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Sábado, 16 de Agosto de 2008

"Como se fossem os donos da rua"


“Como se fossem os donos da rua”. Esse é o título da matéria publicada neste sábado no jornal Zero Hora. Uma pauta recorrente do grupo RBS, sempre pronto a chamar atenção para o comportamento dos moradores de rua.

“Pedintes se apropriaram de esquinas da Avenida Ipiranga, onde moram e conseguem seu sustento abordando motoristas nas sinaleiras para pedir dinheiro, com freqüência de maneira agressiva”, destaca a reportagem.

Esses moradores de rua não tomam jeito mesmo. Quem estão pensando que são, querendo se adonar das ruas e prejudicando a paisagem da cidade? Por que eles não se colocam no seu lugar, seja ele qual for?

O que seria dos homens e mulheres de bem deste Estado se não houvesse a RBS para zelar por sua segurança...

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Rui Portanova e o interrogatório de Zero Hora


Os "homens de bem" do Estado ainda não começaram a falar mal de Rui Portanova. Publicamente. Mas por baixo dos panos já é forte a resistência à notícia de que o desembargador gaúcho recebeu, em 1999, um representante das Farc. No cafezinho da Assembléia Legislativa nesta sexta-feira, uma conversa dava o tom da reação: "Alguém devia escrever alguma coisa sobre isso. Eu vou falar com o nosso amigo da coluna..." prometia o assessor de um partido que em outros tempos já se chamou Arena. "É, tá na hora mesmo. Aliás, já passou da hora" concordou um complacente colega de bancada.

A indignação se deu diante da página 5 de Zero Hora de hoje que amplifica a informação publicada pela revista semanal colombiana Cambio. A matéria de capa do semanário leva o título "Dossiê Brasil" e revela trechos de e-mails escritos por Raúl Reyes, ex-porta-voz internacional das Farc. Reyes, cujo nome verdadeiro era Luis Edgar Devia, foi morto na ainda nebulosa ação que o exército da Colômbia realizou em território equatoriano em 1 de março deste ano.

Nos e-mails do porta-voz, descobertos depois da emboscada, Portanova é classificado por Reyes como "amigo nosso". E a explicação é que em 1999, o desembargador recebeu em seu gabinete o colombiano Hernán Ramírez, que visitava o Estado como representante das Farc e pedira um contato com algum juiz de esquerda. "Sobrou para mim. Sempre fui conhecido como alternativo, apesar de não ter vínculos com partidos. Afinal, sou juiz", contou Portanova na entrevista para Zero Hora. "O senhor acha normal um desembargador brasileiro manter contatos com uma guerrilha? O senhor contribuiu com dinheiro para as Farc?", cutuca o repórter. Portanova, impassível, responde: "Acho normal, foi por curiosidade. Não contribuí com dinheiro, apesar de muito juiz de direita contribuir com deputados por aí".

Zero Hora não disfarça o inconformismo e repete a pergunta para o Tribunal de Justiça que manda dizer, via assessoria, que "se trata de tema de foro íntimo"; a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e o Conselho nacional de Justiça (CNJ) também ignoram o assunto, mas Zero Hora não se dá por vencida e dedica uma página inteira ao tema. Uma não, três. As outras duas páginas se dedicam a detalhar as relações com o PT, o governo Lula e algumas figuras proeminentes do partido no Estado. Mais uma tentativa, desta vez com a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) onde o presidente, Carlos Marchionatti considera oportuno lembrar que "cada brasileiro tem o direito de ter opinião e ideologia" ressaltando que "isso deve ser respeitado".

