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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

Jornalista publica denúncia sobre novos desvios em órgãos públicos do RS


A jornalista Beatriz Fagundes revela nesta segunda-feira (11), em sua coluna no jornal O Sul, o teor de uma denúncia que recebeu dando conta de uma série de graves irregularidades em órgãos públicos do Estado envolvendo políticos importantes do RS e figuras ligadas ao escândalo do Detran. Segundo ela, “a denúncia revela os nomes de todos os supostamente envolvidos. Entre eles, presidentes de autarquias e, principalmente, políticos de antiga e forte atuação em Brasília e mesmo regionais”. A colunista reproduz um trecho que remete à conversa mantida entre o ex-chefe da Casa Civil, Cézar Busatto (PPS), e o vice-governador Paulo Feijó (DEM):

“Quando o ex-deputado estadual Cézar Busatto (ex-MR8, ex-PMDB e agora no PPS) foi gravado pelo vice-governador Paulo Feijó (do DEM) falando que estatais servem para financiar (arrecadar dinheiro) partidos políticos, como o PMDB e o PP, sabia muito bem o que estava afirmando. Recentemente foi noticiado nos meios de comunicação que o PP retirou queixas-crime contra ele por suas afirmações ‘caluniosas’. O PP (partido de Maluf, do Antônio Dorneu Maciel) e mesmo o deputado José Otávio Germano (a bola da vez) não são otários. Eles sabem que é melhor ficar por isso mesmo...Se o Busatto contasse tudo o que sabe, a coisa ficaria muito feia...O PMDB, que também entrou com uma queixa-crime contra ele, vai ‘desistir’ rapidinho dessa interpelação...sabem que pode sobrar para eles”.

Beatriz Fagundes informa que decidiu omitir nomes surpreendentes de acusados pelo informante, mas publica algumas das irregularidades denunciadas:

“Segundo o informante, a ONG Brisa vem atuando desde o governo Britto, e merece investigação. Ela atua na CEEE, no Daer e no Ipgers. A propósito da Procergs, estaria em andamento uma licitação que decidirá quem será o responsável pelo desenvolvimento (terceirizado) de 20 mil postos pelos próximos cinco anos. Apenas uma empresa gaúcha foi habilitada na apresentação das propostas. Há suspeita de ‘cartas marcadas’. Dúvidas quanto à lisura do processo”.

A Assembléia Legislativa, escreve ainda a colunista, “deveria pedir informações sobre essas e outras questões, que são de conhecimento dos deputados (alguns citados pelo denunciante), antes que fatos como os do Detran surjam como surpresa. Aparentemente, os operadores são os mesmos, entre eles, o já suspeitíssimo Lair Ferst”. “As acusações”, conclui, “reavivam as denúncias graves supostamente feitas pelo deputado Cézar Busatto, que caíram no grande vazio das biografias comprometidas”.

Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Tirando o corpo fora


Em matéria publicada nesta quarta-feira, na Folha de São Paulo, a governadora Yeda Crusius tenta tirar o corpo fora e culpa seus antecessores pelos problemas de corrupção no Estado. A matéria afirma:

“Há oito meses enfrentando uma crise política gerada pelo desvio de verbas do Detran e suposto caixa dois eleitoral, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), responsabilizou ontem governos anteriores pelos problemas de corrupção no Estado.Segundo a tucana, o Detran foi criado em 1997, quando o Estado era administrado por Antônio Britto (ex-PMDB), e desde sua criação há relatos de desvio de recursos públicos."[Esses problemas de corrupção] vêm de antes. O Detran nasceu em 1997 e já nasceu como ele é hoje. Enfrentei neste ano uma agenda que não é minha", disse a tucana, sem citar os que administraram o Estado entre os anos de 1997 e 2006, antes de ela assumir”.

”Depois de Britto, governaram o Rio Grande do Sul Olívio Dutra (PT) e Germano Rigotto (PMDB), que indicou para a presidência do Detran Carlos Ubiratan dos Santos, apontado pela Polícia Federal como um dos autores do esquema de desvio, juntamente com Lair Ferst, empresário que era filiado ao PSDB e que atuou há dois anos como arrecadador informal de fundos da campanha de Yeda ao governo”.

A governadora não quis comentar o envolvimento de pessoas nomeadas por ela no desvio de mais de R$ 44 milhões do Detran. Nas últimas semanas, Yeda vem repetindo a tese do “bebê japonês” que teria sido jogado em seu colo, negando qualquer responsabilidade pela maternidade da criança.