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Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Capitalismo de desastre: estado de extorsão

Em seu livro, Doutrina do Choque: a ascensão do capitalismo de desastre, Naomi Klein argumenta que o método preferido para reformar o mundo de acordo com os interesses do grande capital é o de explorar sistematicamente o estado de medo e desorientação que acompanha a população em momentos de choque e crise. Agora que o mundo está sendo sacudido por múltiplos choques, escreve, é um bom momento para ver como os capitalistas do desastre têm estado ocupados. Naomi Klein cita o caso do Iraque:

“Invadir países para apoderar-se de seus recursos naturais é ilegal, segundo a Convenção de Genebra. Isto significa que a gigantesca tarefa de reconstruir a infra-estrutura do Iraque —incluindo sua infra-estrutura petrolífera— é responsabilidade financeira dos invasores. São eles que deveriam ser forçados a pagar pelos consertos. (É preciso lembrar que o regime de Saddam Hussein pagou 9 bilhões de dólares ao Kuwait como reparações pela invasão do país em 1990.) Em vez disso, o Iraque está obrigado a vender 75% de seu patrimônio nacional para pagar as contas de sua própria invasão e ocupação ilegais”.

Outro exemplo ocorre com os transgênicos. O subsecretário de Estado dos EUA, John Negroponte, disse recentemente, no mesmo discurso em que tentava vender o compromisso dos EUA para uma ajuda alimentar de emergência pediu aos países que baixassem suas “restrições à exportação e suas altas tarifas” e que eliminassem “as barreiras para o uso das inovações tecnológicas na produção animal e vegetal, incluindo a biotecnologia.” A mensagem foi clara: os países pobres devem abrir seus mercados agrícolas aos produtos norte-americanos e às suas sementes transgênicas. Caso contrário, ficarão sem ajuda. Clique AQUI para ler mais.

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

O princípio de uma crise devastadora


"Desde 2000, temos assistido, nos EUA e no mundo capitalista desenvolvido, ao mais lento crescimento econômico real desde a Segunda Guerra Mundial e à maior expansão da esfera financeira da economia da história dos EUA. Não é preciso ser marxista para argumentar que esta realidade não é sustentável. Graças às enormes perdas do setor bancário, cujo tamanho deve continuar a crescer ao longo da atual crise, a economia enfrenta o cenário, sem precedentes no pós-guerra, do congelamento do crédito no exato momento em que entra num período recessivo".

A análise é do historiador Robert Brenner, professor da Universidade da Califórnia e um dos maiores estudiosos da economia global e suas bolhas. Brenner é historiador econômico marxista, autor de “The Economics of Global Turbulence” e “The Boom and Bubble” ("O Boom e a Bolha. Os Estados Unidos na Economia Mundial", publicado no Brasil pela Record). Clique AQUI para ler.

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Empresas transnacionais de alimentos estão lucrando com aumento da fome no mundo

A denúncia é de Boaventura de Sousa Santos: as grandes empresas transnacionais de alimentos estão obtendo grandes lucros com o aumento da fome no mundo. Segundo ele, a opinião pública está sendo sistematicamente desinformada sobre esta matéria para que não se dê conta do que está acontecendo. E o que está acontecendo, diz o sociólogo português, é que a fome no mundo é a nova grande fonte de lucros do grande capital financeiro. Os lucros, garante, estão aumentando na mesma proporção que a fome.

Ele dá um exemplo: “Nos últimos meses, os meses do aumento da fome, os lucros da maior empresa de sementes e de cereais aumentaram 83%. Ou seja, a fome de lucros da Cargill alimenta-se da fome de milhões de seres humanos. Em articulação com as grandes empresas que controlam o mercado de sementes e a distribuição mundial de cereais, o capital financeiro investe no mercado de futuros na expectativa de que os preços continuarão a subir, e, ao fazê-lo, reforça essa expectativa. Quanto mais altos forem os preços, mais fome haverá no mundo, maiores serão os lucros das empresas e os retornos dos investimentos financeiros”. Clique AQUI para ler mais.

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Giovanni Arrighi analisa o capitalismo chinês


Tem novo livro da Boitempo na praça: Lançado quase simultaneamente no Brasil e em dezenas de países, Adam Smith em Pequim: origens e fundamentos do século XXI, do sociólogo italiano Giovanni Arrighi (foto), é uma oportunidade para refletir sobre o chamado “fenômeno chinês”. Professor de Sociologia da Universidade Johns Hopkins (EUA), Arrighi investiga as causas e as conseqüências do acelerado crescimento da China nos últimos anos. Ele prevê ameaças de enfrentamentos futuros, a decadência da hegemonia dos Estados Unidos e a criação de uma nova ordem internacional.

Para Arrighi, os EUA ainda são dominantes econômica, militar e politicamente. “Mas é uma dominação sem hegemonia, no sentido de que hegemonia não é apenas dominação pura, mas também a capacidade de fazer os outros acreditarem que você age no interesse geral.” Em seu livro, ele também aborda a preocupação dos Estados Unidos e suas tentativas de conter a expansão chinesa, originada do crescimento econômico ocorrido nos anos 1990.

A obra pretende interpretar a transferência do epicentro da economia política mundial da América do Norte para a Ásia, à luz da teoria de desenvolvimento econômico de Adam Smith, e apresentar uma releitura do clássico A riqueza das nações a partir dessa transferência. No fim do século XVII, Adam Smith, o pai do liberalismo econômico, previu uma equalização de poder entre os impérios do Ocidente e o Oriente colonizado.