O Espaço Vital, que se apresenta como "o melhor saite jurídico da internet brasileira", também tratou do tema, mas diferente de Zero Hora (que define Portanova como o juiz que ficou "famoso por decisões favoráveis ao MST"), traça um perfil de Portanova a partir da opinião de quem o conhece bem, advogados e magistrados: "Rui Portanova, 58 de idade - na visão de advogados e magistrados com quem o editor do Espaço Vital tem contato - é tido como um magistrado conhecido nacionalmente e respeitado por suas posições favoráveis a um Judiciário mais sensível às questões sociais. Portanova é avesso ao formalismo, evita o uso da toga e despreza o título de desembargador. Os que circulam no andar do prédio do TJ-RS onde Portanova tem seu gabinete, sabem que ele é o único a descartar a referência pessoal a desembargador. Na porta principal de acesso, uma placa identifica simplesmente ´Rui Portanova´. Sempre que estiver no TJRS, ele atende advogados e partes. Independentemente de hora marcada." (Maneco)

Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

De como aprender a amar Yeda


Ayrton Centeno

Embora às voltas com Laíres e Culaus e ouvindo seu vice pedir a abertura de uma nova CPI para investigar o Banrisul, Yeda teve mais manchetes positivas em Zero Hora que o governo Lula.

O que diriam Zero Hora e seus pares se o vice-presidente José Alencar gravasse uma proposta indecente da ministra Dilma Roussef, acompanhada do detalhamento de como funciona a pilhagem no coração do governo, citando partidos beneficiados e estatais extorquidas? E se Alencar não apenas gravasse o tête-à-tête com a chefia da Casa Civil como o levasse a uma CPI? E o diálogo escabroso, quase imediatamente, se tornasse público? O Armagedom seria uma figura pálida para descrever os dias, meses e anos que se seguiriam.

Pois na província do Rio Grande de São Pedro foi isto o que aconteceu. Ocorre que, nesta terra, os jornais são os mesmos, mas o governo é outro. E isto faz toda a diferença. No ano da graça de 2008, as trombetas do Apocalipse soaram para o governo Yeda Crusius. Porém, nas páginas de ZH, não reverberaram tanto quanto poderia se esperar de um jornal que promete “a vida por todos os lados”. É o que aponta a última “pesquisa” - assim, entre aspas, para não se dar a idéia de uma pretensão de ciência que não se tem e nem se poderia ter – sobre as manchetes de capa do diário. Em abril, publicou-se o primeiro levantamento do gênero abrangendo uma avaliação do primeiro trimestre. Agora é a vez do semestre.

Apenas para recordar: a “pesquisa” descarta as manchetes ditas neutras – as que tratam de assuntos de cidade, ciência e tecnologia, festas, polícia, trânsito, esporte, tragédias, meteorologia, turismo, marketing próprio etc. Retém somente as manchetes políticas, que abordam ações ou omissões das várias instâncias do Executivo e de seus aliados. Estas são as que interessam. São elas que, mesmo lidas num relance, ajudam a construir e destruir, simbolicamente, personagens, propostas e políticas. Procura-se então classificá-las conforme facilitem ou atrapalhem a vida deste ou daquele governo, de suas políticas e de suas alianças. Como ZH não gasta sua beleza com Porto Alegre, a esfera municipal, com suas mazelas ou virtudes, quase nunca ganha a capa. O cotejo acontece então, basicamente, entre as administrações estadual e federal e as leituras que são oferecidas do Rio Grande do Sul sob Yeda e do Brasil sob Lula.

É assim que, nos seis primeiros meses do ano, ZH reservou 32,5% de suas manchetes de capa políticas para abordagens negativas relacionadas ao Governo Lula, suas políticas e suas alianças – no parlamento ou na sociedade - além do Brasil. E reservou somente 8,5% delas para enfoques positivos, percentual praticamente quatro vezes menor. O Governo Yeda, seus aliados, suas políticas e o Rio Grande receberam 31,3% de manchetes de capa favoráveis e 27,7% desfavoráveis. Um lucro de 3,6%. Nada mau se considerarmos que, em 2008, por obra da política – e não da física – o Rio Grande subverteu sua própria matéria, transitando do estado sólido ao gasoso. Nada mau para a gestora desta política que, aliás, já jogou ao mar boa parte do primeiro escalão no esforço de salvar a pele. Como os dois partidos que encabeçam uma e outra gestão polarizam a disputa eleitoral no país, é possível dizer que quase dois terços (63,8%) das manchetes de capa políticas no semestre favoreceram Yeda/aliados/políticas/Estado e desfavoreceram Lula/aliados/políticas/país.

