
Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008
O misterioso "agente público"

Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
PGE quer que ação de improbidade da Operação Rodin passe para Justiça Estadual

Sábado, 9 de Agosto de 2008
Dispensa indevida de licitação, terceirização, quarteirização, salário sem trabalho...

Segundo o MP, uma das irregularidades na gestão de Brum na FDRH envolveu o contrato firmado entre a fundação e o Gabinete de Reforma Agrária e Cooperativismo, órgão do governo do Estado, para capacitar dirigentes, técnicos, funcionários e integrantes de cooperativas do Estado. A FDRH não tinha estrutura para cumprir com o contrado e sub-contratou o Instituto Internacional de Desenvolvimento Social (IDS), sem licitação. O IDS também não tinha condições de realizar a totalidade do objeto contratado e sub-contratou a Cooperativa dos Trabalhadores de Santa Maria e a Pró-Consultoria Ltda, para que ambas efetuassem 80% do plano de trabalho. Ou seja, o gabinete de Reforma Agrária contratou a FDRH, que terceirizou o serviço para o IDS, que quarteirizou o trabalho para a cooperativa, num esquema muito semelhante ao denunciado pelo MP Federal e pela Justiça Federal na fraude do Detran.
O MP também acusou Brum de envolvimento na contratação irregular de prestadores de serviço (mais uma vez com dispensa indevida de licitação) para a realização de concursos públicos da Assembléia Legislativa e da Câmara de Vereadores de Canoas. Segundo o Ministério Público, a fundação teria beneficiado a empresa Grazziani Eventos Ltda, que seria responsável desde a segurança das inscrições do concurso até o fornecimento de venda de manuais e editais aos candidatos às seleções públicas.
Por fim, o MP ingressou com ação civil pública contra Antônio Dorneu Maciel (ex-diretor da CEEE) e o advogado Carlos Dahlem da Rosa, que recebeu salários na CEEE sem trabalhar, durante a gestão de Maciel. Ambos foram denunciados como integrantes da quadrilha que fraudou o Detran.
Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008
As 8 razões para a anulação da licitação de Yeda para contratar agências publicitárias

1) Previsão de contratação da 2ª a 6ª colocadas para responsabilizarem-se por algumas das contas de publicidade licitadas;
2) Indefinição do objeto dos contratos decorrentes da licitação. Além de existir a possibilidade de modificação dos valores dos futuros contratos sem aditamento, não está identificado o percentual da conta publicitária do Banrisul que caberá a cada das melhores classificadas no certame, nem qual das seis primeiras será contratada para a publicidade da Secom;
3) Quebra da impessoalidade na elaboração do briefing utilizado para nortear as propostas técnicas e ausência da vinculação deste com os interesses dos entes da administração indireta;
4) Definição de preços mínimos nas propostas em patamares superiores aos admitidos;
5) Desrespeito à autonomia e à personalidade jurídica própria das entidades da administração indireta, que não participaram da licitação;
6) Indevida subjetividade no julgamento das propostas técnicas e constituição da comissão especial de licitações de forma indevida, uma vez que seus integrantes são servidores ocupantes de cargo em comissão ou função gratificada. Além disso, nem todos possuem capacidade técnica para julgar propostas técnicas na área;
7) Ilegalidade na mensuração das propostas de preços;
8) Edital não prevê valor máximo a ser pago a título de cachê e direitos autorais na reutilização de peças.
O MP quer impedir futuras contratações que, além de ilegais, são prejudiciais ao Poder Público no que diz respeito à escolha das empresas, aos valores a serem pagos às agências e à própria transparência da administração pública.
Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008
Ministério Público Estadual visita os sem-terra e defende a legitimidade do movimento

Renner negou que o MP pretenda pedir a ilegalidade do MST e defendeu a legitimidade do movimento. Antes de iniciar a visita pelo acampamento, procuradores e deputados participaram de uma breve assembléia, quando os acampados lembraram partes da resolução do Conselho do Ministério Público contra o MST. No assentamento Capela, no interior de Nova Santa Rira, a delegação conheceu as instalações da Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), que congrega 30 das 100 famílias assentadas. A cooperativa produz de forma coletiva arroz orgânico, suínos, aves e leite. O assentamento existe desde 1994 e é resultado de uma mobilização que começou em 1989, com a participação de 1500 famílias de todo o Estado.
Quinta-feira, 3 de Julho de 2008
Ato em São Paulo protesta contra relatório do Conselho Superior do MP/RS
O ato ocorrerá na Sala do Estudante, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), a partir das 19 horas, e contará com a presença de Gilmar Mauro, dirigente nacional do MST, Michael Löwy e Plínio de Arruda Sampaio.
O Ministério Público e o MST

