
O auditor-substituto Aderbal Torres de Amorim denunciou hoje, em depoimento na Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle, da Assembléia Legislativa, que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) está “impregnado de irregularidades”, que merecem ser investigadas por uma Comissão Parlamentar de Inquérito. “Não hesitaria em propor uma CPI para investigar aquela Casa”, disse Amorim, mais antigo integrante do TCE-RS. Entre as irregularidades, o auditor citou a prática do nepotismo, o elevado reembolso de diárias por parte de alguns conselheiros e um número exagerado de cargos de confiança (CCs), em sua grande maioria, parentes de integrantes do tribunal. Para ele, os problemas em estatais e departamentos como o Detran, Daer e Banrisul são resultado da omissão do TCE.
Segundo Amorim, convidado a falar na comissão pelo deputado Raul Pont (PT), há cerca de 10 CCs por conselheiro do tribunal, “alguns inclusive instruindo processos, o que é de uma gravidade brutal”. “Posso dizer isto porque não tenho nenhum CC”, destacou. O Parlamento, alfinetou o auditor, “muitas vezes distrai-se na escolha dos seus para comporem os Tribunais de Contas”. Ele também criticou a proposta do conselheiro Victor Faccioni para a criação de um Conselho de Tribunais de Contas. “É um atentado à razão, é terrível, de brutal inconstitucionalidade. Visa apenas criar mais cargos, mais diárias e viagens”. Amorim relatou que vive uma luta desigual no TCE, onde está sozinho e é chamado de mentiroso na imprensa.
Citou o caso do conselheiro Porfírio Peixoto que tem afirmado que realizou uma auditoria interna a partir de suas denúncias, mas a auditoria apontou que não há irregularidades no órgão. “Ele abafou tudo e não a fala a verdade publicamente, sustenta-se em cima de vários cargos em comissão, inclusive no controle da imprensa do órgão”, denunciou. Amorim acusou Peixoto e os conselheiros Helio Mileski e Victor Faccioni de embolsarem R$ 761 mil reais em diárias, entre os anos de 2000 e 2005. E denunciou a existência de três tipos de nepotismo no TCE: direto, cruzado e em rodízio. "O Porfírio Peixoto, por exemplo, tem um primo, uma prima, um concunhado, um sobrinho e uma sobrinha dele e da senhora dele empregados lá. O Mileski tem dois filhos em cargos trocados com dois procuradores de Justiça e em seu gabinete estão dois filhos de desembargadores". Amorim só isentou dessa prática o Ministério Público de Contas.
O auditor também manifestou estranheza em relação ao fato de que, a cada três pedidos de revisão de processos, dois são julgados procedentes e apontou escritórios de advocacia que freqüentemente obtém sucessos nessas revisões. Por fim, confirmou suspeita levantada pela CPI do Detran (a partir de uma conversa entre um conselheiro do TCE e o ex-diretor do Detran, Flávio Vaz Netto) sobre o desaparecimento da representação do MP de Contas contra o órgão um dia antes do pedido ingressar no Pleno do TCE.
Com informações da Agência de Notícias da Assembléia (Foto: Marco Couto/Agência Assembléia)