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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Nova pesquisa eleitoral em Porto Alegre


A revista Voto, que está indo às bancas neste sábado (6), traz uma nova pesquisa sobre a disputa eleitoral em Porto Alegre. No levantamento espontâneo, o prefeito José Fogaça (PMDB) aparece na frente com 32%, seguido por Manuela D’Ávila (PCdoB), com 16,2% e Maria do Rosário (PT), com 14,9%. Os números da pesquisa estimulada ainda não foram divulgados.

Em comparação com a pesquisa anterior realizada pelo instituto Index para a revista Voto, Fogaça subiu de 15,8% para 32%. Manuela também subiu, passando de 5,9% para 16,2%. Já Maria do Rosário, subiu de 10,8% para 14,9% (todos esses índices referem-se somente ao voto espontâneo, quando não é apresentado o nome de nenhuma candidatura). A pesquisa foi realizada nos dias 27 e 28 de agosto com 1.200 eleitores. A margem de erro é de 2,9 pontos percentuais para mais ou para menos.

Sensação de segurança em Porto Alegre: candidata à prefeitura sofre assalto e agressão


A candidata do PSTU à prefeitura de Porto Alegre, Vera Guasso, foi vítima de uma tentativa de assalto seguida de agressão, ontem, por volta de 22h30min, na rua Alberto Torres no bairro Cidade Baixa, próximo a sua residência. Segundo nota distribuída pela assessoria de imprensa do PSTU, ela e uma amiga foram abordadas por dois rapazes, um deles com um revólver em punho, que exigiram as chaves do carro. Vera Guasso disse aos assaltantes que poderiam levar o carro, mas que precisaria pegar sua bolsa e não aceitaria que fossem levadas junto com eles. Como resposta, os assaltantes a agrediram com socos e pontapés, deram um tiro para o alto e foram embora sem levar nada. Ela levada ao hospital e está bem, apenas com alguns hematomas e uma pequena fratura no nariz.

Segundo a nota do PSTU, “Vera Guasso é mais uma vítima da crescente violência alimentada pelas máfias de roubo de carros que, todos sabem, inclusive a polícia, é um negócio extremamente lucrativo e com ramificações em vários setores de negócios ‘legais’. “Responsabilizamos não os dois jovens, mas sim o poder público, que não faz nada para coibir os grandes mafiosos e garantir emprego para os que hoje ficam à mercê dos traficantes e da indústria do roubo de carros. Exigimos dos órgãos competentes a apuração do caso e que este sirva para punir os verdadeiros responsáveis”, conclui.

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

Entrevista coletiva com moradores de rua

Nesta quinta-feira, às 14h30min, no GAPA-RS (rua Luís Afonso, 234, Cidade Baixa), será realizada uma entrevista coletiva com moradores de rua, integrantes do Projeto Boca de Rua, jornal trimestral produzido e vendido por pessoas em situação de rua em Porto Alegre. Trata-se de uma entrevista coletiva para blogagem coletiva e aberta a todos interessados. O Boca de Rua é um dos projetos da organização não-governamental Alice (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação). O objetivo da entrevista é fazer um contraponto ao que a mídia porto-alegrense vem publicando sobre a situação dos moradores de rua na capital.

O inverno é o período mais difícil para os moradores de rua de Porto Alegre. Só nesse inverno, o jornal já perdeu três integrantes: Jerri, Marcelo e Marko.

Mais informações sobre o projeto Boca de Rua:

Blog do Boca de Rua
Blog Idéias & Experiências

Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Sem debate público, projeto Pontal do Estaleiro será votado “em regime de urgência”

O diretor-geral da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Carlos Norberto Fraga, informou nesta terça-feira (2) que o projeto Pontal do Estaleiro deverá ser votado pelo Plenário da Casa na próxima quarta-feira (10). O projeto, de autoria do vereador Alceu Brasinha (PTB) e subscrito por 17 vereadores, está tramitando no Legislativo em regime de urgência (urgência esta ditada pelos interesses de empresários da construção civil). Na prática, em função do regime de urgência, pode ser votado antes do dia 10. Por meio dele, a proposta de “revitalização urbana” do Pontal do Estaleiro é classificada como “empreendimento de impacto de segundo nível”. Isso significa autorizar a construção de seis torres (quatro residenciais e duas comerciais) em uma área (beira do Guaíba) onde a atual legislação municipal proíbe tais edificações.

Em 2005, a área do Estaleiro foi vendida em leilão por 7 milhões de reais. O anteprojeto está na Câmara há mais de um ano e o lobby dos construtores que querem construir na área é muito forte. Com a proximidade das eleições, alguns vereadores, por algum motivo que a razão desconhece, decidiram acelerar a aprovação do projeto, atropelando o regimento da Câmara nas comissões. A bancada do PT solicitou que a Câmara enviasse a matéria ao Executivo para que a Prefeitura se manifestasse. A proposta foi negada pela base de apoio do prefeito José Fogaça (PMDB), que aprovou o regime de urgência para a votação. O vereador Brasinha e seus aliados querem aprovar o projeto o mais rápido possível, com o mínimo debate público. A julgar pela ausência deste debate, parecem estar próximos de conseguir seu intento.