Nada de novo sob o Sol. Este é o modus operandi da mídia, através dos processos de ocultação ou exposição. As palavras e o papel nem sempre cultivam uma relação amistosa com os fatos e a vida. Veja-se o caso de maio. Naquele mês, goste-se ou não, ocorreram algumas conquistas importantes para o Governo Lula e o Brasil além de qualquer subjetivismo: o avanço do emprego com carteira assinada escalou novo recorde; o volume de negócios na Bolsa de Valores de São Paulo atingiu patamares inéditos; a Petrobrás ultrapassou a Microsoft, tornando-se a terceira maior empresa das Américas; as vendas deram um salto no Dia das Mães, deixando os lojistas com a boca nas orelhas; a ministra Dilma sovou a oposição e sepultou a CPI dos Cartões; e a popularidade de Lula, segundo todos os institutos de pesquisa, bateu nos cornos da Lua.

Nada disso foi manchete de capa. Apenas a conquista (01/05) do investment grade. Em suma, o mundo real reservou boas notícias para o governo federal e o país. No entanto, vista através das lentes de ZH, esta mesma realidade transmutou-se no seu exato inverso. ZH obsequiou o Governo Lula, suas alianças, suas políticas e a agenda do Brasil com 43,7% das manchetes de capa negativas. E somente 6,2% das positivas. Embora às voltas com Laíres e Culaus e ouvindo seu vice pedir a abertura de uma nova CPI para investigar o Banrisul, Yeda teve sorte melhor. Seu governo, seus aliados, suas políticas e o Rio Grande receberam 37,5% das manchetes negativas e 12,5% das positivas...

É verdade que Yeda não viajou em céu de brigadeiro nas últimas semanas. Para quem foi acarinhada com 40% das manchetes políticas favoráveis de ZH no primeiro trimestre (apenas 12,5% das contrárias), junho foi um mês complicado para a governadora até no jornal dos Sirotsky. Foram apenas 22,7% manchetes favoráveis contra 40,9% negativas. Também pudera: pode-se duvidar da RBS, mas não de seu senso de sobrevivência...

Mas junho até que começou bem para a governadora. As primeiras capas foram de pura desconversa. ZH deu-se ao direito até, no dia 4, de apresentar uma manchete tão glacial (“Avança plano de transferir presos e demolir o Central”) que nela se poderia embrulhar um linguado e mantê-lo em perfeito estado de conservação por, no mínimo, três meses. Manchete, aliás, que remetia a apenas uma página de texto. Na mesma edição, a redação produzira três páginas com a revelação dos diálogos gravados pela PF, que desmascarou uma enfiada de patranhas ditas na CPI do Detran. Não foi suficiente para galgar a condição de principal fato da capa. Mas o dia seguinte seria notável: 133 edições após a manchete inaugural sobre a esbórnia do Detran, pela primeira vez ZH pespegaria o nome da governadora no principal título da capa sobre o escândalo (“Escutas convencem CPI a convocar o secretário de Governo de Yeda”).

No dia 7, o cataclisma: “Diálogo gravado por Feijó abala o Piratini”. No day after das busatices e feijoladas, é impossível sair da pauta: “Sucessão de crises força Yeda a repensar governo”. No terceiro dia, uma baixada de bola: “Após atrito com aliados, Yeda prefere PSDB no comando da Casa Civil”. Aqui, ZH adota um tom de “recomeço”, e traduz o caos chamado Yeda por “atritos”. No quarto dia – bingo! -- a governadora está governando: “Yeda anuncia gabinete de transição e pente-fino em estatais sob suspeita” (10/06). Não se fala mais sequer em “atritos”. O enfoque é de que Yeda vive, está ativa e tomando providências, plasmado em um título que a assessoria de imprensa do Palácio Piratini teria dificuldades intransponíveis para tornar mais oficial. O gabinete de transição - redigido sem aspas! - é apresentado de modo acrítico, como se não fosse o refulgente factóide que corporifica. No quinto dia, Yeda some da manchete de capa, que se volta para o Tribunal de Contas. E no sexto dia, um velho e bom lombo para bater: “Câmara aprova a volta do imposto do cheque”.