“Não se discute a importância do papel do Ministério Público, não só porque está insculpido na Carta Magna mas porque cumpre tarefa importante para toda a sociedade. Se não existisse a previsão constitucional seria preciso que se fizesse. Também acho que não houve uma ação coordenada com os juízes que se manifestaram uniformemente nos episódios. O que chama a atenção foi a demora em prestar estes esclarecimentos. Como bem apontou o Procurador Geral, Renner, "alguns setores do MST perderam o foco e estão desbordando de seus direitos constitucionais". Muito bem, mas então as ações deveriam estar voltadas para estas pessoas. O que a sociedade não admite é que o MP albergue ações da UDR ou FEDERASUL e atue contra o MST, com o único intuito de calar um movimento social, mas não dá tratamento isonômico para outras agremiações que cometem crimes de maior monta econômica, como o PP, no DETRAN, o PMDB no Banrisul ou o PSDB, idem ibidem...”
Quarta-feira, 2 de Julho de 2008
As explicações do Ministério Público

A manifestação institucional referida pelo procurador é o artigo “O Ministério Público é a favor da Constituição”, publicado nesta quarta-feira, no jornal Zero Hora. No artigo, entre outras coisas, Mauro Renner afirma que o Ministério Público é a favor da Reforma Agrária e da função social da propriedade. Além disso, garante que o MP “em nenhum momento postulou a extinção ou a ilegalidade do MST, respeitadas a independência funcional e a liberdade de consciência de seus membros”.
Terça-feira, 1 de Julho de 2008
Fábio Konder Comparato critica alinhamento do MP gaúcho com latifundiários

“Tomei conhecimento, estarrecido, de que o Ministério Público do Estado pretende ingressar com ação judicial para obter a dissolução do MST. Aflige-me verificar que essa ilustre instituição, ao invés de abrir um inquérito civil público para apurar os atos de corrupção e de improbidade administrativa, que teriam ocorrido na esfera máxima do governo estadual, segundo ampla divulgação dada pelos meios de comunicação, prefira cerrar fileiras em defesa dos interesses de latifundiários e empresas transnacionais de agronegócio, com manifesto desprezo pelos direitos fundamentais declarados em nossa Constituição”.
Sexta-feira, 27 de Junho de 2008
Sociólogo critica citação distorcida de seu nome na ação do MP contra MST

Quinta-feira, 26 de Junho de 2008
Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra
O retrocesso político no Rio Grande do Sul começa a virar tema de interesse nacional e internacional. Flávio Aguiar escreve, de Berlim, anunciando que já está sendo organizado, na Alemanha, um movimento de apoio ao MST e aos movimentos sociais contra a tentativa de criminalização patrocinada pelo Ministério Público gaúcho.
Quarta-feira, 25 de Junho de 2008
Além de demonizar MST, promotor defende direito de auto-defesa para "homens de bem"

“O Estatuto do Desarmamento não é uma lei que tem por objetivo prevenir a prática de crimes e proteger a sociedade de ações violentas de grupos criminosos organizados. A política é desarmar a população ordeira, impedindo que possua armas em suas residências, com forma de autodefesa”.
Jacques Alfonsin: Ministério Público vestiu camisa dos latifundiários

Jacques Alfonsin - Nós estamos enfrentando uma situação de violação flagrante dos direitos humanos, de uma infidelidade manifesta do MP às suas próprias finalidades. Quem lê a petição inicial vê que o MP vestiu a camisa dos latifundiários. Na Constituição Federal, a função do MP não é perseguir pobre, nem evitar pressão social de gente que está reivindicando reforma agrária. Essas ações se baseiam num sociólogo rural [Zander Navarro] magoado com o movimento. Não existe preocupação destes promotores em sustentar essas coisas em fatos, é tudo gente que não concorda ideologicamente com o movimento.
Na petição inicial, os promotores se baseiam no fato de que o MST é um movimento anti-capitalista e esquerdista. Quer dizer, tudo aquilo que as universidades estudam em sociologia com a maior liberdade. Qual é o crime ser anti-capitalista e esquerdista? Para acentuar essa denúncia, eles se baseiam no Estatuto da Terra votado durante o regime militar que acabou com as Ligas Camponesas [Movimento Camponês exterminado após o golpe de 1964, e que tinha como pauta "a reforma agrária na lei ou na marra"], para mostrar que o MST, então, se equipararia às ligas. Se voltou à época da ditadura para se sustentar esse ataque.
Isso é tão orquestrado que nunca se viu tanta agilidade. A petição chegou em Carazinho (RS) no dia 16 de junho. O despacho do juiz, que tem mais de 20 laudas, é de 16 de junho [mesmo dia]. Portanto, ele já sabia que a ação iria entrar e já estava até preparado com o despacho que ele iria dar. E para surpresa de todos os agricultores sem terra, a Brigada Militar com mais de 500 homens entrou de madrugada [nos dois acampamentos no município de Coqueiros do Sul], de surpresa, antes de chegar o oficial de justiça. O oficial de justiça chegou depois, tudo isso com a chancela do ouvidor da segurança pública aqui do estado, que deveria ser justamente aquele que protege os direitos humanos destas pessoas.
Existem outros indícios dessa ação organizada?
Quarta-feira, 18 de Junho de 2008
Deputados criticam atitudes da Brigada Militar e do Ministério Público estadual