O projeto Pontal do Estaleiro é apoiado pelos seguintes edis: Alceu Brasinha (PTB), Bernardino Vendrúsculo (PMDB), Dr. Goulart (PTB), Elói Guimarães (PTB), Haroldo de Souza (PMDB), Maria Luiza (PTB), Maurício Dziedricki (PTB), Nilo Santos (PTB), Valdir Caetano (PR), Almerindo Filho (PTB), Elias Vidal (PPS), Ervino Besson (PDT), João Carlos Nedel (PP), Luiz Braz (PSDB), Maristela Meneghetti (Dem), José Ismael Heinen (DEM) e Nereu D´Avila (PDT).

O império da atitude


Uma das palavras mais repetidas nos programas eleitorais de rádio e televisão deste ano em Porto Alegre é “atitude”. No dicionário Houaiss, a primeira definição de “atitude” é: “maneira como o corpo (humano ou animal) está posicionado; pose, posição, postura”. Uma palavra que vem acompanhada de outras como “coragem”, “determinação”, “ousadia” e “experiência”. Todas elas indicam supostas virtudes individuais dos candidatos ou candidatas que as expressam. Até aqui, a exaltação dessas virtudes individuais vem sendo uma das marcas da campanha. Quem conseguiria apontar qual é o mesmo o debate político que está sendo travado neste momento em Porto Alegre?

O atual prefeito, José Fogaça (PMDB), vem passando com o lombo liso nas primeiras semanas de campanha. Algumas tímidas críticas pontuais aqui e ali, mas nenhuma avaliação geral sobre o estado das coisas em Porto Alegre, nenhum balanço sobre o conjunto da obra e sobre o significado do atual governo. Fogaça agradece.

Na imensa maioria dos programas, não há, propriamente, diferenças de fundo nas propostas apresentadas. Todos defendem a ampliação das equipes do Programa de Saúde da Família, divergindo apenas nas promessas numéricas sobre o tamanho dessa ampliação. Com algumas pequenas variações todos defendem também a educação em tempo integral, a ampliação das creches, a necessidade de políticas de inclusão social, o aumento de efetivo da guarda municipal, das câmeras de vídeo, a defesa do metrô e da vinda da Copa do Mundo para a capital gaúcha. Há algumas propostas diferenciadas, mas que, segundo a linha geral do discurso das candidaturas, não são motivo de polêmica. Se a idéia geral é que vence o candidato ou candidata com as melhores propostas e virtudes individuais e se não há diferenças de fundo entre as propostas e virtudes apresentadas, qual será o diferencial que orientará a população?

A “polêmica” até aqui, se é que se pode usar essa palavra, gira em torno de qual candidato ou candidata tem mais atitude, experiência, coragem, ousadia e determinação, para administrar a cidade. Alguém viu ou ouviu, por exemplo, algum debate sobre o projeto do pontal do Estaleiro Só, uma das cobiçadas jóias da coroa do setor da construção civil em Porto Alegre? Ou sobre o debate que ocorre neste momento na Cidade Baixa, em torno da construção de um espigão? A campanha no rádio e na TV é regida, até aqui, em suas linhas gerais, pelo império da primeira pessoa e da atitude. Tudo se passa como se não houvesse diferenças significativas entre as candidaturas e seus respectivos partidos, como se não houvesse história, mas sim divergências quanto às capacidades individuais de quem postula a prefeitura da cidade. A continuar assim, caberá à população escolher a candidatura com melhor “pose, posição e postura”, na definição de Houaiss. Quase um concurso de beleza.

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

Pr(a)efeito de eleição

Maneco escreve: A quantidade de obras em andamento em Porto Alegre, neste período eleitoral, chama a atenção. Na semana passada, as pistas dos corredores de ônibus da Avenida Osvaldo Aranha foram asfaltadas. Foi um tumulto que só vendo. Coletivos atravessando as pistas laterais, normalmente só ocupadas por carros pequenos, causaram engarrafamentos que começavam no Bom Fim e se estendiam até o Centro da cidade já que, por conseqüência das obras, o túnel da Conceição ficava entupido de veículos.

Acontece que o trânsito do Centro já tem problemas suficientes. Quem opta por deixar a região central à tardinha, pela Avenida Independência, por exemplo, sabe que o trajeto da Assembléia Legislativa até a Ramiro Barcelos, transformou-se num pesadelo. Até a Avenida Farrapos, que apesar de ser uma das mais utilizadas por quem sai do Centro, sempre fluiu muito bem e agora já anda apresentando congestionamentos. Não é diferente a vida de quem vai para a Zona Sul onde as Avenidas Teresópolis, Cavalhada e Otto Niemeyer andam devagar, quase parando no início da manhã e no final da tarde. Por fim, quem se dirige à Zona Norte e, para isso, usa a Cristóvam Colombo, a Benjamin Constant e a Assis Brasil, já sabe que o trajeto levará bem mais tempo do que o normal.

Porto Alegre está saturada e não há qualquer movimento da Prefeitura que indique melhorias significativas para os próximos tempos. A Terceira Perimetral foi uma excelente medida mas outras, desse porte, nem sequer foram projetadas. Neste contexto é que fica dificílimo entender a decisão de se asfaltar uma via como a Osvaldo Aranha em pleno mês de setembro, em dias úteis e em horários de pique. Ora, o asfalto já era irregular naquela rua no mês de janeiro, quando a cidade reduz muito o tráfego. Por que então fazer obras só agora?