Assim, em seis dias, mesmo tempo que Deus empregou para criar o mundo segundo a Bíblia, ZH recriou uma governadora e um governo. Como um espelho mágico que distorce e doura a percepção das coisas, opera para proteger ambos – e a seus leitores, aqueles que são “donos de um jornal” - desta entidade horrenda chamada Realidade dos Fatos. Yeda volta então ao seu reino encantado, situado em uma galáxia perdida no cosmos, onde sempre conviveu harmoniosamente com elfos, duendes, ninfas, miragens, espectros e, pelo que se descobriu, ogros.

Domingo, 6 de Julho de 2008

Zero Fora tem novo endereço


Cássio (A Carapuça) comunica que a página do Zero Fora foi saída do IG e está em novo endereço:

“Depois de 6 anos no IG, a página do Zero Fora foi retirada do ar. Após passarmos a divulgar notícias sobre Paulo Henrique Amorim e Daniel Dantas. Inicialmente foi cortado o acesso e posteriormente a página foi retirada do ar. Mas, como já esperávamos por isso, tudo o que foi feito, está guardado em CD. Outra coisa interessante é que o espaço ocupado no provedor do IG era 10 vezes maior o admitido. A Cláudia (Dialógico) já havia reservado espaço para o blog, que já está no ar.

http://zerofora.blogspot.com/

Já tem uma enquete...Quanto ao envolvimento de Yeda Crusius com a Máfia do DETRAN-RS. O banner está em construção. O modelo de 3 colunas foi enviado pelo Guga (Alma da Geral). Os principais documentos serão realocados no blog para referência. Acreditamos, acima de tudo, que sem a "reforma agrária" nos meios de comunicação, nossa democracia não avançará sem gerar conflitos importantes”.

Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

A crise virou atrito?


O governo Yeda Crusius e seus aliados passaram o final de semana tentando elaborar um argumento para a superação da crise. A linha geral do mesmo está exposta na capa do jornal Zero Hora nesta segunda-feira. “Após atrito com aliados, Yeda prefere PSDB no comando da Casa Civil”. Resumo da obra: a crise teria virado atrito e está em curso a “terceira fase do governo Yeda” .

Os representantes do PIB gaúcho passaram o final de semana aguardando a decisão do PMDB e do PP sobre sua permanência ou não na base do governo. Decidida a permanência, partiu-se para o aprofundamento da tática de apresentar o “irmãozinho” Cézar Busatto como vítima de uma armação e reforçar os ataques ao vice-governador Paulo Feijó, agora ameaçado de expulsão pela direção nacional do DEM por estar “prejudicando uma importante aliada”. São essas algumas das principais armas com as quais o governo tucano inicia a semana.

Ver também análise de Cristóvão Feil, no Diário Gauche.

Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Carros de luxo têm preferência


O jornal Zero Hora não dedica uma só linha, em sua edição desta terça-feira, à matéria do jornalista Giovani Grizotti, do próprio grupo RBS, que denuncia o envolvimento de policiais civis e militares gaúchos com a máfia dos caça-níqueis (ver nota abaixo). Exibida ontem à noite na RBS TV e também no Jornal Nacional, a matéria foi tema de um grande silêncio hoje em ZH, que dedica sua manchete a um outro assunto policial: a ação da polícia contra uma quadrilha especializada em roubar carros de luxo em “bairros nobres” da capital.

