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Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Lair Ferst e Chico Fraga alegaram "influência no governo" em tentativa de extorsão, diz MP


A denúncia do Ministério Público Federal contra a quadrilha que agia no Detran, aceita pela Justiça Federal esta semana, relata, entre outras coisas, como Lair Ferst e Chico Fraga tentaram extorquir outros integrantes do grupo no período em que ocorreu a transição dos contratos da Fatec para a Fundae (entre fevereiro e maio de 2007). Segundo o MP, Ferst e Fraga “em conjunção de esforços e unidade de desígnios, constrangeram Silvestre Selhorst, Luiz Carlos Pelegrino e Ferdinando Fernandes, representantes da Fatec, mais Flávio Vaz Netto, então presidente do Detran, mediante grave ameaça, com o intuito de obterem para Lair Ferst indevida vantagem econômica, no valor de R$ 120 mil”.

Ainda segundo a denúncia, inconformado com sua iminente exclusão do esquema criminoso, Lair Ferst, inicialmente por intermédio de Francisco Fraga, e depois diretamente, achacou os dirigentes da Fatec e Flávio Vaz Netto. “Alegando possuir crédito junto ao governo, Lair Ferst exigia retornar ao esquema fraudulento, recebendo 6% do Contrato (R$ 120 mil)”.

Essa exigência, segundo o MP, foi feita inicialmente por Chico Fraga, em uma reunião realizada na Assembléia Legislativa, na presença de Silvestre Selhorst, Luiz Carlos Pelegrini e Ferdinando Fernandes. Posteriormente, Lair Ferst, em reunião com Silvestre Selhorst, alegando possuir “crédito junto ao governo”, exigiu novamente seus 6% de comissão. Além, disso, também exigiu de Flávio Vaz Netto sua participação na fraude.

Dessa forma, conclui a denúncia, a extorsão era realizada por Lair Ferst e Chico Fraga, “sob a ameaça de, através de influência junto ao governo do Estado do Rio Grande do Sul, impedir a realização do contrato Detran-Fundae. Flávio Vaz Netto fez referência a um plano B, com a contratação da UERGS e da UFRGS, o que permitiria a Lair “alcançar sua reinserção no esquema criminoso”. Em depoimento à Polícia Federal, Flávio Vaz Netto contou que foi procurado por Chico Fraga em algumas ocasiões nas quais ele intercedeu em favor de Lair Ferst, mencionando a vinculação deste com a governadora Yeda Crusius e ameaçando a posição de Vaz Netto no Detran, caso os pleitos não fossem atendidos.

Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Casa & Companhia


Do blog “De Olho na Fraude”:

“Lair Ferst, Chico Fraga, Alfredo Telles (cunhado de Ferst) e Patrícia Bado dos Santos (mulher de Bira, ex-presidente do Detran) têm algo mais em comum, além do fato de terem sido denunciados pelo Ministério Público Federal como integrantes da quadrilha que assaltou o Detran. Todos moram em mansões. Também há outro ponto em comum: nenhum acertou na mega-sena. Só a Rio Del Sur, que tem Lair Ferst como verdadeiro dono, e é uma das empresas que mais lucrou com o contrato Detran/Fatec, possui três imóveis de luxo, dois deles avaliados em mais de R$ 1 milhão.

A governadora também faz parte do seleto grupo de assalariados que conseguem comprar residências com valor de mercado superior a R$ 1 milhão.

Difícil mesmo deve ser escolher a casa na hora das festas”.

Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Depoimentos contraditórios


Os dois depoentes de hoje na CPI do Detran bateram de frente no que diz respeito a uma reunião realizada em maio de 2006, na Assembléia Legislativa. O ex-presidente da Fatec, Luiz Carlos Pellegrini, confirmou que esteve reunido na Assembléia com Chico Fraga, Silvestre Selhorst (ex-secretário da Fatec) e Ferdinando Fernandes (Pensant) e que testemunhou Fraga interceder a favor de Lair Ferst. “Precisamos atender os interesses deste rapaz”, teria dito Fraga referindo a supostos créditos que Lair Ferst teria a receber.

Segundo Selhorst, esse encontro discutiu o acerto de pagamento de propinas no esquema do Detran. Indagado sobre essa reunião e sem ter conhecimento do teor do depoimento de Pellegrini, Chico Fraga garantiu que nunca participou de tal reunião. E acrescentou que Pellegrini pode ter se “enganado” pois os dois nunca teriam se encontrado. Fraga jura que é inocente e que não sabe de nada sobre pagamento de propinas.