Talvez o desabafo do taxista Leandro, que na última quarta-feira quase teve seu carro abalroado por um ônibus da linha Santana, explique um pouco o que está acontecendo: "O cara não fez nada em quatro anos e agora quer mostrar serviço. Isso aí não é prefeito é "praefeito". Pra efeito de eleição, entendeu?" Efetivamente, o trânsito não foi alvo de muita preocupação da administração atual da Capital nestes últimos quatro anos. Tome-se, por exemplo, a decisão de permitir a travessia da Salgado Filho para os motoristas que subiam a Doutor Flores para o acesso até a Riachuelo. A medida foi saudada pela imprensa e houve até quem dissesse que ela chegava com anos de atraso. Na prática, engarrafou a própria Doutor Flores (e piorou o fluxo na parte baixa da rua) e ainda complicou a vida de todos os que acessavam a parte alta do Centro através da Independência. Isto sem falar no caos que gerou na Salgado Filho.

"Trânsito é coisa séria. Não se deve tomar medidas apenas para agradar meia dúzia como a Prefeitura fez aqui. Tem que estudar bem as conseqüências", manifestava na manhã de hoje o motorista da lotação Rio Branco que, agora, todos os dias perde um tempo precioso depois que sai da Independência, pega a Duque de Caxias e tenta chegar à Riachuelo. De novo o taxista da Oswaldo, aquele do "praefeito": "E o pior é que tem efeitos que são como tiros que saem pela culatra. Ou seja, o efeito é o contrário. O povo fica com raiva", desabafou.

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Lojistas de Porto Alegre protestam contra violência e falta de policiamento

Kayser

Um grupo de lojistas da avenida Protásio Alves, no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, promoveu um protesto na manhã desta sexta-feira contra a violência e a falta de segurança. Eles fecharam as portas de seus estabelecimentos em protesto contra a morte do segurança Adélio dos Santos Morais, de 50 anos, durante um assalto à Joalheria e Ótica Vision, ontem de manhã. Segundo os lojistas, o clima de insegurança é constante na região. A falta de policiamento também.

Em época de campanha eleitoral, nunca é demais relembrar o que prometeram as principais autoridades do Estado e da capital para enfrentar o problema da violência. A governadora Yeda Crusius (PSDB) anunciou, na campanha eleitoral de 2006, que uma de suas primeiras ações seria transmitir à população uma “sensação de segurança”. O primeiro secretário de segurança de seu governo, Ênio Bacci (PDT), começou sua gestão apostando na pirotecnia das barreiras policiais. Ainda no mês de janeiro de 2007, o jornal Zero Hora chegou a afirmar, em editorial, que já se sentia uma “sensação de segurança” com a nova política. Mas a suposta sensação virou uma grave crise na área da segurança pública que já está em seu terceiro secretário. Yeda também prometeu implementar um “conjunto de medidas estratégicas visando ao incremento do sistema de segurança no RS”. Seja lá o que isso signifique, parece que não está funcionando.

O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), em seu programa de governo apresentado na campanha eleitoral de 2004, prometeu, entre outras coisas, implantar o programa Vizinhança Segura. O programa anunciava: “consiste em dotar cada bairro de uma patrulha da Guarda Municipal, composta por um veículo equipado com rádio, dois guardas municipais e telefone celular. Estas patrulhas terão como competência fazer o policiamento preventivo e o papel de polícia comunitária”. Alguém viu?

Moradores da Cidade Baixa mobilizados contra espigão de 19 andares na Lima e Silva


Moradores da Cidade Baixa, em Porto Alegre, estão se mobilizando para impedir a construção de um espigão de 19 andares na rua Lima e Silva, em frente ao Centro Comercial Nova Olaria. Para eles, a obra é uma violência urbanística e ambiental em um bairro caracterizado por suas casas de estilo açoriano e com prédios de no máximo nove andares. A comunidade da região não foi consultada sobre a obra conforme determina a lei de impacto de vizinhança. Entre os efeitos negativos da construção, os moradores citam a derrubada de árvores que abrigam comunidades de papagaios, a diminuição da luminosidade e o bloqueio do sol em muitas casas situadas no entorno da obra e agravamento dos problemas do sistema viário da região. A mobilização denuncia ainda que a prefeitura aprovou a obra ignorando as normas que o Plano Diretor estabelece para a região.

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

PSOL cassa programa eleitoral do PSTU sobre financiamento das campanhas eleitorais


Recebo e-mail de Vera Guasso (PSTU), candidata da Frente de Esquerda (PSTU-PCB) à prefeitura de Porto Alegre, comunicando que o PSOL cassou o programa eleitoral do PSTU sobre financiamento das campanhas eleitorais. Ela afirma:

“Fomos surpreendidos por uma decisão liminar da Justiça Eleitoral, solicitada pelo PSOL, suspendendo o programa eleitoral do PSTU que iria ao ar às 20h30min dessa quarta-feira, 27/08, repetindo o mesmo material que foi ao ar nesse mesmo dia às 13h. O conteúdo desse programa expressa uma denúncia da nossa candidatura contra a perda de independência política das candidaturas que gastam milhões em suas campanhas eleitorais financiadas por grandes empresários. As grandes empresas posteriormente cobram a conta exigindo favores do poder público, atuam como agentes de corrupção e exemplos temos as centenas. Temos também o exemplo vivo do PT que trocou seu programa para ficar de bem com o empresariado e tem traído as lutas históricas dos movimentos sociais”.

