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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Sensação de segurança em Porto Alegre: candidata à prefeitura sofre assalto e agressão


A candidata do PSTU à prefeitura de Porto Alegre, Vera Guasso, foi vítima de uma tentativa de assalto seguida de agressão, ontem, por volta de 22h30min, na rua Alberto Torres no bairro Cidade Baixa, próximo a sua residência. Segundo nota distribuída pela assessoria de imprensa do PSTU, ela e uma amiga foram abordadas por dois rapazes, um deles com um revólver em punho, que exigiram as chaves do carro. Vera Guasso disse aos assaltantes que poderiam levar o carro, mas que precisaria pegar sua bolsa e não aceitaria que fossem levadas junto com eles. Como resposta, os assaltantes a agrediram com socos e pontapés, deram um tiro para o alto e foram embora sem levar nada. Ela levada ao hospital e está bem, apenas com alguns hematomas e uma pequena fratura no nariz.

Segundo a nota do PSTU, “Vera Guasso é mais uma vítima da crescente violência alimentada pelas máfias de roubo de carros que, todos sabem, inclusive a polícia, é um negócio extremamente lucrativo e com ramificações em vários setores de negócios ‘legais’. “Responsabilizamos não os dois jovens, mas sim o poder público, que não faz nada para coibir os grandes mafiosos e garantir emprego para os que hoje ficam à mercê dos traficantes e da indústria do roubo de carros. Exigimos dos órgãos competentes a apuração do caso e que este sirva para punir os verdadeiros responsáveis”, conclui.

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

Fascismo gaudério


O comandante da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, coronel Paulo Mendes, já defendeu mais de uma vez, publicamente, a pena de morte “para a bandidagem”. Conforme a expressão que ele mesmo empregou, “bandido tem é que ir pro paredão”. A Constituição e as leis, para o coronel, são entraves para a “segurança dos homens de bem”. Na manhã desta quarta-feira, o coronel Mendes mostrou mais uma vez seu desprezo pela ordem legal, durante o programa Polêmica, na rádio Gaúcha. Uma ouvinte do programa relata:

"Absolutamente estarrecedora a observação feita pelo Coronel Mendes no programa Polêmica de hoje. Creio que será objeto inclusive de manifestação do CREMERS (C0nselho Regional de Medicina). Lá pelas tantas, o Lauro Quadros (apresentador do programa) repetiu uma frase que teria sido dita por um médico (ou amigo...não tenho certeza):

"Quando um bandido chega no pronto socorro, tem que ser atendido devagar....sem pressa..."

O próprio apresentador, refletindo sobre a frase, comentou: "Isto é uma desumanidade".

Diante dessa afirmação, o coronel dirigiu-se ao apresentador e questionou: "Tu achas?".

Depois seguiu divagando sobre pena de morte e sobre "cortar as mãos" de criminosos.

Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Policiais civis paralisam amanhã e denunciam condições de trabalho na Expointer


Policiais civis do interior do Estado paralisam suas atividades nos próximos dois dias, quarta e quinta-feira. Neste período, só serão registradas ocorrências (inclusive flagrantes) de crimes mais graves. O Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul (Ugeirm) informa que apresentou as reivindicações ao secretário Edson Goularte, mas não houve, por parte da Secretaria de Segurança Pública, manifestação sobre o atendimento das demandas da categoria.

Segundo o Ugeirm, os policiais gaúchos estão entre os mais mal pagos do país. “Com nível superior para ingresso, o salário inicial bruto é de 1,4 mil reais. Há mais de uma década, os agentes experimentam perda real no poder de compra de seus salários. O governo não negocia política salarial, pois diz estar combatendo o déficit. A governadora teve reajuste de 143% e nós não temos nada. Não existem nem interlocutores autorizados a negociar. A categoria cobra ainda direitos de aposentadoria, conforme previsão constitucional, pagamento de horas-extras, fim do sobreaviso (sem previsão legal) e plano de carreira” afirma o sindicato.

O Ugeirm também denuncia as condições de trabalho dos policiais na Expointer. "Para se ter uma idéia de como Yeda Crusius, em seu vestido de xantung, trata os policiais civis, basta verificar a situação dos colegas do interior que cumprem reforço na Expointer, em Esteio. São cerca de 25 agentes, que deslocaram de diversas partes do Estado", afirma nota da entidade. “Minhas diárias não foram depositadas e também não tem dinheiro para reembolsar a passagem que paguei do meu bolso. A delegacia tem três colchões em péssimo estado, não tem um café para quem está no plantão. Na alimentação, só nos é dado almoço, porque o jantar é a gente que paga mesmo”, relata um policial civil. A Secretaria de Segurança Pública foi procurada para se manifestar sobre a situação dos agentes que cumprem reforço em Esteio. Até às 18 horas desta terça-feira, não tinha dado nenhum retorno.