Na mesma linha, o deputado Dionilso Marcon disse que o governo do Estado e o Ministério Público têm raiva de pobre. “Vou pedir à Comissão de Direitos Humanos do Senado para interferir junto ao MP a fim de que este órgão deixe de perseguir os pobres”, anunciou o deputado que criticou ainda o MP por ter pouca disposição para apurar denúncias de corrupção no Detran e em outros órgãos públicos.
Terça-feira, 17 de Junho de 2008
Mídia, PM 2 e Denis Rosenfield: as fontes da argumentação dos promotores do MP

Em seguida é apresentado um novo relatório do Estado Maior da Brigada Militar sobre as ações do MST no Estado. Esse documento pretende analisar a “doutrina e o pensamento” do MST, identificando, entre outras coisas, as leituras feitas pelos sem-terra. Identifica um “panteão” de ícones inspiradores do movimento, “a maior parte ligada a movimentos revolucionários ou de contestação aberta à ordem vigente” (onde Florestan Fernandes e Paulo Freire estão incluídos, entre outros). E fala de “uma fraseologia agressiva, abertamente inspirada nos slogans dos países do antigo bloco soviético (“pátria livre, operária, camponesa”)”. A partir dessas informações, os promotores passam a discorrer sobre o caráter “leninista” do MST, invocando como base argumentativa o livro “A democracia ameaçada – o MST, o teológico-político e a liberdade”, de Denis Rosenfield, que “denuncia” que o objetivo do movimento é o socialismo.
A "violência" das Ligas Camponesas e o "movimento político-militar de 1964"

Logo em seguida, a ação apresenta uma caracterização do MST, toda ela baseada na visão de uma única pessoa, o sociólogo Zander Navarro. O trabalho de inteligência dos promotores também se baseia, em várias passagens, em uma “revista de circulação nacional” (Veja) e em matéria críticas ao MST publicadas em jornais como Folha de São Paulo, Zero Hora e Estado de São Paulo, entre outros. Após apresentar um “mapa” dos movimentos sociais no campo brasileiro, os promotores questionam, em tom de denúncia, as fontes de financiamento público desses movimentos. Eles revelam que “o Ministério Público encaminhou um questionamento ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, acerca da existência ou não de alguma fonte de financiamento ou ajuda, direta ou indireta, aos participantes do MST acampados no Rio Grande do Sul”.
Ação do MP gaúcho contra MST repete discurso anti-comunista pré-1964

Na primeira página da inicial da ação, os promotores comunicam que seu trabalho é resultado de uma decisão do Conselho Superior do Ministério Público do RS para investigar as ações do MST que “há muito tempo preocupam e chamam a atenção da sociedade gaúcha”. O documento anuncia que os promotores Luciano de Faria Brasil e Fábio Roque Sbardelotto realizaram um “notável trabalho de inteligência” sobre o tema. Uma nota de rodapé define o trabalho de “inteligência” realizado nos seguintes termos:
"O art. 1º, § 2º, da Lei nº 9.883/99, que instituiu o Sistema Brasileiro de Inteligência e criou a ABIN, definiu a inteligência como sendo “a atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação de conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência sobre o processo decisório e a ação governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do Estado”.
Segunda-feira, 9 de Junho de 2008
MP cria grupo de trabalho para investigar denúncias e vai ouvir Paulo Feijó

O Procurador-Geral anunciou ainda que, nos próximos dias o vice-governador, Paulo Afonso Feijó, comparecerá ao Ministério Público para dar seu depoimento sobre os fatos ocorridos e colaborar com informações e dados que tenha conhecimento. “Precisamos com muita serenidade e cautela, expurgando todos os fatos de interesse político e pessoal, chegar a uma conclusão com seriedade e comprovação dos delitos, para dar uma resposta satisfatória ao povo gaúcho”.