"Nesse programa relatamos um fato irrefutável: O PSOL aceitou cem mil reais da Gerdau, uma das maiores empresas multinacionais do ramo do aço no mundo. Essa decisão coloca em risco a independência política também desse partido. Achamos a decisão do PSOL de aceitar esse recurso, um profundo equívoco concordando com a opinião de muitos militantes desse partido. Não entendemos que a candidata Luciana Genro que já teve cassados seus panfletos de campanha ao denunciar fatos grave de outros partidos, agora use do mesmo subterfúgio para cassar a opinião de um partido com tradição nas lutas sociais que denunciou um fato verídico”.

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Grupo Somos denuncia descaso da prefeitura com combate à AIDS em Porto Alegre


A Prefeitura de Porto Alegre não comprou uma só camisinha em 2008, descumprindo o acordo feito com os governos federal e estadual e deixando a população sem insumos básicos de prevenção à Aids. Além disso, estão faltando medicamentos nos postos de saúde para enfrentar efeitos colaterais dos antiretrovirais e outros básicos, de responsabilidade do município.

A denúncia foi feita ontem (26) pelo coordenador do grupo Somos - Comunicação, Saúde e Sexualidade, Gustavo Bernardes (foto), durante reunião da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Gustavo Bernardes também denunciou que os recursos do Plano de Ações e Metas (PAM), destinados ao atendimento de pacientes com HIV/Aids da capital gaúcha, teriam sido utilizados para o pagamento de funcionários do Hospital Vila Nova.

O Hospital Vila Nova mantém convênio com a prefeitura, disponbilizando 40 leitos para atendimento de pacientes soropositivos. Bernardes informou que a denúncia foi formalizada ao Ministério Público e que o Conselho Municipal de Saúde (CMS) havia dado parecer contrário ao uso dos recursos no Vila Nova. “O Executivo alegou que os recursos do governo federal estavam parados. O Município deveria utilizar esses recursos federais aos pacientes com HIV/Aids e ainda complementá-los com verbas municipais”. Ainda segundo o coordenador do Somos, Porto Alegre registrou 14.701 casos de pessoas contaminadas pelo vírus HIV em 2006. Bernardes reclamou da falta de distribuição gratuita de preservativos pela Secretaria Municipal de Saúde. “O governo licitou a compra apenas depois que os preservativos tinham se esgotado para distribuição. Os 1,140 milhão de camisinhas que a prefeitura teria de ter comprado estão prometidas apenas para dezembro”.

O Somos também protestou contra a ausência de campanhas educativas de prevenção à Aids na Capital, e informou que o número de funcionários na Coordenação da Política Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Aids da SMS teria diminuído de 18 para apenas três. Além disso, os programas de planejamento familiar excluem gays, lésbicas, transexuais e pessoas que não desejam ter filhos. A coordenadora da Política Municipal de DST/Aids, Miriam Weber, admitiu que os recursos são escassos para o atendimento aos pacientes e elogiou a atuação histórica dos movimentos sociais em favor dos portadores do vírus HIV em Porto Alegre. Ela confirmou a diminuição no número de profissionais de saúde na Coordenação ao longo dos anos e destacou que Porto Alegre tem sido, desde o início da epidemia, a terceira capital brasileira em número de casos de Aids no país. As informações são do blog do Somos.

Dinheiro da Gerdau abre crise no PSOL


Militantes e dirigentes do PSOL de vários estados do país assinaram uma nota de repúdio à decisão do diretório do partido em Porto Alegre que aceitou uma “polpuda oferta financeira feita pelo grupo Gerdau”. Segundo a nota, a decisão “representa um ponto de inflexão na construção do partido”, que exige “uma clara tomada de posição por parte de todos os setores envolvidos no processo de recomposição da esquerda socialista no Brasil”. O documento, assinado por integrantes de diversas correntes do partido (Socialismo Revolucionário, Coletivo Liberdade Socialista, Alternativa Socialista, Alternativa Revolucionária Socialista e Reage Socialista) exige a imediata anulação da deliberação de Porto Alegre, entendendo que ela fere não apenas o estatuto do partido e as resoluções da 2ª Conferência Eleitoral do PSOL, mas, sobretudo, todo o “acúmulo político sobre o qual o PSOL foi fundado”.

A nota afirma: “ Trata-se de mais um passo atrás, um retrocesso evidente em relação ao projeto original do PSOL. A decisão de Porto Alegre deve ser revertida e as lições desse episódio devem servir para a construção de outra política para o partido, uma política coerente com as reais aspirações da militância e da vanguarda ativa dos trabalhadores e da juventude que fundaram o PSOL. A decisão da maioria do Diretório de Porto Alegre, defendida especialmente pela corrente MES (Movimento da Esquerda Socialista, ligada à deputada federal e candidata à prefeitura de Porto Alegre, Luciana Genro) foi tomada em nome da aspiração de tirar o PSOL do isolamento e da mera posição de comentador da realidade. Para esses (as) companheiros (as), o maior risco do PSOL hoje não é a degeneração oportunista, como aconteceu com o PT, mas sim o isolamento e a marginalidade”.

