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Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

PGE quer que ação de improbidade da Operação Rodin passe para Justiça Estadual


A juíza federal Simone Barbisan Fortes reuniu-se hoje à tarde com a Procuradoria do Estado do RS (PGE) para tratar de assuntos relacionados à ação de improbidade administrativa da Operação Rodin, que tramita na 3ª Vara Federal de Santa Maria. Na reunião, a PGE entregou um documento em que o Estado argumenta que a Justiça Estadual é a esfera competente para tratar da ação de improbidade. Na avaliação da PGE, não há interesse federal envolvido. No dia 26 de junho, a juíza Simone proferiu decisão onde reconheceu a competência da Justiça Federal, em função do envolvimento de servidores públicos federais, da utilização da Universidade Federal de Santa Maria na prática das ilicitudes e, ainda, pela necessidade de fiscalização do Tribunal de Contas da União nos contratos e convênios envolvendo o Detran, as fundações Fatec e Fundae e a UFSM. A magistrada analisará o pedido da Procuradoria do Estado nos próximos dias.

Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Amigos para sempre

A situação da governadora Yeda Crusius (PSDB) ficou ainda mais complicada na manhã desta quarta-feira. Em entrevista exclusiva à Folha de São Paulo, Lair Ferst resolve abrir o jogo e diz que “é público e notório que houve o envolvimento da governadora neste processo”. Ferst refere-se à troca de fundações (Fatec pela Fundae), em maio de 2007, conhecida como fase dois da fraude no Detran. Segundo ele, foi uma decisão da cúpula de governo reestruturar o esquema de desvio.

Lair Ferst, diz a Folha, está negociando com o Ministério Público Federal e com a Justiça Federal um acordo. Ele fala tudo o que sabe sobre o esquema em troca da retirada de uma parte das acusações contra ele. As suas declarações na entrevista envolvem diretamente a governadora Yeda Crusius e a cúpula do governo. Ele também diz que era amigo da governadora e que foi recebido mais de uma vez por Yeda depois da posse. Além disso, garante que as informações que prestará ao MPF envolverão pessoas próximas a Yeda.

Além da entrevista-bomba de Lair, a governadora também acordou hoje com a notícia publicada em Zero Hora, dando conta que ela mudou a versão sobre a venda do apartamento em Capão da Canoa. Em entrevista à rádio Gaúcha, em abril deste ano, Yeda disse que não havia recebido todo o valor da venda e, por isso, ainda não tinha entregue ainda o imóvel ao novo proprietário. Na versão que encaminhou ao Ministério Público de Contas, Yeda diz que usou os R$ 180 mil da venda do apartamento de Capão para a compra da casa nova em Porto Alegre. Na entrevista, Yeda também disse que havia feito um empréstimo para a compra da casa, informação que não consta da documentação que enviou ao MP de Contas. A chapa volta a esquentar no Palácio Piratini.

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Lair e a mufunfa tucana


A matéria de Zero Hora, hoje, sobre os R$ 200 mil que Lair Ferst pretendia sacar numa agência bancária da Capital na última quarta-feira, traz, já no lead, uma informação interessante: "Os federais não acreditam na versão de Lair". Quando foi flagrado dentro do banco e impedido de levar para casa os primeiros R$ 100mil, Lair disse que usaria o dinheiro para pagar despesas pessoais. Logo adiante, na mesma matéria, se lê que a Polícia Federal tem uma hipótese: a de que a grana serviria para financiamento de campanha eleitoral. E umas linhas abaixo, a informação se completa:

"A suspeita se baseia em informações recebidas pela força-tarefa da Operação Rodin sobre articulações que Lair seguiria fazendo a partir de contatos com o PSDB". Então vem a fala de um integrante da força-tarefa da Rodin: "A relações que ele (Lair) mantém, indicam que segue participando de articulações políticas... Ele (Lair, de novo) tem encontros constantes, especialmente, com pessoas do partido ao qual é ligado (PSDB)."

Um jornalista ou qualquer leitor acostumado às notícias políticas que lesse o parágrafo acima pensaria num título óbvio, algo como "PF suspeita que dinheiro de Lair era para campanha tucana"; ou quem sabe "Dinheiro de Lair poderia ir para o PSDB". Certo? Não para Zero Hora que esquece o tucanato e lasca: "PF investiga destino dos valores que Lair receberia". Ou seja, o jornal abusa da prudência para dar uma ar de imparcialidade mas acaba dando uma aula de protecionismo.

