próximos dias. A julgar pelo que se viu nesta quarta-feira, a Brigada Militar não parece muito preocupada em respeitar os direitos constitucionais de ir-e-vir e de livre manifestação. Sindicatos e movimentos sociais preparam um grande protesto para o próximo dia 19, em frente ao Palácio Piratini. O Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS/Sindicato) divulgou nota oficial exigindo a saída da governadora e o aprofundamento das investigações sobre o esquema de fraude no Detran e em outros órgãos públicos do Estado.