Sábado, 17 de Maio de 2008

Deputado divulga imagens para desmentir matéria de ZH contra sem-terra

O mandato do deputado estadual Dionilso Marcon (PT) divulgou hoje um vídeo para desmentir matéria do jornalista Humberto Trezzi publicada na edição dominical do jornal Zero Hora, segundo a qual agricultores sem-terra teriam praticado atos de vandalismo na fazenda Southall, no município de São Gabriel. O vídeo mostra que a sede da fazenda está em completo abandono e em péssimas condições de manutenção desde antes da chegada dos sem-terra.



Segundo Marcon, “Zero Hora mais uma vez tenta associar a imagem de agricultores sem terra a de bárbaros saqueadores com cartilhas guerrilheiras”. Para o deputado, as imagens comprovam que a operação de guerra montada pelo governo Yeda para recuperar objetos supostamente furtados da fazenda não passou de uma farsa para humilhar os agricultores e que a dita sede “destruída” não resistiria a uma séria e criteriosa análise forense.

O que realmente cabe revelar, acrescenta Marcon, “é que o governo corrupto de Yeda Crusius, que deixou o Estado a mercê de um grupo de larápios, e que parte da imprensa tenta esconder, já desviou mais de R$ 44 milhões de reais dos cofres públicos, e necessita criar factóides para tapar o sol com a peneira”. Por trás de matérias contra movimentos sociais e agricultores como a publicada nessa edição de ZH dominical (18/05), diz ainda Marcon, escondem-se outros interesses.

“Por que não dizem que o governo Yeda como num circo, não o de Soleil, está armando uma grande arapuca para os gaúchos para reprivatizarr as estradas e tem na mídia um de seus principais apoiadores? “Tratar agricultores e agricultoras e os movimentos sociais como bandoleiros e facínoras não é novidade, assim como não é o fato de Porto Alegre ser hoje a capital nacional do homicídio, superando Rio, São Paulo e Salvador e que em apenas 1 ano já foram assassinados 49 PMs”, conclui o deputado.

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Zero Hora, rádio Gaúcha e Barrionuevo condenados por dano moral


Do site Espaço Vital: “As centenas de ações movidas contra a CEEE - com gigantescos reflexos na verba honorária centralizada numa só - tiveram reflexos cíveis, por ricochete, longe da Justiça do Trabalho. Numa ação reparatória por dano moral, a Sociedade de Advogados Trabalhistas Marcos Juliano Borges de Azevedo, obteve sentença a seu favor no valor de R$ 150.000,00 - que condena o jornal Zero Hora, a Rádio Gaúcha e o jornalista José Barrionuevo. Cálculo feito pelo Espaço Vital aponta o valor atualizado - e com juros - de R$ R$ 256.846,80”.

A sociedade de advogados e os profissionais individualmente afirmaram que, "ao longo de 20 anos exerceram a representação judicial da maioria dos funcionários da CEEE que buscavam na Justiça do Trabalho reconhecimento dos direitos não observados durante a relação empregatícia", admitindo que "os valores discutidos em muitos processos trabalhistas alcançaram valores elevados".

Segundo a petição inicial, "a partir do mês de agosto de 2003, o jornalista José Barrionuevo, mediante inserções no jornal Zero Hora e manifestações na Rádio Gaúcha, passou a causar constrangimentos aos autores pelo cunho que deu aos fatos, gerando, assim, o dever de reparação moral". Por isso, pediram fossem os réus condenados, solidariamente, ao pagamento de reparação por danos morais, levando em linha de conta os critérios apontados no art. 53 e incisos I e II da Lei de Imprensa". Clique AQUI para ler mais.

Sábado, 26 de Abril de 2008

A ilusão de ótica como critério jornalístico

Questionada por leitores sobre seu silêncio a respeito das declarações do delegado Luiz Fernando Tubino sobre a casa comprada pela governadora Yeda Crusius, no final de 2006, a colunista Rosane de Oliveira, de Zero Hora, escreveu.

Diante das cobranças que estão sendo feitas neste blog em relação à falta de uma análise minha do depoimento do delegado Luiz Fernando Tubino à CPI do Detran, esclareço que não pretendo fazer comentários sobre o que considero pauta e não notícia. O delegado Tubino disse que não tem provas das denúncias que fez. Logo, não tenho por que comentá-las. Vou comentar assim que houver fatos concretos.