"Tive pouco tempo para ler jornais. Dei apenas uma passada de olhos ligeira e não me dei conta de que se tratava de um baita rolo para o PSDB porque o título não falava nos tucanos. A matéria é muito boa, mas se as suspeitas recaíssem tão fortemente sobre o meu partido, te garanto que a sigla PT estaria não só no título da matéria interna como na capa do jornal", desabafou um petista que ao tempo do governo Olívio Dutra era deputado estadual. (Maneco)

Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

A pergunta que não quer calar


Quem está abastecendo (ou tentando ao menos) a despensa de Lair Ferst e de outros indiciados graúdos na Operação Rodin??? Com seus fundos (e mundos) bloqueados, como Ferst, Dorneu Macial, Vaz Netto, Fernandes & Cia. estão fazendo para manter seu, outrora, "vencedor" padrão de vida?

Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

A culpa é da Polícia Federal e do MP?


A julgar pelos depoimentos de alguns dos principais indiciados pela Polícia Federal e denunciados pelo Ministério Público Federal e pela Justiça Federal, a fraude no Detran não existe e nunca existiu. Nomes como Flávio Vaz Netto, Paulo Sarkis, Luiz Paulo Rosek Germano, Carlos Ubiratan dos Santos, Lair Ferst, Chico Fraga e Antonio Dorneu Maciel, todos eles sustentam que são inocentes, que não têm nada a ver com o caso e que provarão sua inocência na Justiça. Se é assim, de fato, tudo não passou de uma armação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, que devem ter alucinado e/ou forjado depoimentos, documentos e conversas telefônicas. Tudo não passou de uma conspiração contra um grupo de homens e mulheres de bem desse Estado.

Ou não.

Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Os investimentos da quadrilha na mídia


O Diário Gauche destaca, hoje, o seguinte trecho da página 56 na peça da denúncia do Ministério Público Federal contra os “integrantes da quadrilha” acusada de desviar cerca de R$ 44 milhões do Detran:

"Ao lado disso, os denunciados integrantes da quadrilha não descuidavam da imagem dos grupos familiares e empresariais, bem assim da vinculação com a imprensa. O grupo investia não apenas na imagem de seus integrantes, mas também na própria formação de uma opinião pública favorável aos seus interesses, ou seja, aos projetos que objetivavam desenvolver”.

“A busca de proximidade com jornais estaduais, aportes financeiros destinados a controlar jornais de interesse regional, freqüentes contratações de agências de publicidade e mesmo a formação de empresas destinadas à publicidade são comportamentos periféricos adotados pela quadrilha para enuviar a opinião pública, dificultar o controle social e lhes conferir aparente imagem de lisura e idoneidade."

O Diário Gauche pergunta: Quais seriam mesmo os jornais estaduais e regionais a quem a quadrilha destinava aportes financeiros?

Terça-feira, 27 de Maio de 2008

A denúncia do Ministério Público Federal


A íntegra da denúncia elaborada pelo Ministério Público Federal e aceita nesta terça-feira pela Justiça Federal de Santa Maria já está a disposição do público. É um documento rico em informações sobre o funcionamento do esquema de desvio de dinheiro público descoberto ao longo das investigações da Operação Rodin. Na sua introdução, ela caracteriza a ação da quadrilha que agia no Detran:

“Os denunciados compuseram organização criminosa que operou no Estado do Rio Grande do Sul voltada à prática de diversos delitos de 'colarinho branco'. A 'societas delinquentium' restou formada pela associação perene e estável dos denunciados, integrantes de diferentes núcleos estatais e diversas esferas privadas, no objetivo consciente e deliberado de perpetrar, continuadamente, sob diversas formas e com a máxima lucratividade possível, as condutas penalmente típicas apuradas em face da Administração Pública e do Erário”.

“O agir do grupo enquadra-se no conceito de organização criminosa da Lei nº 9.034/1995, estando presente a hierarquia da associação delitiva, o intuito lucrativo, gestão empresarial das negociatas criminosas, destruição de provas, omissão de rendimentos, corrupção do tecido social, inserção estatal ilegítima e blindagem patrimonial”. Clique AQUI para ter acesso à íntegra da denúncia.

Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Das empresas de fachada à mala preta


O Ministério Público Federal dividiu os denunciados no esquema de fraude no Detran em seis núcleos denominados: Família Fernandes, Carlos Dahlen da Rosa, Fundacional (Fatec e Fundae), Detran, UFSM e Lair Ferst. O procurador Alexandre Schneider explicou que a ação da quadrilha teve dois momentos distintos. O primeiro deles, de julho de 2003 a maio de 2007, foi chamado de “fase das empresas de fachada”. Neste período, empresas-fantasma eram usadas para o pagamento de propina. O MPF identificou dois contratos fraudulentos entre Detran e Fatec: o primeiro em julho de 2003 e o segundo em dezembro do mesmo ano. Nos dois casos, houve dispensa indevida de licitação, sem que houvesse um fator de urgência que justificasse a medida.