“Eu me relacionava diretamente com Yeda. Nunca falamos por telefone”


Ex-filiado do PP e do ex-PFL, antes de ingressar no PTB a convite de Sérgio Zambiasi e Cláudio Manfrói, Chico Fraga falou sobre sua atuação na campanha eleitoral de 2006, quando, segundo ele, “trabalhou muito” para eleger Yeda Crusius. Destacou que se relacionava diretamente com Yeda ou então com o assessor direto dela, Marcelo Cavalcante (atual “embaixador” do Rio Grande do Sul em Brasília).

“Se vocês forem procurar, só há uma foto minha com a Yeda durante a campanha” (uma foto publicada pelo jornal Zero Hora no dia 24 de dezembro de 2006, durante o período de transição). Chico Fraga disse que foi falar com Yeda naquela ocasião sobre o interesse do Ministério Público em fazer uma reunião com a governadora eleita e que ela ficou muito irritada (o que aparece na referida foto).

Chico Fraga disse ainda que nunca falava por telefone com Yeda durante a campanha, só pessoalmente. Segundo o secretário-geral da prefeitura de Canoas, ele realizou um “trabalho administrativo, de reunir pessoal” para a campanha. “Fiz um marketing pra ela, do modo com trabalho na política, juntando os partidos” (PPS, DEM, PTB, PP e PSDB). Indagado pelo deputado Elvino Bohn Gasss (PT) sobre como seria esse modo peculiar, Chico Fraga não quis dar maiores detalhes.

Bohn Gass também perguntou se ele atuou na área de contribuições financeiras para a campanha. “Não tem ninguém que vai lhe dizer que fiz isso”, respondeu Fraga. Ele negou também que tenha levado uma contribuição de R$ 2,5 milhões para a campanha de Yeda no segundo turno. “É a primeira vez que ouço isso”, assegurou.

Sobrou para o Lasier


O secretário-geral da prefeitura de Canoas, Chico Fraga (PTB), iniciou seu depoimento na CPI do Detran, na noite desta segunda, mandando recados para aliados políticos e para jornalistas. Afirmou que “trabalhou muito” para eleger o ex-governador Germano Rigotto (PMDB) e a atual governadora Yeda Crusius (PSDB), a quem classificou como “péssima governadora”. O motivo da crítica: “esperava ter algum retorno político-administrativo”, confessou.

Chico Fraga atacou o jornal “O Timoneiro”, de Canoas, chamado por ele de “jornaleco” em virtude das matérias publicadas sobre o caso Detran. E reclamou da postura dos jornalistas Lasier Martins, André Machado e Rosane de Oliveira, da RBS. Sobre Lasier Martins, afirmou: “estranho a postura dele agora; ele viajou três vezes comigo para Hannover e três vezes para Caxias, patrocinado pelo Detran e pela prefeitura de Canoas; ele sempre me elogiava”.
No decorrer de seu depoimento, Fraga mudou sua versão e disse que o Detran patrocinava o programa de Lasier Martins, mas não sabia se tinha pago também as passagens destas viagens.

Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

A dura vida de Chico Fraga


Saiu no jornal O Timoneiro, de Canoas: “É às margens do rio Camarão, em Tramandaí, que milhões de reais que podem ter saído dos cofres canoenses repousam, em forma de casas de luxo e terrenos de alto valor imobiliário. Foi ali, também, que o dinheiro canoense pode ter financiado a farra do todo-poderoso secretário de Governo Francisco Fraga, o prefeito Ronchetti, suas famílias, amigos e correligionários. A reportagem de O Timoneiro foi a uma das principais praias do Litoral Norte gaúcho e investigou a vida de luxúria, poder, prepotência e de falta de respeito com o habitat local que Fraga, investigado pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal, levou no Marina Park Residence, um condomínio de luxo situado entre a RS-030 e o rio Camarão, em Tramandaí.

Cargo de confiança durante longos anos, Fraga sempre teve uma vida normal e dentro dos padrões financeiros de seus cargos. Porém, há cerca de cinco anos, o braço direito de Ronchetti se transformou, do dia para a noite, em proprietário de dezenas de terrenos, sítios, fazendas, casas, apartamentos e carros importados.

A mansão de Francisco Fraga (PTB) em Tramandaí era muito freqüentada. Em churrascos, almoços e jantas, reuniões eram realizadas, à beira do rio Camarão, com a presença de políticos de alto escalão. Ronchetti (PSDB) era visitante constante no número 96 da rua Baleeiras do Marina Park Residence. Mas não a mais ilustre. O ex-ministro dos Transportes, ex-prefeito de Tramandaí e, atualmente, deputado federal, Eliseu Padilha (PMDB), também era figura repetida”. Para ler mais, clique AQUI.