Minha opinião sobre os fatos que o delegado Tubino cita é bem simples: eles são importantíssimos como ponto de partida para uma investigação — e o procurador Geraldo Da Camino os utiliza como subsídios — mas eu só posso tratá-los como consumados quando tiver alguma confirmação”.

A distinção entre pauta e notícia feita pela jornalista contradiz a prática de sua própria coluna, que já comentou sobre o episódio da casa, quando se tratou de divulgar a versão da governadora sobre o caso. No dia 18 de abril, a Página 10 publicou:

“Questionada no programa Gaúcha Atualidade sobre essa suspeita, Yeda disse que não tinha nenhum problema para explicar a compra da casa. Que era investimento de uma vida inteira – além do salário de governadora, ela e o marido são professores aposentados da UFRGS. Para comprar a casa por R$ 750 mil, Yeda disse que vendeu à vista seu apartamento de Brasília (R$ 385 mil), um imóvel em Capão da Canoa e um carro, financiou uma parte e tomou mais um empréstimo para obras de reforma, porque a casa tinha problemas”.

Ou seja, segundo o argumento da jornalista, ela só trataria de “fatos consumados”, que seriam as “notícias” e não de “pautas”. As explicações de Yeda são, assim, “notícia”. E as declarações do delegado, “pautas”, que só serão comentadas quando comprovadas. O critério de só falar sobre denúncias comprovadas (“fatos consumados”) não resiste à realidade da própria coluna em questão (e da prática cotidiana jornalística, em geral). Todas as denúncias que vieram à tona com a Operação Rodin não foram ainda, tecnicamente, “comprovadas”, no entanto, já foram objetos de quilômetros de “comentários”.

Sábado, 5 de Abril de 2008

A arte de desconstruir um governo e de construir uma ilusão

ZH não produziu uma só manchete claramente questionadora de alguma política do Governo Yeda ao longo de três meses. Zero de crítica. Para o jornal, a administração Yeda ronda a perfeição, pouco importando que no mundo real arraste-se com um desempenho constrangedor. Já o Governo Lula padece nas manchetes de ZH, embora no mundo real obtenha a aprovação da grande maioria da população e a imagem do presidente seja ótima de acordo com todas as pesquisas de opinião.

Ayrton Centeno



Expostas nas bancas e nas sinaleiras, apregoadas pela publicidade em cartazes, rádio e TV, percebidas mesmo pelos mais desatentos, as manchetes de capa são o hall, o espaço mais visitado dos jornais. Mesmo quando apenas vislumbrado, captado num relance, pode-se dizer que seu enunciado se aloja, de algum modo, na mente de leitores e de não-leitores. Por conta desta alta visibilidade, sem a pretensão de ciência que não posso ter, resolvi anotar e catalogar as manchetes de Zero Hora do último trimestre.

Sabe-se que, no jornal, a criação de manchetes de capa observa, num processo de defesa e ataque, alguns padrões de conteúdo. A barragem de fogo político e ideológico destina-se, quase sempre, ao Governo Lula. Sob o ataque das letras graúdas também costumam estar a base parlamentar do governo federal, os movimentos sociais, as propostas de superação da desigualdade, o Estado brasileiro, o próprio Brasil como um país fragilizado, indigno de confiança, os aliados do Governo Lula na América Latina, notadamente Hugo Chávez, Evo Morales, Fidel Castro, Rafael Correa. Aqui, tenta-se desconstruir o Brasil, Lula, seu governo, seus aliados, suas relações internacionais e seus projetos.


O afago benevolente vai para o Governo Yeda Crusius, o agronegócio, as papeleiras, o mercado e o Rio Grande. Aqui, ao inverso, a idéia é de construir o Grande Rio Grande mítico e empreendedor, cavalgando as propostas com o timbre do Piratini ou os planos de indústrias de se instalarem no Estado, muitas vezes montado apenas em intenções. Aqui, constrói-se uma quimera.

