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Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Tudo como dantas no quartel de Abrantas


O delegado Protógenes Queiroz foi afastado da investigação envolvendo o banqueiro Daniel Dantas. Segundo a versão oficial da direção da Polícia Federal, Queiroz deixou a investigação porque precisa concluir um curso superior na instituição, cuja “etapa presencial” inicia na próxima segunda-feira. Acredite quem quiser. O trabalho do delegado foi alvo de críticas por parte do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e do diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Correa, em função de supostos “excessos” que teriam sido cometidos durante a operação. Entre os excessos criticados, está o uso de algemas na prisão de Daniel Dantas, o uso indevido de agentes da ABIN e o privilégio dado à Globo nas prisões. O inquérito comandado por Queiroz está agora nas mãos do juiz Fausto de Sanctis e do procurador da República, Rodrigo de Grandis.

Explicações e versões a parte, o resumo da obra até aqui, aos olhos dos pobres mortais, é mais ou menos o seguinte: um banqueiro foi preso (algemado); o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) criticou a “espetacularização” da prisão, mandou soltar o banqueiro e ameaçou o juiz que decretou a prisão; o banqueiro foi preso uma segunda vez, algemado de novo, e solto de novo. O delegado que efetuou as prisões é afastado das investigações. Os advogados de defesa de Daniel Dantas comemoram o afastamento e anunciam a linha de defesa do banqueiro: pedir a ilegalidade das provas (entre elas, as que mostram a tentativa de suborno de um delegado da Polícia Federal) e colocar sob suspeição o trabalho do juiz Fausto de Sanctis, pedindo seu afastamento das investigações.

O caso tem cara de gato, bigode de gato e mia. Mas há quem diga que não é um gato....

Foto: Cena da peça "A farsa", de Luiz Arthur Nunes

Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Que espetáculo!

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Sobre a libertação de Daniel Dantas


Sobre a prisão e a libertação de Daniel Dantas (ontem à noite, por determinação do Supremo Tribunal Federal), sugiro a leitura de dois textos:

Bob Fernandes, no Terra Magazine:

“A Polícia Federal trabalhou duramente para que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal não queria, de forma alguma, que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal fez tudo para que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal fez tudo para que Daniel Dantas não fosse preso. A Polícia Federal trabalhou contra a Polícia Federal. Esse é mais um capítulo do mergulho nos intestinos do Brasil. Estão presos o banqueiro do Opportunity, o megaespeculador Naji Nahas, o ex-prefeito Celso Pitta e outros 17 dos 21 que tiveram a prisão decretada”. (LEIA MAIS)

E Paulo Henrique Amorim:

"Acabo de assistir às imagens de Dantas ao sair do prédio da Polícia Federal em São Paulo.
. Só não saiu às gargalhadas porque era de madrugada e ele estava com frio e fome.
. Mas, por dentro, ria, e ria, e ria de não se agüentar.
. Ele derrotou o sistema inteiro.
. Corrompeu o Legislativo, o Executivo, e no Supremo Tribunal Federal desfruta, segundo ele próprio, de “facilidades”. (LEIA MAIS)

Terça-feira, 8 de Julho de 2008

A prisão de Daniel Dantas: “o mais profundo mergulho nos intestinos do Brasil”


A notícia foi dada, em primeira mão, pelo jornalista Bob Fernandes, no site Terra Magazine: “PF prende Daniel Dantas, Naji Nahas, Celso Pitta e mais duas dezenas por integrarem “mega-organização criminosa”. Cerca de 300 agentes da Polícia Federal, comandados pelo delegado Protógenes Queiroz, iniciaram, às 6 horas da manhã desta terça-feira, a Operação Satiagraha. Ao todo, foram 24 mandados de prisão e 56 ordens de busca e apreensão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Já foram presos, além do banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, sua irmã Verônica e seu ex-cunhado e dirigente do Opportunity, Carlos Rodenburg, o também diretor Arthur de Carvalho, o presidente do grupo, Dório Ferman, o especulador Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta.

Daniel Dantas foi preso, lembra Bob Fernandes, quase três meses depois de fechar um dos maiores negócios do mercado de telecomunicações brasileiro: a venda de suas participações da Brasil Telecom e Telemar (OI) por uma soma em torno de 1 bilhão de dólares. O banqueiro conseguiu um acordo com os fundos de pensão, pelo qual se livrou de todas as demandas judiciais contra ele. Segundo a Polícia Federal, os presos hoje são acusados da prática dos seguintes crimes: formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e espionagem. Daniel Dantas foi preso, também, por tentativa de corrupção contra um delegado, de nome Vitor Hugo. Segundo o jornalista, algo como cerca de 1,9 bilhões de dólares foram rastreados na investigação. “Trata-se do mais profundo mergulho nos intestinos do Brasil”, garante Bob Fernandes.

As prisões, que também incluem doleiros ligados a Daniel Dantas, são resultado de um trabalho de investigação de aproximadamente dois anos da Polícia Federal, que teria partido do processo envolvendo o esquema do empresário Marcos Valério (“mensalão”), a partir do qual, a PF “saltou para dentro do Opportunity”, diz Bob Fernandes. O resultado da investigação seria a descoberta de uma organização criminosa comandando por dois grupos distintos e com dois chefes, Daniel Dantas e Naji Nahas. Ainda segundo o jornalista, a Operação Satiagraha é filha da Operação Chacal que, em 2004, investigou e indiciou Dantas e os seus por espionagem, flagrando também a empresa multinacional de investigações Kroll.

Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

O problema de Yeda Crusius com o trabalho da Polícia Federal, "o lado de lá"


A governadora Yeda Crusius (PSDB) voltou a manifestar contrariedade com o trabalho da Polícia Federal na Operação Rodin, durante entrevista ao programa Conversas Cruzadas (TV Com), na noite desta segunda-feira. Ao falar da sucessão de denúncias que atingiu seu governo, Yeda disse que elas, em parte, são resultado do “novo jeito de governar” que estaria contrariando “interesses do velho jeito de fazer política”. E reclamou do clima de Big Brother (“invenção de um autor dos anos 1970”, afirmou). "O que faz uma voz, uma imagem, uma foto", acrescentou, referindo-se à queda de seu secretário do Planejamento, Ariosto Culau, flagrado tomando um chopp com o lobista Lair Ferst, um dos acusados de integrar a quadrilha que roubou o Detran.

Ninguém está sabendo o que o lado de lá tem gravado”, disse em tom de queixa, referindo-se ao trabalho da PF. Indagada sobre a razão pela qual nunca fez uma condenação à atuação de ex-dirigentes de seu governo presos pela PF, a governadora observou: “são pessoas caídas, tombadas, que sofreram muito, a maneira como foram presos pela Polícia Federal, algemados, levados em camburão”. Yeda também criticou a CPI do Detran, referindo-se a ela como uma “CPI midiática”.

E chamou o presidente da comissão, deputado Fabiano Pereira de “irresponsável” por ter levantado suspeitas sobre a compra da casa nova da governadora. Sobre a polêmica da casa, Yeda mais uma vez criticou a Polícia Federal. “Houve um erro de origem nos interrogatórios da Polícia Federal. Eles persistiram em perguntar sobre um cheque de Lair Ferst. Comprei uma casa digna, que ficou muito bonita depois da reforma. Passa um invejoso na calçada que nunca trabalhou e fica dizendo, hum, essa casa...”. Hum, essa casa....

A governadora não informou como ficou sabendo que a Polícia Federal interrogou Lair Ferst sobre a casa.