Uma vez formado esse fluxo financeiro entre Detran e Fatec, juntaram-se ao esquema as chamadas empresas sistemistas: Newmark, Rio Del Sur, Pensant e Carlos Rosa Advogados. Segundo a denúncia do MPF, a Fatec repassava 40% do que recebia do Detran para estas sistemistas que se encarregavam então do pagamento de propinas, inclusive para diretores da autarquia. Na segunda fase, de maio a novembro de 2007, ocorreu uma simplificação do esquema. A partir de uma negociação com representantes da UFSM, o Detran firmou um contrato com a Fundae. Mas houve uma situação atípica nesta mudança, que chamou a atenção do Ministério Público, dando início às investigações. A Fundae foi contratada, mais uma vez com dispensa indevida de licitação, e imediatamente sub-contratou a Fatec, que prestava serviços para o Detran até então.

A Fundae não tinha nenhuma estrutura para a aplicação de provas e teóricas e práticas aos candidatos a uma carteira de motorista. Além de contratar a Fatec, a Fundae passou a ter o seu grupo de sistemistas. Começou aí “a fase da mala preta”, onde o pagamento de propina era feito diretamente aos envolvidos. Dirigentes do Detran passaram a receber sua propina em espécie, entregue, literalmente, pelo homem da mala preta.

Os procuradores do Ministério Público Federal não quiseram entrar em detalhes sobre a atuação de cada um dos indiciados neste esquema. A denúncia foi entregue na tarde de hoje à juíza Simone Barbisan Fortes, da 3ª Vara Federal de Santa Maria. A próxima fase do processo é o recebimento da denúncia. Para isso, a juíza examinará os autos, antes de decidir se os denunciados pelo MPF responderão criminalmente pelos fatos descritos. Devido ao volume de documentos entregues (242 páginas), esta análise levará alguns dias.

Super-estrutura criminosa desviou cerca de R$ 1 milhão/mês do Detran


O Ministério Público Federal apresentou, na tarde desta quinta-feira, a denúncia contra 44 pessoas envolvidas na fraude do Detran. Segundo o procurador da República Ivan Cláudio Marques, as investigações revelaram a existência de uma super-estrutura criminosa que desviou cerca de R$ 44 milhões do Detran, entre julho de 2003 e novembro de 2007 (uma média de aproximadamente R$ 1 milhão por mês).

“Não estamos falando de algo ilusório”, disse o procurador ao defender a riqueza de provas levantadas pela investigação iniciada em maio de 2007 a partir de suspeitas sobre os contratos firmados pelo Detran com as fundações Fatec e Fundae, ligadas à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Além da descoberta da fraude, destacou o procurador, as investigações conseguiram estancar uma hemorragia de aproximadamente R$ 1 milhão/mês. Desde novembro de 2007, quando foi desencadeada a Operação Rodin, deixaram de ser desviados pelo menos R$ 6 milhões.

Durante entrevista coletiva, os procuradores anunciaram o nome das 44 pessoas que responderão pelos crimes de formação de quadrilha, dispensa indevida de licitação, locupletamento e indevida de dispensa de licitação, peculato, concussão, corrupção ativa, distorção, corrupção passiva, falsidade ideológica e supressão de documentos. A lista inclui cinco nomes que não constavam da lista de indiciados pela Polícia Federal. Entre estes nomes está Eduardo Wegner Wargas, filho do presidente do Tribunal de Contas do Estado, João Luiz Vargas. A relação dos 44 nomes é a seguinte:

Alfredo Pinto Telles
Antônio Dorneu Maciel
Carlos Dahlem da Rosa
Carlos Ubiratan dos Santos
Damiana Machado de Almeida
Dario Trevisan de Almeida
Denise Nachtigall Luz
Eduardo Redlich João
Elci Terezinha Ferst
Ferdinando Francisco Fernandes
Fernando Fernandes
Fernando Osvaldo de Oliveira Júnior
Flávio Vaz Neto
Francene Fernandes Cardoso
Francisco José de Oliveira Fraga
Gilson Araújo de Araújo
Hélvio Debus de Oliveira Souza
Hermínio Gomes Júnior
Ipojucan Seffrin Custódio
José Fernandes
Lair Antônio Ferst
Lenir Beatriz da Luz Fernandes
Luciana Balconi Carneiro
Luiz Carlos de Pellegrini
Luiz Gonzaga Isaía
Luiz Paulo Rosek Germano
Marco Aurélio da Rosa Trevizani
Marilei de Fátima Brandão Leal
Mario Jaime Gomes de Lima
Nilza Terezinha Pereira
Patricia Jonara Bado dos Santos
Paulo Jorge Sarkis
Pedro Luiz Saraiva Azevedo
Ricardo Höher
Ronaldo Morales
Rosana Ferst
Rosmari Greff Ávila Silveira
Rubem Höher
Silvestre Selhorst
Eduardo Wegner Vargas
Rafael Hoer
Alexandre Dorneles Barrios
Cenira Maria Ferst Ferreira
Jorge Alberto Viana