Nos dias 1º e 2 de outubro, a paralisação será feita na capital e região metropolitana. Nos dias de protesto, serão registrados os crimes de latrocínio, homicídio, lesão corporal grave, estupro, atentado violento ao pudor e todos as ocorrências que tiverem menores e/ou idosos entre as vítimas. “Nós não descartamos uma greve, porque nossa base está muito indignada, imensamente insatisfeita. Yeda cortou 50% das horas-extras em março e, em julho e agosto, não pagou nada”, diz o presidente do sindicato, Isaac Ortiz.

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Lojistas de Porto Alegre protestam contra violência e falta de policiamento

Kayser

Um grupo de lojistas da avenida Protásio Alves, no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, promoveu um protesto na manhã desta sexta-feira contra a violência e a falta de segurança. Eles fecharam as portas de seus estabelecimentos em protesto contra a morte do segurança Adélio dos Santos Morais, de 50 anos, durante um assalto à Joalheria e Ótica Vision, ontem de manhã. Segundo os lojistas, o clima de insegurança é constante na região. A falta de policiamento também.

Em época de campanha eleitoral, nunca é demais relembrar o que prometeram as principais autoridades do Estado e da capital para enfrentar o problema da violência. A governadora Yeda Crusius (PSDB) anunciou, na campanha eleitoral de 2006, que uma de suas primeiras ações seria transmitir à população uma “sensação de segurança”. O primeiro secretário de segurança de seu governo, Ênio Bacci (PDT), começou sua gestão apostando na pirotecnia das barreiras policiais. Ainda no mês de janeiro de 2007, o jornal Zero Hora chegou a afirmar, em editorial, que já se sentia uma “sensação de segurança” com a nova política. Mas a suposta sensação virou uma grave crise na área da segurança pública que já está em seu terceiro secretário. Yeda também prometeu implementar um “conjunto de medidas estratégicas visando ao incremento do sistema de segurança no RS”. Seja lá o que isso signifique, parece que não está funcionando.

O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), em seu programa de governo apresentado na campanha eleitoral de 2004, prometeu, entre outras coisas, implantar o programa Vizinhança Segura. O programa anunciava: “consiste em dotar cada bairro de uma patrulha da Guarda Municipal, composta por um veículo equipado com rádio, dois guardas municipais e telefone celular. Estas patrulhas terão como competência fazer o policiamento preventivo e o papel de polícia comunitária”. Alguém viu?

Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Yeda 143%, Polícia 0%


O Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do RS (Ugeirm) informa que os policiais do interior do Estado paralisarão suas atividades nos dias 3 e 4 de setembro. No site do sindicato, uma nota explica os motivos da paralisação:

“Se o nosso salário é um deboche, o que dizer do reajuste concedido à governadora que mal consegue explicar a compra de sua própria casa? Ela vai ganhar mais que o Presidente da República. Ela merece? Bem, segundo 53% dos gaúchos, seu governo é avaliado como ruim ou péssimo. Os deputados que aprovaram salário de 17 mil reais para a governadora devem achar tudo isso muito justo. O contracheque dela equivale à despesa mensal que os cofres públicos teriam com uma promoção para toda a Polícia Civil – e nós temos quatro listas em atraso. Yeda diz que “dinheiro não dá em árvore”, mas acaba de colher safra de 143% no seu pé-de-meia.

E nós? Nós seguimos, pois, como os agentes policiais mais mal pagos do país, porque o Rio Grande do Sul não tem dinheiro para a segurança. Investimento com recursos do Estado é praticamente zero. Yeda, além disso, comemorou o mito de que não se pode cortar o custeio da Polícia: a tungada de 30% deu-se assim que a plumagem tucana pousou na Sefaz (Secretaria da Fazenda). O dinheiro só existe para quem participa de esquema no Detran. Ou para quem precisa pagar prestações de sua humilde casa própria.

É hora de demonstrarmos força, atingir 100% de adesão no Estado. É hora de endurecer as negociações com a governadora, já que ela desautoriza todos os seus interlocutores. Em outubro, será a vez da capital e da região metropolitana. Se nada acontecer até novembro, estaremos juntos com os servidores da Susepe, que recentemente encerraram greve de 35 dias”.

Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

Teia de alcagüetas: secretário de Yeda convida comunidades e taxistas à auto-imolação


Nenhuma figura gera mais ódio na bandidagem do que o alcagüeta. O código do crime não tolera a traição que, quando descoberta, é sempre punida e, não raramente, com requintes de crueldade. Corte de membros, execução sumária, assassinato de familiares ou entes queridos, torturas de toda ordem são práticas comuns do crime organizado contra os chamados X9, figuras que levam informações sobre o modus operandi dos bandidos para a polícia ou para gangues inimigas.

As comunidades que são obrigadas, na maioria das vezes por circunstâncias geográficas, a conviver com quadrilhas, traficantes ou células criminosas de qualquer ordem, sabem que o silêncio é uma regra de sobrevivência. "Nossas consciências são determinadas pelo terror. E o pior é que se a gente fala pra polícia, morre na mão do traficante que sempre fica sabendo; como, eu não sei...", relata um morador do Morro da Tuca, conhecido ponto de tráfico da Capital gaúcha. A fala deste trabalhador de 38 anos e pai de três filhos, mistura medo e ironia. "Eu respeito todo mundo igual, traficante, polícia e vizinho".

E assim estabelecem-se as relações comunidade/crime nas vilas porto-alegrenses em pleno ano de 2008...

Parecendo desconhecer esta cruel realidade, porém, o novo secretário de Segurança Pública de Yeda, coronel Édson Goularte, insiste no tal projeto "Teia", uma idéia que, segundo ele, visa "integrar esforços dos órgãos de segurança com a comunidade numa vigilância sistêmica". Na prática, a "Teia" de Goularte é vista pelos moradores de regiões conflagradas da Capital como um convite à auto-imolação. "Ah, é fácil pedir que a gente denuncie. Quero ver ele morar aqui e caguetar os caras. Fazer isso é pedir para morrer na mãos dos caras", completa o morador da Tuca.

A "política" de segurança proposta por Goularte inclui ainda a participação ativa dos taxistas que, circulando por todo o território dos municípios, acabariam conhecendo os locais onde se concentram os marginais. De novo, um total desconhecimento da realidade vivenciada por estes profissionais. "Mas isto é uma barbaridade. "Não sou eu que vou tapar os furos da segurança. Eles não têm capacidade pra prender os bandidos e aí querem que a gente se exponha. É bem coisa de quem nunca pisou na Cruzeirão depois da seis da tarde; esta gente fica lá no tapete vermelho inventando justificativa para a própria incompetência. Garanto que nunca teve que levar uma pessoa até o Morro da Embratel às onze da noite", manifesta um taxista de Porto Alegre que não tem ponto fixo por trabalhar num serviço de atendimento por meio de rádio.

Em outras cidades com altos índices de violência como Caxias do Sul e Novo Hamburgo, a "Teia" de Goularte também não emplaca. "Tu tá louco. Eu nunca vou na polícia, ainda mais pra denunciar alguém que eu sei que cometeu um crime. Morro de medo", afirma uma moradora da Boa Saúde, bairro hamburguense distante do Centro e tomado pelo tráfico. "Aqui em Caxias a gente sabe onde eles (os criminosos) estão. Todo mundo sabe mas ninguém fala por medo. E quer que eu seja franco, a polícia sabe melhor que a gente e não faz nada", conta um metalúrgico que vive no Cânion, vila famosa pela alta taxa de homicídios.

Pelo visto, o mais novo tiro de Yeda contra a insegurança que grassa no Estado, vai sair pela culatra. Já foi assim com a overdose de barreiras do ex-amigo e ex-secretário modelo Ênio Bacci. Yeda mandou José Francisco Mallmann, um experiente delegado da Polícia Federal, embora porque ele não lhe contou antecipadamente sobre a Operação Rodin. É verdade que Mallmann também não fez muita diferença. Mas ao menos não propunha medidas paliativas ou desconectadas da realidade. Fica valendo a fala de um ex-assessor da Secretaria de Segurança ao tempo de Olívio Dutra: "Yeda errou feio. Se tava ruim com o Malmann, vai ficar bem pior sem ele". (Maneco)

Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Gordinhos e despreparados


As medidas que o governo Yeda anunciou para aumentar o sempre deficiente efetivo da Brigada Militar não passam pela chamada de homens e mulheres concursados e treinados para o policiamento ostensivo. Ao contrário, como bem aponta o experiente jornalista da área policial, Wanderley Soares em sua coluna no jornal O Sul, Yeda optou por gordinhos e despreparados, ou seja, vai chamar 700 PMs aposentados e abrir a possibilidade de contratação de até 1.500 jovens que recém cumpriram o serviço militar. Os aposentados que quiserem voltar à ativa, terão o acréscimo de um salário mínimo regional aos seus proventos e os miliquinhos, por serem temporários, não terão vínculos permanente com a corporação. Os primeiros, por estarem em sua maioria fora de forma, não poderão atuar sozinhos. Os outros, por não terem passado por treinamento específico completo, também não. Por estas razões, convém não formar duplas com um aposentado e um temporário já que o serviço efetivo, a priori, será precário.

Para compensar a debilidade das medidas, Yeda cedeu o Palácio Piratini para que o new-secretário de Segurança Edson Goularte fizesse o anúncio. O evento foi montado com pompa sobre o tema "apresentação de projetos destinados a ampliar o efetivo da Brigada Militar" mas o que se viu foi uma tentativa de transformar em solução o que não passa de um remendo.

Detalhe: coube ao secretário Goularte iniciar a exposição mas logo teve a cena roubada pelo comandante-geral da Brigada, coronel Paulo Roberto Mendes. Certo é que não havia muito para dizer".

Wanderley, que qualificou Mendes como "onipresente", sentenciou: "O clamor da sociedade é por um salto qualificado em toda a estrutura da segurança pública. Digamos que isso não seja possível. Há décadas que esse discurso vem sendo repetido, não obstante seja bem diferente em período eleitoral. Não sendo possível o novo, que seria o salto qualificado, apela-se para os remendos, para as improvisações. Também é possível entender. Só não é possível entender que os remendos, as improvisações, recebam duas ou mais demãos para parecerem coisa nova". Enquanto isso no Presídio Central, no Instituto Psiquiátrico Forense... (Maneco)

Ilustração: Hupper

Sábado, 2 de Agosto de 2008

Esse general vai longe...

A governadora Yeda Crusius (PSDB) já pode ir pensando no nome de seu quarto secretário de Segurança Pública. A julgar pela habilidade política que vem sendo demonstrada pelo general Edson Goularte sua passagem pela pasta pode ser meteórica. Na sexta-feira, em entrevista à rádio Gaúcha, o general afirmou que os agentes penitenciários não são indispensáveis para garantir o funcionamento e a segurança dos presídios. A categoria, que está em greve, adorou a declaração. Vai ajudar muito nas negociações para o fim da paralisação. Enquanto isso, o ensandecido coronel Mendes, comandante-geral da Brigada Militar, disse que a corporação pode garantir a segurança dos presídios sem problemas e sem afetar a qualidade do policiamento nas ruas. O general concordou com a bravata de Mendes. Se perguntarem a eles se podem assumir o comando do governo, provavelmente responderão prontamente que sim. Não tem tempo ruim para a dupla de guerreiros.

Uma sugestão republicana para a oposição ao governo tucano: pedir um exame psicotécnico para os integrantes do primeiro escalão do governo Yeda, incluindo a própria mandatária. Pode causar um estrago maior do que o da CPI do Detran.

Foto: Jefferson Bernardes/Palácio Piratini

Terça-feira, 29 de Julho de 2008

O general de Yeda Crusius

Crise continua sendo a palavra de ordem do governo Yeda. Passado o furacão da fraude do Detran que fez voar para longe do Piratini meia dúzia de cabeças do primeiro escalão – Busatto, Culau, Martini, Cavalcanti, Vaz Netto, Maciel... – inventou-se um aleijão institucional estramboticamente denominado "gabinete de transição". Formado por um representante de cada partido da base, o "gabinete" deveria dar fim à crise ética do governo, reorganizar o apoio partidário de Yeda e formular critérios para uma redistribuição dos cargos de confiança.

Veio a tal "carta-compromisso" anunciando códigos de ética e novos órgãos de combate à corrupção (parece oportuno lembrar que Yeda assumiu prometendo diminuir o número de secretarias). Mas nem a mãozinha da mídia amiga que tratou como notícia o que não passava de factóide, foi capaz de impedir que a usina de crises continuasse gerando notícias ruins. Novas denúncias na Procergs e em outros órgãos do governo indicam que a falta de ética não foi superada e os partidos seguem brigando por cargos do segundo escalão. Não bastasse a insurreição aliada, na semana passada Yeda recebeu o pedido de demissão de José Francisco Mallmann, o 13º secretário a deixar sua administração.