Diante desse argumento, a nota responde categoricamente: “a política dos (as) companheiros (as) tende a nos conduzir para o pior dos mundos, a transformação do PSOL numa seita marginal exatamente porque passou a adotar uma política oportunista, que não consegue diferenciar o partido do amontoado de siglas existentes”. E acrescenta: “O argumento de que um questionamento enfático por parte da militância contra a decisão de um setor do partido em Porto Alegre prejudicaria a campanha do PSOL não pode ser admitido. Prejuízo incalculável, isso sim, virá se a decisão for mantida. Essa discussão não se refere apenas a Porto Alegre. Militantes e candidatos do PSOL em todo o país terão que arcar com o peso dessa decisão, uma decisão que não tomaram e sequer foram chamados a opinar sobre”.

Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Manuela compara Berfran a José Alencar


A campanha da candidata Manuela D’Ávila (PCdoB) já definiu a estratégia para justificar a presença de Berfran Rosado (PPS), aliado político do ex-governador Antônio Brito e da governadora Yeda Crusius (PSDB), como vice na chapa à prefeitura de Porto Alegre. No programa de rádio apresentado nesta segunda-feira, Manuela comparou Berfran ao vice-presidente José Alencar. Assim como Lula e Alencar tiveram trajetórias distintas e depois se encontraram, o mesmo estaria acontecendo entra ela e Berfran, disse Manuela. Segundo a candidata, Berfran é um “excelente técnico e um deputado muito competente”. O site da campanha afirma que Berfran “tem uma história de trabalho por Porto Alegre e pelo Rio Grande do Sul”. Além disso, destaca que, quando foi presidente da Corsan (no governo Antônio Britto), “Berfran investiu na ampliação da rede de água tratada, com o entendimento de que água é saúde e vida”.

Foto: Nabor Goulart

Aliados de Yeda escondem governadora na campanha eleitoral de Porto Alegre


Ao contrário do que ocorre em outros Estados, onde os governadores participam ativamente da campanha eleitoral, aqui em Porto Alegre nenhum dos partidos que participam do governo estadual parecer querer Yeda Crusius (PSDB) em sua campanha. Ostentando índices inéditos de rejeição (53% de ruim e péssimo, segundo pesquisa Ibope/ZH divulgada neste domingo), a governadora tornou-se um grande peso para seus aliados. Nos primeiros dias de campanha eleitoral no rádio e na tv, nem o candidato do PSDB, Nelson Marchezan Jr., destaca Yeda em seus programas. Os partidos que apóiam a candidatura de José Fogaça (PMDB, PDT, PTB) e integram o governo estadual também querem distância da governadora, apostando que a onda de denúncias e escândalos envolvendo o Palácio Piratini não será tema da campanha na capital gaúcha. Até aqui não foi.

Domingo, 24 de Agosto de 2008

O Grande Nada

Ayrton Centeno*

Após os primeiros dias de propaganda eleitoral na TV em Porto Alegre, o que emerge da tela é algo que, ao longo da minha não curta vida, nunca havia visto. A começar pela sensação de que não existem mais partidos. Ou talvez haja um só, o do Nadismo. O Nadismo é desmembrado em tendências bastantes sutis: o Nadismo radical e o Nadismo moderado, o Nadismo fisiológico e o Nadismo revolucionário, entre tantas. Nenhuma delas, porém, implica conflito com a outra. Convivem harmonicamente, já que desfraldam idêntico estandarte: a defesa convicta do Grande Nada.

No Partido Nadista, todas as correntes fraternalmente empunham as mesmas propostas: fazer um Porto mais Alegre, realizar o sonho de Porto Alegre, ou afirmar, intrepidamente e não sem um certo grau de temeridade, que amam o pôr-do-sol do Guaíba. E tome-lhe contraluzes do crepúsculo e jingles de uma pieguice que alguém mal humorado diria que soqueiam violentamente o baixo ventre do eleitor.

Outro fenômeno é a ausência completa da política. A política, esta coisa chata que fermenta o nascimento de tantos conflitos foi ejetada ao ostracismo. Presume-se que, antes da deflagração da campanha, os coordenadores dos diversos Nadismos, sabiamente aconselhados pela marquetagem, reuniram-se e decidiram dar um basta nessa história de política. Chega! Onde já se viu aborrecer as pessoas, num momento de civismo e exaltação da cidadania, com discussões tão desconfortáveis como, por exemplo, saber quem e por que apóia o (a) candidato (a) X e como este mesmo (a) candidato (a) se posiciona claramente diante dos problemas concretos, presentes ou futuros da cidade?

Claro que sempre haverá aquele eleitor inconveniente querendo, por exemplo, saber do candidato qual é exatamente, sem papas na língua, sua posição a respeito do estupro imobiliário planejado da orla do Guaíba na zona sul. São aquelas chateações que acabam se refletindo lamentavelmente na redução do aporte tão necessário dos desinteressados recursos empresariais para a produção de campanhas bonitas na TV. É um tipo de extremismo que o Grande Nada não pode tolerar. Discrepâncias, sim, até poderão ser tratadas. Afinal, é preciso contentar a todos e a nenhum. Nada é exatamente igual ao outro. O Nada é Uno mas também é Múltiplo. Há que ter esta flexibilidade.

Para tanto, a TV, de modo tão absorvente, já está proporcionando à atenta cidadania um debate profícuo. Que, claro, está centrado naquilo que os candidatos e seus programas democraticamente nos oferecem: a imagem, a fachada, o lado externo de suas candidaturas.