Alguém poderá dizer que não seria necessário dar-se a este trabalho já que a realidade nos informa disto suficientemente. Não deixará de ter certa razão. Mas custa apenas alguns minutos diários e uma dose de omeprazol para proteger as paredes do estômago. Além do mais, é bom escarafunchar estes escaninhos, saciar a curiosidade e perceber como se traduz em números e percentuais esta engrenagem de demolição e edificação de pessoas, partidos e poderes.

Provavelmente embalado pelo ócio de final de ano, comecei a registrar as capas sirostskianas no apagar das luzes de 2007, separando as manchetes em categorias. De pronto, descartei as vinculadas às investidas institucionais da RBS. No período, muitas capas de ZH foram dedicadas a si própria, ou seja, à agenda que implementou com sua campanha de trânsito. Neste movimento, os acidentes, as medidas das autoridades, as cifras de feridos e mortos são apropriados pela campanha e noticiados sob o logo e o slogan correspondentes. Coloquei de lado também àquelas que chamei de neutras. Somadas, as manchetes institucionais, auto-referenciadas, e as neutras são maioria absoluta no trimestre. São neutras - pelo menos dentro do proposto embora, de fato, nunca sejam neutras - geralmente as manchetes relacionadas às festas (Carnaval, Navegantes, Natal, Ano Novo), tragédias, meteorologia, ciência, polícia, esporte, etc.

Feita esta depuração e ajustando o foco apenas nas manchetes políticas, ou seja, aquelas que usam um determinado viés para gritar algo associado às disputas de poder na sociedade e que flagram como o veículo se posiciona diante destas mesmas disputas não obstante invoque o véu da imparcialidade, constata-se que 30,2% delas exploraram fatos negativos para o Governo Lula/PT/Aliados/Brasil, ao passo que somente 7,5% trataram de fatos positivos.

E, de inhapa, 7,5% das manchetes ainda abordaram negativamente fatos relacionados aos aliados latino-americanos do Governo Lula. Esta é a mão que apedreja. Em contrapartida, a mão que afaga acariciou o Governo Yeda/Aliados/Rio Grande com 40% das manchetes positivas e somente 12,5% das negativas.

Como as principais forças que comandam os dois governos são antagônicas, pode-se dizer que ZH prestou um serviço ao governo estadual e aos seus aliados, seja ao enfocar seus temas favoravelmente, seja ao enfocar desfavoravelmente seus adversários, ao publicar praticamente 80% de suas manchetes políticas. Desfavoreceu o Governo Yeda e seus aliados em 20% de suas manchetes.

O mais extravagante de tudo é que, excluídas as manchetes referentes às atribulações do pessoal do aprisco da governadora na CPI do Detran, ZH não produziu uma só manchete claramente questionadora de alguma política do Governo Yeda ao longo de três meses. Zero de crítica. De modo que, na avaliação do jornal, a administração Yeda ronda a perfeição, pouco importando que no mundo real arraste-se com um desempenho constrangedor. De outra parte, o Governo Lula padece nas manchetes de ZH embora no mundo real obtenha a aprovação da grande maioria da população e a imagem do presidente seja ótima de acordo com todas as pesquisas de opinião.

Este desligamento da realidade exterior a que Zero Hora se entrega – de resto, ao lado do PIG – desnuda um desejo de viver na fantasia autoproduzida. Um desejo legítimo, embora bizarro, se suas consequências se restringissem à pessoa física do dono do diário. O que parece anti-jornalístico e anti-democrático é usar um jornal - que pratica o marketing da pluralidade e da “vida por todos os lados” - para favorecer a visão de um lado só. Para, no limite, apresentar aos outros ficção como se fossem fatos. E fatos como se fossem ficção.

Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

Uma voz cristã e democrática

Capa do jornal Zero Hora, no dia 6 de maio de 1964, pouco mais de um mês após o golpe militar que derrubou o governo João Goulart. (Fonte: 50anosnonosso, Dialógico)