Mallmann foi a resposta de Yeda à ruidosa saída de Ênio Bacci (que descobriu a fraude do Detran, avisou Yeda e foi demitido). Com ele, a Segurança ganhava um secretário de reconhecida capacidade técnica. "Vamos trocar os holofotes por luzes", disse Yeda na posse do homem que no currículo ostentava uma passagem pela Superintendência da Polícia Federal gaúcha. Virtude que, para a governadora, virou defeito quando uma operação da própria PF (Rodin) quase acabou com seu governo sem que ela tivesse sido informada previamente.

Dali em diante, Yeda não perdia uma oportunidade de ofuscar a "luz" do secretário. Nomeou subordinados sem ouvi-lo, reuniu-se com oficiais sem comunicá-lo e dispensou cargos de confiança sem pedir-lhe a opinião. Mallmann pediu demissão e sua saída, embora considerada natural por alguns, aumenta o grau de incertezas num governo que, em crise permanente, talvez não devesse ter jogado fora um quadro sereno e pouco afeito à polêmicas como o delegado. Sua saída ainda não foi dimensionada, mas o simples fato de, para o seu lugar, ter sido nomeado um homem que se preparou para a guerra (o novo secretário, Edson Goularte, é general aposentado do Exército), não é propriamente uma sinalização de paz. (Maneco)

Foto: Jefferson Bernardes/Palácio Piratini

Para Ugeirm, 3° secretário em um ano e meio é má notícia para Segurança Pública do RS

Kayser

O Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do RS (Ugeirm) divulgou boletim analisando a saída de José Francisco Mallmann, da Secretaria de Segurança. Para o sindicato, o principal problema da saída é que em um ano e meio já são três titulares da pasta, o que afeta a continuidade de qualquer política para o setor. A posição da entidade:

“É direito de Yeda Crusius nomear quem ela bem quiser para a pasta. Cargo de confiança é assim, reza a regra democrática. O sindicato manifesta respeito ao nome do general Edson Goularte. Para quem dizia, no livrinho azul da campanha, que a área teria gestão técnica, profissional, a entrada de Enio Bacci foi dissonante. A saída de Mallmann, outra surpresa, sem explicação convincente. Até onde se sabe, Exército não trata de segurança pública. Mas isso é detalhe. Candidatos de todos os partidos mentem durante a campanha”.

“O problema real é outro. Em um ano e meio, já são três titulares na pasta. Isso é má notícia para a continuidade de trabalhos, não há como dourar a pílula. O governo se comunica mal e o troca-troca de secretários dá aos policiais a sensação de sempre começar negociações do zero. A Susepe está em greve - a BM já ocupa presídios, além de tocar música para a governadora aniversariante. Yeda não nos recebe. O sindicato deverá, no menor tempo possível, agendar audiência com o novo secretário para deixá-lo a par da crescente insatisfação da nossa categoria e do calendário de paralisações já aprovado”.

“A Ugeirm, até onde se sabe, foi a única entidade da segurança a se manifestar favoravelmente à permanência de Mallmann. Não que o ex-secretário não tenha defeitos, ou não seja merecedor de críticas. Sem autoridade para negociar aposentadoria e reajuste salarial, encaminhou demandas. Nessa perspectiva, poderia ser classificado como fraco. Todavia, como nós bem sabemos, Mallmann também cumpria ordens superiores. Se não tinha autorização para tratar de nossas reivindicações, o que ele fez? Nada? Ledo engano”.

“Foi Mallmann quem determinou à Chefia de Polícia um enxugamento da quantidade de regionais e de planejamento para a criação de novas delegacias (leia-se: constranger a fábrica de substituições que custa cerca 500 mil reais por mês). Ele também teve a coragem de dizer a verdade a uma provocação sindical: agente que cumpre atribuição de delegado comete crimes. Quando a Sefaz inventou justificativa técnica falsa para o corte de horas-extras, a assessoria da Segurança, simplesmente, disse desconhecer os cálculos. Para bom entendedor, pingo é letra”.