Será, sem dúvida, impactante discutir se a candidata A tornou-se mais merecedora do sufrágio agora depois da chapinha ou se era melhor antes com os cabelos crespos. Debater, conceitualmente, se o semblante sonâmbulo do candidato B é compatível com sua auto-propalada audácia e se seu ar letárgico, de fato, fomenta a esperança. Ou se a blusinha da candidata C combina, republicanamente, com os seus olhos cor de anil. Avaliar se houve progresso na lavourinha laboriosamente cultivada no topo do crânio pelo candidato D -- eu diria que não, mas você, caro (e)leitor, pode dizer que sim, que ela é intensamente produtiva e viçosa, atingindo índices de produtividade enaltecidos até pela Farsul. É seu direito. Ou, por outra, pode concordar comigo, mas responsabilizar a avara resposta da natureza à falta de apoio do Pronaf. Pronto, assim do Nada eis aí o debate instalado. Tão civilizado, tão estimulante, tão cidadão.

Templo do Grande Nada, a RBS ajudou sobremaneira na conversão dos candidatos que, um a um, vieram, genuflexos, queimar incenso no altar de Zero Hora. Um mergulho de profundidade cosmética no cotidiano dos concorrentes do qual emergimos enriquecidos pela informação de que um é papai coruja, que aquele sabe de cor as músicas da Disney, que outro adora cozinhar, que aquela foi obesa, que esta borda em ponto cruz, e que há ainda quem expresse sua rebeldia mesmo sem cachos e quem a faça através de brincos. Ufa!

Olívio Dutra sempre repetiu – e repete – aquele bordão que sintetiza boa parte do sentimento e das ações que Porto Alegre vivenciou especialmente nos anos 90. Aquele que afirma que, para construir uma nova e mais justa sociedade, é imprescindível que cada cidadão não seja objeto, mas sim sujeito da política. Sentiam-se e portavam-se como sujeitos, até então, somente os candidatos.

Porém, agora, neste ano da graça de 2008, largada de campanha, os candidatos é que abdicaram de serem sujeitos da política. Sua nova condição é a de objetos. Estão na TV como se estivessem na gôndola dos supermercados. Não têm história. Não porque a perderam, mas porque optaram por sepultá-la. Escolheram serem coisas. São produtos práticos e versáteis, adaptáveis a qualquer gosto ou ambiente. Desconstróem-se num palco de ilusões de olho no teleprompter dizendo um texto em que só eles acreditam (Acreditam?). Não parecem de carne e osso. Aparentam hologramas cambiantes e fugidios, projetados desde um passado longínquo e impreciso, repetindo palavras ocas que se desmancham no ar.

Quem é de esquerda apresenta uma narrativa – que carrega tanto de Nadismo quanto de ambição -- sonhando cabalar o voto não apenas do eleitor de centro sempre oscilante, mas até da direita. Esta, por sua parte, lança, além do centro do tabuleiro, piscadelas para o eleitor de esquerda. A conseqüência deste discurso aguado do qual a política foi exilada só poderia ser a superfluidade. Parte de nenhum lugar para lugar algum. A diferença é que a direita está na sua: este é o mundo que pedra por pedra levanta a cada dia. É o que temos. E o que nos esmaga. À esquerda caberia questioná-lo, expor a sua estreiteza, as suas contradições, a sua insuficiência e as suas vastas iniqüidades. Mas isto só se faz fazendo campanha além da epiderme. E quem faz isso são homens e mulheres, pessoas com história, com partido, com política e com diversas e divergentes visões da vida e do mundo. Não é uma tarefa para espectros.

Ayrton Centeno é jornalista.

Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

"Dono da rua" morre na frente da prefeitura


Do Diário Gauche:

Policiais davam instruções precisas para uma dupla de garis. A ordem era limpar rapidamente a calçada, destacada por um cordão de isolamento colorido e bem esticado. A limpeza era o arremate do trabalho. Quem chegou primeiro já havia levado a informação maior, e de história concreta sobrava apenas um boné encardido, no canto de uma pilastra.

-“Morreu de frio”, disse o gari que varria a poeira dolorida do chão. Disse para si mesmo, já que o amontoado de pessoas que passava ignorava o fato e também o gari.

-“Foi um morador de rua que faleceu?”, perguntei.

-“É”, respondeu o policial constrangido. A expressão da face não dizia se o constrangimento era por atrapalhar o trânsito dos pedestres, ou por achar que a culpa também era sua.

Do outro lado da rua, um homem com sua sacola de latas nas costas olhava a esquina vazia. Invisível, disse para o vento: “Era o Zé”.

Isto aconteceu hoje, dia 19/08/2008, às 09h20 da manhã. O Zé morreu embaixo da marquise do Banco do Brasil, defronte ao Paço Municipal de Porto Alegre.
Ninguém viu.

Texto-depoimento de Thais Fernandes, 24 anos, jornalista.

A fotografia é meramente ilustrativa, não diz respeito ao fato ocorrido, hoje.

Sábado, 16 de Agosto de 2008

"Como se fossem os donos da rua"


“Como se fossem os donos da rua”. Esse é o título da matéria publicada neste sábado no jornal Zero Hora. Uma pauta recorrente do grupo RBS, sempre pronto a chamar atenção para o comportamento dos moradores de rua.

“Pedintes se apropriaram de esquinas da Avenida Ipiranga, onde moram e conseguem seu sustento abordando motoristas nas sinaleiras para pedir dinheiro, com freqüência de maneira agressiva”, destaca a reportagem.

Esses moradores de rua não tomam jeito mesmo. Quem estão pensando que são, querendo se adonar das ruas e prejudicando a paisagem da cidade? Por que eles não se colocam no seu lugar, seja ele qual for?

O que seria dos homens e mulheres de bem deste Estado se não houvesse a RBS para zelar por sua segurança...

Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

Candidato tucano na lanterna em Porto Alegre


A terceira pesquisa Correio do Povo/Instituto Methodus, divulgada nesta segunda-feira, não trouxe maiores novidades em relação aos dois levantamentos anteriores. O prefeito José Fogaça (PMDB) segue em primeiro lugar, com 27,8% na estimulada e 13,4% na espontânea, sendo seguido por Maria do Rosário (PT), com 21,1% e 8,5%, respectivamente. Em terceiro, Manuela D’Ávila (PCdoB), apresenta 15,4% na estimulada e 15,4% na espontânea. Manuela apresentou a maior variação em relação à pesquisa anterior, caindo de 18,5% para 15,4%. Em quarto, está Onyx Lorenzoni (DEM), com 6,1% tanto na estimulado quanto na espontânea. E, em quinto, Luciana Genro (Psol) tem 5,9% na estimulada e também na espontânea. O candidato tucano, Nelson Marchezan, está segurando a lanterna com 0,6%, atrás dos candidatos Paulo Rugowski e Vera Guasso (ambos com 1,0%).

Fogaça apresenta o maior índice de rejeição, com 25,0%, sendo seguido por Maria do Rosário (22,1%), Onyx Lorenzoni (19,3%), Vera Guasso (15,0%), Luciana Genro (14,5%) e Manuela D’Ávila (14,3%). Nas simulações de segundo turno, a disputa é apertada, apontando situações de empate técnico. No cenário entre Fogaça e Rosário, o atual prefeito tem 43,7% e a candidata petista, 41,3%. Já em uma disputa entre Fogaça e Manuela, a candidata do PcdoB tem 42,9% contra 42,5%. No cenário entre Manuela e Rosário, o resultado aponta 39,9% e 38,7%, respectivamente. O índice de indecisos, na pesquisa espontânea, é de 60,7%. Na estimulada, cai para 12,7%. A pesquisa foi realizada entre os dias 6 e 7 de agosto e ouviu 1.050 eleitores da capital. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos.

Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

Porto Alegre sob o domínio da "pedra"


O Centro de Inteligência Brasil tem vendido um serviço interessante no Rio Grande do Sul. Trata-se de uma tentativa de analisar com algum grau de profundidade (algo difícil de se ver na nossa mídia), eventos da realidade gaúcha. O serviço se efetiva na forma de boletins eletrônicos, chamados de Informes, distribuídos para assinantes. No Informe da terça-feira, 5 de agosto, o foco do boletim é a guerra pelo controle do tráfico nas vilas Conceição e Cruzeiro, dois locais onde se comercializam grandes quantidades de drogas, e a inconstante ação dos órgãos de segurança oficiais.

Diz o boletim: "Em 2007, a prisão por alguns meses do traficante Paulo Ricardo Santos da Silva, 48 anos, o Paulão da Conceição, abriu a desestruturação do comando do tráfico na Vila Maria da Conceição, potencializando as disputas por pontos de droga. Por longo tempo Paulão da Conceição garantiu um poder paralelo, impondo a lei do silêncio e o toque de recolher. Obedecendo as suas ordens, homens armados de fuzis, metralhadora e pistola 9mm andavam pelas ruas da Vila impondo medo aos moradores. Eram comuns as abordagens e revistas aos moradores e disparos de arma de fogo.

Sua prisão ocasionou a fragmentação do grupo que passou a ter vários pequenos líderes que buscaram ampliar seus lucros oriundos do tráfico, ao assumirem o controle dos pontos de venda de drogas que Paulão perdera o controle ao ser preso. As dissidências entre os traficantes locais ocasionaram o levante de conflitos armados que eram travados com armamento pesado. A comunidade passou a ser refém de uma guerra urbana que não tinha hora para ser travada. Nesse período as chegadas esporádicas da Brigada Militar deixava mais apreensiva a população, pois os conflitos retomavam com força após a saída da BM.

Por motivos de saúde, Paulão da Conceição recebeu da justiça o direito de ficar em prisão domiciliar. Seu retorno para a Vila foi o início de conflitos mais violentos. Seu enteado, o traficante Carlos Alberto Silveira Drey, 25 anos, conhecido como Beto Louco, passou a disputar a retomada do controle do tráfico na Vila. O volume de confrontos foi num crescente desde 2007, chegando ao ápice em julho de 2008, quando os violentos conflitos armados entre os grupos traficantes ocasionaram o fechamento da Escola Estadual Otávio Rocha.

A situação forçou a Brigada Militar assumir uma atitude também de guerra. Ainda em julho de 2008 o Batalhão de Operações Especiais - BOE montou uma base na Vila Maria da Conceição, na Escola Estadual, onde a bandeira do Comandante-geral da BM foi hasteada. Entretanto, a situação ficou incerta, pois a saída do BOE poderá abrir caminho para outros confrontos na Vila. Essa primeira situação de guerra urbana que o Rio Grande do Sul está presenciando potencializará desdobramentos ainda piores e maiores. Isso porque o Beto Louco foi preso na semana passada em uma casa noutra vila, a Cruzeiro, onde ele dominava o tráfico. Sua prisão abre outra fragmentação entre as organizações narcotraficantes que vão disputar o espaço de liderança que surge."