Sábado, 26 de Julho de 2008

Yeda Crusius, Mallmann e "o lado de lá"


No auge da crise política desencadeada pela sucessão de escândalos e denúncias de corrupção envolvendo seu governo, a governadora Yeda Crusius (PSDB) reclamou da atuação da Polícia Federal. “A gente nunca sabe o que vem do lado de lá”, protestou Yeda. O “lado de lá”, no caso, era a Polícia Federal. Agora, nas versões sobre a demissão do secretário estadual de Segurança Pública, José Francisco Mallmann, fala-se na irritação da governadora com o secretário, no desenrolar da Operação Rodin. Yeda acha que Mallmann, um quadro da Polícia Federal, deveria tê-la informado sobre as investigações que estavam em curso sobre o Detran. Em outras palavras, queria que o secretário fornecesse informações privilegiadas para o centro do governo. Desde lá, a governadora teria perdido a confiança em seu secretário de segurança.

Nas versões oficiais sobre a demissão, ambos negam que isso tenha ocorrido, assim como negam qualquer tipo de problema. A saída de Mallmann seria um fato rotineiro de governo. No caso do governo Yeda, há sem dúvida um elemento de rotina na queda de um secretário, considerando a freqüência com que ocorre. Mas até as luminárias do Palácio Piratini sabem que Mallmann saiu, entre outras razões, por que a governadora perdeu a “confiança” no seu subordinado que, para ela, agiu como se fosse “do lado de lá”. Quem tem mais experiência com a área da segurança pública, aposta que Yeda cometeu mais um grave erro em seu governo, abrindo o flanco para uma nova crise neste setor sempre sensível. As duas principais corporações da área, Brigada Militar e Polícia Civil, já dão sinais de uma acirrada luta interna para assumir o comando da área. A saída de Mallmann destampou uma panela que ameaça explodir.

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Brigada Militar ainda não explicou morte de segurança da Assembléia Legislativa


A morte do inspetor de segurança da Assembléia Legislativa gaúcha, Silvio Antônio Pereira Gonçalves, na madrugada de terça-feira, está muito mal explicada. O deputado Raul Pont (PT) pediu hoje que a direção da Assembléia e o Ministério Público Estadual investiguem o caso com rigor, diante das tentativas de encobrir os motivos da morte. Segundo relato de testemunhas, Gonçalves levou 45 minutos para ser transportado por policiais militares do posto de gasolina situado na confluência da Avenida João Pessoa com a Rua Venâncio Aires, no bairro Cidade Baixa, onde teria chegado durante a madrugada, até o Hospital de Pronto Socorro, na esquina da Rua Venâncio Aires com a Avenida Osvaldo Aranha. Ele deixou o posto às 4h45 e deu entrada no hospital às 5h25. No HPS, foi atendido no setor de politraumatismo e morreu às 18h10 de terça com evidências de brutal espancamento.

“As informações são imprecisas e misteriosas. Não podemos aceitar a versão de que este cidadão que foi servidor concursado da Casa tenha quebrado a loja de conveniência, como diz um jornal da capital. Como explicar o fato dele não ter a mínima condição de sequer dizer o seu próprio nome?”, indagou Raul Pont. Uma enfermeira relatou que uma viatura da Brigada Militar atirou o rapaz no chão do pátio interno do HPS sem nenhuma responsabilidade. Até a tarde desta quarta, a polícia ainda não havia identificado quem estava na viatura. Para Pont, tudo leva a crer que está havendo uma blindagem para esconder os fatos com o propósito de prejudicar os esclarecimentos deste crime hediondo. “Ninguém nega que ele tenha saído com vida do posto e que foi entregue em estado de coma no HPS. Mas que segurança este cidadão teve da polícia militar que tinha a obrigação de resguardar a sua integridade física?”, questionou.

Com a palavra o coronel Mendes, comandante da Brigada Militar.

Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Sensação de segurança: 10 taxistas são assaltados por dia em Porto Alegre


Cerca de 150 pessoas participaram, ontem (7) de um protesto, na avenida Érico Veríssimo, contra a violência contra os taxistas em Porto Alegre. Os motoristas de táxi participaram de uma missa para relembrar os cinco meses da morte de Luís Carlos Belmonte, assassinado em fevereiro, na Lomba do Pinheiro. Segundo o vice-presidente da Cooperativa dos Motoristas e Proprietários de Veículos de Aluguel (Cooperaux), Mário Netto, não está sendo cumprido o acordo feito pela Secretaria de Segurança Pública com os taxistas, em audiência pública realizada em abril deste ano. Naquela ocasião, as autoridades do governo estadual prometeram realizar barreiras e blitz também para os táxis. “Desde abril não vimos nenhuma atitude”, protestou Netto. Conforme os dados da cooperativa, cerca de 10 taxistas são assaltados por dia em Porto Alegre.

Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Policiais civis cruzam os braços nesta quinta


Policiais civis farão uma paralisação durante todo o dia nesta quinta-feira (3). Somente os registros de crimes graves (homicídio, latrocínio, estupro, entre outros) serão mantidos. A categoria cobra ações da governadora Yeda Crusius para reivindicações que já foram apresentadas e reiteradas a diversos interlocutores desde o início do atual governo. Além de reajuste salarial, os policiais querem discutir um plano de carreira e solução para o direito de aposentadoria para quem exerce atividade de risco. Esse direito é previsto na Constituição Federal (artigo 40, § 4°), mas vem sendo negado pelo governo. Em janeiro deste ano, durante audiência, a governadora prometeu fazer encaminhamentos, mas nada, de fato, aconteceu. A paralisação é organizada pelo Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul (Ugeirm).

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Secretário da Segurança na berlinda


A temperatura segue aumentando nos bastidores do setor de Segurança Pública. A possível saída do secretário José Francisco Mallmann (foto) é um tema que já provoca uma onda de especulações sobre nomes que o substituiriam na pasta. O presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep), Wilson Muller Rodrigues, divulgou nota oficial desautorizando especulações em torno de seu nome, mas dizendo que não abre mão de criticar a atual gestão. A nota afirma:

“O presidente da Asdep-RS desautoriza qualquer especulação envolvendo seu nome em relação a eventual substituição do Secretário de Segurança Pública. A posição da Asdep-RS é, e sempre foi, a de colaborar com todas as autoridades da área da segurança pública, e não desestabilizá-las. Isso não significa, contudo, que esta entidade deva se abster de criticar aspectos que não considera os mais adequados para a categoria dos Delegados de Polícia e para o melhor enfrentamento da criminalidade”.

A posição de Mallmann é delicada.

Policiais lavam calçadas do Palácio Piratini


Policiais civis, servidores do Instituto Geral de Perícias (IGP) e da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) lavaram as calçadas em frente ao Palácio Piratini, na tarde desta quarta-feira, em protesto contra a corrupção no governo Yeda Crusius (PSDB) e em defesa dos direitos dos servidores da área da segurança. Os manifestantes pediram o fim da corrupção e a recuperação do dinheiro roubado do Detran para investimentos na área da segurança. Além disso, exigiram uma audiência com a governadora para cobrar as promessas feitas por Yeda no início do ano.

Foto: Eduardo Quadros

Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Policiais farão ato no Palácio Piratini contra corrupção e pela segurança pública

O Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Polícia Civil (Ugeirm Sindicato), o Sindicato dos Agentes, Monitores e Auxiliares Penitenciários (Amapergs Sindicato) e o Sindicato dos Servidores do Instituto Geral de Perícias (Sindiperícias) reúnem-se nesta sexta-feira, a partir das 10 horas, para tratar da organização e da pauta de reivindicações do Ato Contra a Corrupção e pela Segurança Pública que será realizado na próxima semana, dia 18 de junho, em frente ao Palácio Piratini. Os servidores da área da segurança aguardam desde janeiro um posicionamento da governadora sobre reposição salarial, pagamento das horas-extras cumpridas mas não pagas e do reconhecimento da aposentadoria especial das referidas categorias.

Na avaliação do presidente do Ugeirm, Isaac Ortiz, o cenário político gaúcho sofreu rápida deterioração e as perspectivas de negociação com o governo, que sempre foram muito ruins, estão zeradas. “Antes, não tínhamos interlocutores autorizados a negociar, por determinação expressa de Yeda. Agora, não sabemos nem a quem levar nossas reivindicações. A governadora retirou toda autoridade de todos os secretários. “O governo está paralisado e não está disposto a investigar ilícitos”, diz Ortiz.

Para o presidente do Ugeirm, “é falso o discurso de que não tem dinheiro e as provas vieram com a denúncia de crimes de desvio de recursos públicos. Busatto disse que tem dinheiro de estatais para financiar campanhas eleitorais. Dinheiro falta para gente, não para a corja. Vamos organizar nossa base e fazer um movimento forte de cobrança”.

O coronel Mendes vai aparecer?

Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Carros de luxo têm preferência


O jornal Zero Hora não dedica uma só linha, em sua edição desta terça-feira, à matéria do jornalista Giovani Grizotti, do próprio grupo RBS, que denuncia o envolvimento de policiais civis e militares gaúchos com a máfia dos caça-níqueis (ver nota abaixo). Exibida ontem à noite na RBS TV e também no Jornal Nacional, a matéria foi tema de um grande silêncio hoje em ZH, que dedica sua manchete a um outro assunto policial: a ação da polícia contra uma quadrilha especializada em roubar carros de luxo em “bairros nobres” da capital.

Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

A Segurança Pública, a máfia dos caça-níqueis e as lembranças de uma famosa CPI


Uma das acusações feitas ao governo Olívio Dutra (PT) durante a CPI da Segurança Pública foi a de envolvimento com a máfia da jogatina (bingos, caça-níqueis, etc.). Esta e outras acusações feitas pelo então relator da CPI, deputado Vieira da Cunha (PDT), foram arquivadas pelo Ministério Público por falta de provas. O tempo passou, veio o governo Germano Rigotto (PMDB) e uma “nova era” na Segurança Pública. O secretário de Segurança daquele governo, José Otávio Germano (PP) prometeu devolver a auto-estima aos policiais, que teria sido atingida durante o governo Olívio. O tempo passou, veio o governo Yeda Crusius (PSDB). No primeiro ano deste governo, a Polícia Federal estourou um esquema de fraude no Detran – subordinado à Secretaria da Segurança até o início de 2007 – que estaria operando desde 2003, início do governo Rigotto.

O tempo passou, veio a CPI do Detran para investigar a fraude. Em meio às investigações da CPI, nesta segunda-feira, uma nova denúncia aponta o envolvimento de policiais civis e militares gaúchos com a máfia dos caça-níqueis. Matéria do jornalista Giovani Grizotti, da RBS TV, mostra que policiais receberiam propina para fazer a segurança da máfia de caça-níqueis, inclusive avisando os criminosos sobre eventuais batidas.

Na matéria, um funcionário de uma oficina em Porto Alegre diz que vende até 40 caça-níqueis por mês, por R$ 1,6 mil cada uma. O estabelecimento também aluga as máquinas em troca da metade do lucro recebido. Segundo depoimentos apresentados na matéria, policiais recebem propina para garantir o funcionamento do negócio. O valor pago varia de acordo com o número de máquinas. A propina seria mensal (R$ 25,00 por máquina) ou na forma de percentual sobre o total do faturamento. Considerando o número de caça-níqueis funcionando em Porto Alegre, o valor total da propina mensal paga a policiais estaria na casa dos milhares de reais.

A nova denúncia envolvendo a área da segurança deixa uma pergunta no ar: o que é mesmo que aconteceu com a Segurança Pública do RS após aquela famosa CPI???

Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Crackolândias, quadrilhas e CPIs

“A existência de uma crackolândia do lado de fora da Secretaria Estadual de Segurança não chega a ser uma surpresa. O pior é que, até bem pouco tempo, tinha uma quadrilha agindo dentro da secretaria, a quadrilha do Detran”.

Afirmação de Isaac Ortiz, presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul (Ugeirm/Sindicato), durante o programa Conversas Cruzadas (TV COM/RBS), na noite desta terça. O diagnóstico dos policiais presentes ao debate é um só: a situação da Segurança Pública no RS é caótica.

O site da Ugeirm exibe em sua página inicial uma foto da casa que a governadora Yeda Crusius comprou ao final da campanha eleitoral de 2006, com o seguinte texto:

“A foto aí do lado é da casa da governadora, que entrou e saiu do noticiário sem maiores explicações de Yeda Crusius. Não existe investigação da CPI do Detran sobre o imóvel, do mesmo modo que não há, até agora, informações sobre os recursos que permitiram a compra da casa por declarados 750 mil reais. Enquanto o dinheiro do Detran faz falta, muita falta, à Polícia Civil gaúcha, Yeda atrasa promoções, constrange a aposentadoria especial e corta horas-extras dos agentes policiais. O governo faz água e Yeda segue dizendo ter coragem para fazer ‘mais com menos’”.

Em tempos recentes, diagnósticos sobre a situação caótica da Segurança acabaram em CPI. No governo passado, assumiu um secretário que prometeu resgatar a auto-estima da polícia e dirigir a pasta “sem freio de mão”. Como se viu na Operação Rodin, o funcionamento interno da secretaria teve sérios problemas de freios mesmo. Curiosas ironias da história...