Em Porto Alegre, a maioria dos homicídios e outros atos de violência têm origem na disputa por pontos de tráfico e na cobrança de dívidas de droga. A cidade está tomada pelo crack que já chegou, por exemplo, à Praça da Encol, local tradicionalmente freqüentado por jovens de classe média alta. Na periferia, pela primeira vez, há uma guerra aberta pelos pontos de tráfico e confrontos periódicos com as forças policiais. De olhos fechados, o governo municipal não apresenta qualquer ação significativa nesta área e, de parte do governo estadual, para além dos arroubos arbitrários e verborrágicos do comandante Mendes, tudo o que se vê é a governadora Yeda nomeando um novo secretário de Segurança. Um novo secretário que, aliás, não responde as questões relativas à pasta sob o argumento de que precisa "se inteirar" dela. Enquanto isso, a Capital convive com uma verdadeira "epidemia da pedra" que escraviza seus usuários e os leva, invariavelmente, à situações de violência. (Maneco)

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Porto Alegre é demais!


Está tudo bem em Porto Alegre, pelo visto. Ou seja, tudo continua em seu lugar. Hoje pela manhã, acordei e fui à banca de revistas situada a uma quadra de nosso apartamento aqui em San Telmo. Rancho editorial básico no primeiro dia de agosto: o jornal Página 12, a edição argentina do Le Monde Diplomatique e o livro que acompanha essa edição, “El libro negro del Petróleo”, dos jornalistas alemães Thomas Seifert e Klaus Werner.

Voltei para a casa. Recebi uma mensagem de uma leitora do blog comentando sobre a nova loja de roupas aberta pela “primeira-filha”, Tarsila Crusius, no shopping 5ª Avenida Center. Tarsila é presidente do Comitê de Ação Solidária do gabinete da governadora, sua mãe. Entre outras coisas, coordena a Campanha do Agasalho. Muito típico da auto-intitulada elite gaúcha. Uma elite escrita, cínica, medíocre e hipócrita, para ser econômico nos adjetivos. A “primeira-filha” abriu primeiro uma loja em Capão da Canoa, no último verão. Agora, pilota a Load, no 5ª Avenida. E, entre seus negócios, tem tempo para brincar de filantropa, posando para fotos onde distribui roupas para os pobres.

Logo em seguida, recebo outra mensagem falando sobre a nova investida de Zero Hora em torno do tema das FARC. Um factóide requentado com a pomarola mais vagabunda e servido como se fosse uma iguaria inédita. Há alguns temas que desnudam a visão de mundo dos donos (e editores) de ZH e da RBS. Esse é um deles. A nostalgia da Guerra Fria, o discurso anti-comunista e o delírio macartista vêm à tona com toda a força.

É bom sair de Porto Alegre, entre outras coisas, para ver isso com mais clareza. A mediocridade e o conservadorismo da mídia gaúcha, por exemplo, aparece em todo seu esplendor. Na edição de hoje do Página 12, há um encarte especial sobre a realidade nacional dos travestis, transexuais e transgêneros contada por seus próprios protagonistas. Além disso, há uma matéria de três páginas sobre um novo documentário sobre o povo mapuche, comunidade indígena massacrada pelos “homens de bem” do campo argentino. Enquanto isso, em Porto Alegre, ZH delicia-se em amplificar factóides de fundo (e frente) macartista.

Estou recolhendo material – artigos, livros e filmes – sobre o balanço das privatizações do período Menem. Há muita coisa já publicada e produzida. No Rio Grande do Sul, há um balanço sério sobre esse tema? Qual o legado dos “homens de bem” que comandam a economia (e a política) gaúcha nas últimas décadas? Na maior parte desse período, ao menos. Qual o trabalho jornalístico e/ou acadêmico a respeito? Produção acadêmica ainda há alguma, mas desconhecida do grande público. O certo é que, hoje, a imprensa gaúcha badala com seus textos medíocres o empreendedorismo pseudo-solidário de figuras como Tarsila Crusius, compactua (e, muitas vezes, atua) com “elites” parasitas e posa de valente quando se anima a apresentar-se com sua verdadeira face. Uma face direitista e culturalmente indigente.

A descrição é dura e nada animadora. Mas vendo Porto Alegre aqui de Buenos Aires, comparando o que há nas bancas de jornais, é assim que a cidade me parece. Porto Alegre é demais, diz a letra de conhecida música. Hoje, está conservadora demais, reacionária demais e medíocre demais.

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Pedida a intervenção federal no Estado do RS


No dia 3 de dezembro de 2007, o desembargador Luiz Felipe Brasil Santos, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, determinou a intervenção do Estado no município de Porto Alegre em razão do descumprimento de ordem judicial para pagamento de um precatório no valor de R$ 102.053,65. Em sua defesa, a Prefeitura alegou insuficiência de recursos e que ainda estava pagando precatórios de 2003, devendo ser considerada a ordem cronológica dos mesmos. O desembargador não aceitou os argumentos como razão para o descumprimento da ordem judicial e requisitou à governadora Yeda Crusius a intervenção por parte do Estado. Yeda não cumpriu a decisão judicial, razão pela qual, está sendo pedida agora a intervenção federal no Estado. O Tribunal de Justiça já determinou que a governadora Yeda Crusius seja oficiada sobre a decisão.